O ano de 2025 tem-se revelado especialmente difícil para uma parte significativa do setor automóvel, e o Grupo Volkswagen também está a sentir essa pressão. Ainda assim, o programa de restruturação iniciado no arranque do ano tem contribuído para conter parte do impacto negativo.
Apesar do contexto adverso, nos primeiros nove meses do ano o grupo alemão conseguiu aumentar ligeiramente as vendas: foram entregues 6,6 milhões de automóveis, o que representa +1,8% face a 2024. Em paralelo, as receitas cresceram de forma marginal para 239 mil milhões de euros (+0,6% em termos homólogos).
Em termos geográficos, o melhor desempenho nas vendas verificou-se na América do Sul (+13%), seguida da Europa Central e de Leste (+11%) e da Europa Ocidental (+4%). Estes avanços ajudaram a equilibrar as descidas observadas na China (-2%) e, sobretudo, na América do Norte (-11%).
Rentabilidade do Grupo Volkswagen em 2025: pressão sobre a margem operacional
O aumento das entregas não se traduziu em melhores resultados: o resultado operacional caiu 58%, fixando-se em 5,4 mil milhões de euros, com uma margem operacional de apenas 2,3%. O período mais penalizador foi o último trimestre, durante o qual foi reportado um prejuízo operacional de 1,3 mil milhões de euros.
De acordo com Arno Antlitz, diretor-financeiro e diretor de operações do Grupo Volkswagen, a quebra resulta de três fatores principais: maior peso da produção de veículos elétricos com margens inferiores, o efeito das tarifas comerciais (estimado em cerca de cinco mil milhões de euros por ano) e o reajuste da estratégia de produto da Porsche.
O responsável acrescentou que, “descontando esses encargos, a margem operacional do Grupo situar-se-ia em 5,4% - um valor que, no atual enquadramento económico, pode ser considerado respeitável à primeira vista”. No total, a liquidez líquida da divisão automóvel rondou os 30 mil milhões de euros.
Para lá dos números imediatos, o momento do grupo reflete uma transição estrutural: acelerar a eletrificação implica, muitas vezes, um período de coexistência com plataformas e cadeias industriais ainda em adaptação, ao mesmo tempo que aumentam os custos de desenvolvimento (software, baterias, arquitetura elétrica) e a necessidade de manter competitividade em segmentos muito pressionados por preço.
Também pesa o facto de mercados-chave estarem a evoluir a ritmos diferentes. A desaceleração na China e a quebra na América do Norte obrigam a ajustes finos no mix de produto e nas prioridades comerciais, precisamente numa fase em que a indústria enfrenta maior volatilidade em matérias-primas, logística e enquadramento regulatório.
Grupo Volkswagen - Por marca
Mesmo com o cenário desafiante, a Volkswagen Veículos de Passageiros conseguiu uma melhoria ligeira na margem operacional, que passou a 2,3%.
A Skoda manteve-se como a marca com rentabilidade mais consistente, ao apresentar 8% de margem operacional. Em contraste, a SEAT/CUPRA registou uma margem operacional de 0,1%, e a Volkswagen Veículos Comerciais ficou igualmente abaixo do desempenho do ano anterior.
No perímetro da Audi AG - que inclui Audi, Lamborghini, Bentley e Ducati - a margem operacional nos primeiros nove meses do ano foi de 3,2%, um recuo face aos 4,5% em 2024. Para 2025, as expectativas foram revistas em baixa, passando a apontar para uma margem operacional entre 4% e 6%.
Já a Porsche, no segmento das marcas desportivas de luxo, viu a sua margem operacional descer para 0,2%, depois de 14,1% no ano anterior, refletindo custos excecionais e decisões estratégicas recentes.
Perspetivas para 2025
Para o ano completo, o Grupo Volkswagen antecipa uma receita de vendas próxima da registada em 2024 e aponta para uma margem operacional entre 2% e 3%. A projeção, segundo o comunicado, assenta na premissa de existir disponibilidade adequada de semicondutores.
Arno Antlitz defende que será essencial manter a disciplina na execução: é necessário “implementar rigorosamente os programas de desempenho em curso”, avançar com medidas de eficiência e adotar novas abordagens. Entre as prioridades, destacou a utilização mais direcionada da escala do grupo e um aproveitamento superior das sinergias dentro do grupo.
Nesse sentido, a Volkswagen está a ponderar produzir mais modelos de diferentes marcas nas mesmas instalações, reforçando a lógica de industrialização transversal. Como explicou o diretor financeiro, o grupo já trabalha com a estratégia de plataforma (MQB, MEB, etc) para desenvolvimento e produção; o passo seguinte passaria por combinar, na produção, automóveis assentes na mesma plataforma independentemente da marca, quando atualmente cada marca tende a produzir de forma mais autónoma.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário