A The Bachman Ferrari Collection - um conjunto de 46 Ferrari num estado de preservação exemplar, 24 deles no inconfundível Giallo Modena - vai ser colocada em leilão no próximo ano. Construída ao longo de mais de quatro décadas, esta coleção pertenceu a Phil Bachman, empresário norte-americano natural do Tennessee, e prepara-se agora para mudar de mãos num dos eventos mais aguardados do calendário.
A origem de uma coleção marcada pelo Giallo Modena
O primeiro Ferrari de Bachman entrou na sua vida em 1984: um 308 GTS Quattrovalvole encomendado em amarelo, numa escolha pensada para se afastar do vermelho tradicional. A partir daí, a cor transformou-se num traço identitário do acervo - sempre Ferrari e, quase sempre, amarelo.
Com o tempo, a seleção de cada novo exemplar passou a obedecer a critérios minuciosos. O ideal seria combinar quilometragem muito baixa, histórico conhecido e, quando possível, um detalhe raro: ser o último carro da produção.
Essa obsessão pelo “final car” ganhou forma a partir de 1999, com o F355 Spider Serie Fiorano número 100 de 100. Desde então, esta preferência deixou de ser apenas um capricho e tornou-se uma verdadeira tradição dentro da coleção.
Um “museu” privado de Maranello, mantido sem concessões
O crescimento do conjunto foi metódico, até se tornar um autêntico museu privado dedicado a Maranello. Em todos estes anos, nenhum automóvel foi vendido. Pelo contrário: cada unidade foi cuidada, limpa e mantida com rigor, com apoio de especialistas e restauradores reconhecidos, incluindo David Carte.
Vários exemplares receberam distinções Platinum atribuídas pelo Ferrari Club of America, o patamar máximo de reconhecimento em matéria de originalidade e estado de conservação.
Num leilão desta dimensão, a proveniência e a documentação tornam-se tão importantes quanto o automóvel em si. Registos de manutenção, histórico de propriedade e detalhe de especificações de fábrica são fatores que costumam influenciar fortemente o interesse e a valorização, sobretudo em modelos produzidos em números reduzidos ou com configurações invulgares.
O legado de Phil Bachman na The Bachman Ferrari Collection
Entre os 46 Ferrari reunidos, surgem nomes que falam por si. Do mítico 288 GTO (1985) aos dois F40 em especificação norte-americana, passando pelo F50 (1995), Enzo (2003), LaFerrari e LaFerrari Aperta, a coleção reúne modelos com histórias próprias e configurações raras.
Um dos pontos mais singulares é o único Ferrari FXX que saiu da fábrica já pintado em amarelo - ao contrário dos restantes, que receberam essa cor mais tarde durante as atualizações “EVO”. Bachman esteve entre os primeiros clientes do programa FXX, o projeto ultraexclusivo de desenvolvimento em pista da marca italiana, que também inspirou o livro Ferrari FXX Inside Out, escrito pelo seu filho, P.B. Bachman.
A coleção não se limita aos supercarros. Existe ainda um conjunto de enorme relevância de Ferrari V12 dianteiro, cobrindo mais de seis décadas. O alinhamento vai do 166 MM/53 Vignale Spyder - o último de seis exemplares produzidos - até ao F12tdf (2017), incluindo referências muito cobiçadas como:
- 250 GT/L Berlinetta Lusso
- 275 GTB/4 em alumínio
- 550 Barchetta
- 575M Superamericas
- 599 GTO
- 599 SA Aperta (raríssimo)
Além disso, Bachman reuniu modelos de motor central com 12 cilindros opostos, como o 512 BBi e o Testarossa, bem como várias gerações da série 3, desde o 308 até ao mais recente 458. No acervo está ainda um Dino 246 GTS “Chairs & Flares”, um dos poucos casos em que o colecionador abriu exceção - até porque o Dino nunca foi oficialmente um Ferrari.
Também do ponto de vista cultural, uma coleção desta natureza funciona como arquivo vivo: permite observar a evolução de design, engenharia e filosofia de produto da Ferrari ao longo de décadas, lado a lado e com continuidade, algo difícil de encontrar fora de museus e coleções institucionais.
Um leilão que promete fazer história
A The Bachman Ferrari Collection será vendida em leilão pela Mecum em janeiro de 2026, durante o evento anual de Kissimmee, na Flórida. Será a primeira vez que este conjunto estará acessível ao público e, nas palavras da leiloeira, trata-se de “uma oportunidade que só acontece uma vez por geração”.
Os automóveis serão apresentados com curadoria da Phil & Martha Bachman Foundation e da Prancing Horse of Nashville, reforçando a autenticidade e a existência de um histórico detalhado e documentado para cada unidade. Muitos dos carros destinados ao leilão da Mecum contam com menos de 1 000 km e conservam até os plásticos originais da saída da linha de produção.
Phil Bachman morreu em agosto de 2025, deixando uma coleção construída com paciência, paixão e uma visão muito pessoal de exclusividade. Em Kissimmee, o leilão acaba também por funcionar como homenagem a uma vida inteira dedicada ao automóvel.
Cada exemplar da The Bachman Ferrari Collection será vendido individualmente. Para já, não foram divulgadas estimativas de valor para nenhum dos Ferrari.
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