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A Marinha do Brasil avançará com a construção de mais quatro fragatas da classe Tamandaré.

Homem com uniforme naval e capacete branco observa navio de guerra atracado, segurando plantas de construção.

A Marinha do Brasil pretende avançar com a construção de mais quatro fragatas da classe Tamandaré, numa decisão orientada para substituir as veteranas fragatas da classe Niterói. A concretizar-se, este alargamento enquadra-se no objectivo estratégico de renovar de forma abrangente a frota de superfície e de consolidar um dos programas navais mais relevantes das últimas décadas no país.

O reforço do programa de fragatas classe Tamandaré na Marinha do Brasil

A inclusão de uma segunda série elevaria o total de navios da classe Tamandaré para oito unidades, assinalando um novo patamar no processo de modernização. Com este aumento, torna-se possível avançar com a substituição gradual das seguintes embarcações, que durante mais de quarenta anos constituíram a espinha dorsal da esquadra:

  • Niterói (F-40)
  • Defensora (F-41)
  • Constituição (F-42)
  • Liberal (F-43)
  • Independência (F-44)
  • União (F-45)
  • Navio de instrução Brasil (U-27)

De acordo com o meio especializado Poder Naval, a expansão do programa Tamandaré terá sido confirmada numa cerimónia oficial em Brasília. A contratação deste segundo lote traduziria a continuidade de uma política de longo prazo destinada a reforçar a presença da Marinha do Brasil na chamada Amazónia Azul, bem como noutras áreas consideradas de interesse estratégico.

Enquadramento na Estratégia Nacional de Defesa e foco na indústria nacional

O projecto, inserido na Estratégia Nacional de Defesa, procura dotar a Marinha de unidades modernas, versáteis e com elevado nível de integração com a indústria nacional. Para além da vertente operacional, esta abordagem procura manter a capacidade de construção e suporte no país, reduzindo dependências externas ao longo do ciclo de vida dos navios.

Num contexto de protecção de rotas marítimas, infra-estruturas críticas e recursos offshore, a introdução de novas fragatas é também um instrumento de dissuasão e de presença. A operacionalidade continuada, a disponibilidade de meios e a padronização logística ganham particular importância quando a frota passa a assentar numa classe mais recente e homogénea.

Consórcio Águas Azuis, projecto MEKO A-100 e capacidades de combate

O programa Tamandaré foi adjudicado originalmente em 2020 ao consórcio Águas Azuis, formado pela ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS), Embraer Defesa & Segurança e empresas brasileiras associadas. As fragatas baseiam-se no desenho MEKO A-100, apresentam um deslocamento aproximado de 3 500 toneladas e incluem sistemas de combate avançados, sensores de nova geração e um perfil multimissão.

As suas missões abrangem, entre outras vertentes:

  • guerra antiaérea
  • guerra anti-submarina
  • guerra de superfície
  • patrulha e escolta
  • vigilância marítima

Estado de construção e calendário das primeiras unidades

A primeira unidade da série, Tamandaré (F-200), foi lançada à água em Agosto de 2024 e, ao longo de 2025, realizou provas de mar antes da entrada ao serviço activo. A segunda fragata, Jerônimo de Albuquerque (F-201), foi lançada em 2025 e encontra-se ainda em fase de apetrechamento e testes.

Entretanto, as duas embarcações restantes do primeiro lote já estão em construção, com entregas faseadas previstas para os próximos anos, reforçando um ritmo sustentado na execução do programa.

Impacto esperado: substituição da classe Niterói e ganhos tecnológicos

Caso a construção das oito unidades planeadas seja concluída, a classe Tamandaré ficará em condições de completar a substituição da classe Niterói, concretizando o propósito central do programa. Em paralelo com o aumento das capacidades operacionais, a continuidade do projecto tende a sustentar a transferência de tecnologia, a criação de emprego qualificado e a participação de fornecedores locais, consolidando a indústria de defesa brasileira como um actor relevante a nível regional.

Um benefício adicional de programas deste tipo é a maturação de competências nacionais em engenharia naval, integração de sistemas e manutenção de alto nível - factores que, no médio prazo, podem reduzir tempos de indisponibilidade e custos de suporte, ao mesmo tempo que fortalecem a autonomia industrial do país.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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