A Bentley decidiu jogar pelo seguro. Enquanto afina os últimos detalhes para estrear o seu primeiro automóvel 100% elétrico - com chegada apontada a 2026 -, a marca britânica confirmou que vai prolongar a vida dos motores de combustão além do que tinha previsto inicialmente.
Em 2019, o construtor de Crewe tinha assumido o compromisso de ter uma gama totalmente elétrica até ao final da década. No entanto, com a atualização do plano Beyond 100+, esse objetivo deixou de estar no horizonte tal como foi anunciado.
Na nova estratégia, a Bentley reconhece que os seus híbridos - Continental GT Coupé, GTC e Flying Spur - deverão continuar em produção, pelo menos, até 2035. No documento, é referido que “a meta anterior de ser exclusivamente elétrica até esse marco poderá ser estendida”, o que abre espaço a sucessores com motor térmico para os Bentayga, Continental GT e Flying Spur.
Este ajuste de rota não apanha o mercado desprevenido. A apresentação do Bentayga Speed, com motor de combustão interna, no início deste ano, já indicava que o ritmo de eletrificação iria abrandar.
Frank-Steffen Walliser, presidente e diretor-executivo da Bentley Motors, enquadrou a decisão afirmando: “Estamos a aprimorar o ritmo de lançamento dos nossos produtos para refletir as realidades de um mundo em constante mudança”.
Bentley e os motores de combustão: planos e lançamentos
A aposta em modelos a combustão não se fica pelo Bentayga Speed. A Bentley confirmou também a chegada do Continental GT SuperSports, uma edição especial e limitada do coupé, exclusivamente a combustão, equipada com um V8 biturbo a gasolina.
Além disso, a marca admite que poderá lançar outros modelos apenas com motor a combustão, justificando essa abertura com a necessidade de “manter flexibilidade na oferta, em linha com a procura dos clientes”.
Walliser sublinhou ainda que, “ao estender o período de lançamento de novos modelos com motor a combustão e ao oferecer opções híbridas até, pelo menos, 2035, garantimos que todos os clientes continuam a desfrutar do desempenho e do requinte que esperam da marca”.
A estratégia também reflete a diversidade dos mercados onde a Bentley opera: a adoção de elétricos de luxo não avança ao mesmo ritmo em todas as regiões, seja por diferenças na infraestrutura de carregamento, seja por hábitos de utilização e perfis de compra distintos. Manter híbridos e motores térmicos por mais tempo permite acomodar essa realidade sem comprometer a presença global da marca.
Em paralelo, a coexistência de várias soluções de motorização dá margem para responder a mudanças regulatórias e tecnológicas ao longo da próxima década. À medida que o setor evolui - incluindo possíveis avanços em combustíveis alternativos e no desempenho das baterias -, a Bentley procura preservar a capacidade de ajustar a sua oferta, mantendo o posicionamento de desempenho e requinte associado ao seu nome.
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