A decisão ficou fechada esta quinta-feira: o conselho diretivo da Nissan aprovou a destituição de Carlos Ghosn dos cargos de presidente do conselho de administração e de diretor representativo da marca, apesar de a Renault ter solicitado o adiamento dessa deliberação. Na mesma votação, Greg Kelly foi igualmente afastado das funções de diretor representativo.
Num comunicado divulgado após a reunião, o conselho diretivo da Nissan explicou que a medida decorre da investigação interna em curso, sublinhando que “a empresa continuará a investigar este assunto e a avaliar formas de melhorar a governação da empresa”. A construtora acrescentou ainda que a decisão foi tomada por unanimidade e com efeitos imediatos.
Apesar de ter avançado com a demissão, ignorando o pedido da Renault, a Nissan emitiu uma segunda nota onde garante que “o conselho diretivo (…) assegura que a parceria de longa data com a Renault se mantém inalterada” e que o objetivo é reduzir ao mínimo o impacto e a confusão que o caso possa provocar na cooperação do dia a dia entre as duas empresas.
É neste tipo de situações que a clareza de governação se torna crítica: quando existe uma aliança industrial, as decisões sobre liderança podem gerar ruído operacional e afetar a coordenação entre equipas, mesmo quando o compromisso formal entre parceiros se mantém.
Nissan: por enquanto, continuam como administradores
Apesar do afastamento das funções executivas referidas, Carlos Ghosn e Greg Kelly deverão, para já, manter os lugares como administradores, uma vez que a destituição enquanto administradores carece de aprovação em assembleia de acionistas.
Do lado da Renault, embora tenha sido nomeado Thierry Bolore como diretor executivo interino, a empresa optou por manter Carlos Ghosn nas funções de presidente do conselho de administração e diretor executivo.
Na reunião desta quinta-feira, o conselho diretivo da Nissan não designou novos diretores representativos, figuras que atuam como representantes legais da empresa. Ainda assim, é esperado que, na próxima assembleia de acionistas, o conselho apresente uma proposta para retirar a Ghosn o cargo de administrador.
Em estruturas societárias como a japonesa, os diretores representativos assumem um papel particularmente sensível, por concentrarem poderes de representação legal. Por isso, a nomeação (ou não) de substitutos é um sinal relevante sobre a forma como a empresa pretende estabilizar a liderança e a tomada de decisão no curto prazo.
Cláusula no acordo limita posição da Renault
Mesmo que a Renault pretendesse votar contra a destituição em assembleia de acionistas - recorde-se que a marca francesa detém 43,4% da Nissan - existe uma cláusula no acordo entre as duas empresas que a obriga a votar de acordo com a decisão tomada pela Nissan quando estão em causa situações que impliquem a destituição de um membro da direção.
Fonte: Notícias do Sector Automóvel (Europa)
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