A Century deixou de ser apenas um modelo da Toyota e foi elevada a marca de luxo do grupo japonês. A confirmação foi dada por Akio Toyoda, presidente do Grupo, no Salão de Tóquio (Japan Mobility Show 2025): “Century é mais do que o nome de um carro. Juntos, decidimos lançar a Century como marca”.
Com esta reestruturação, a organização das insígnias do grupo ganha um novo ponto mais alto: a Century posiciona-se acima da Lexus. A ambição é clara e assume um alvo direto - entrar no território de nomes como Rolls-Royce e Bentley. “A Century está no topo”, sublinhou o responsável.
A estratégia para os futuros modelos Century aponta para níveis muito elevados de personalização e para uma forte valorização do artesanato japonês, sem intenção de perseguir grandes volumes de vendas. No mesmo evento, Toyoda reforçou a promessa: “Vamos criar um novo tipo de automóvel de luxo, diferente de tudo o que existiu até agora”.
Este movimento também pode ser lido como uma tentativa de separar, de forma mais nítida, duas abordagens ao luxo dentro do grupo: a Lexus como marca global e tecnologicamente orientada, e a Century como uma proposta mais exclusiva, com foco na tradição, no detalhe e na experiência a bordo.
Num segmento onde a diferenciação é tão importante como a potência, é expectável que a Century aposte igualmente numa filosofia de serviço à medida - desde materiais e acabamentos escolhidos ao gosto do cliente até soluções pensadas para conforto de passageiros traseiros, um ponto historicamente central na identidade deste nome.
Um novo coupé de luxo Century (conceito) e o sinal de ruptura com a Toyota
No salão japonês foi revelado ao público um conceito que antecipa o terceiro modelo de sempre a usar a designação Century, desta vez na forma de um coupé de luxo. Deste protótipo deverá nascer um automóvel de produção que se juntará à berlina (introduzida em 2018) e ao SUV (2023) que, até ao momento, eram comercializados exclusivamente no Japão.
A reforçar o novo estatuto de marca, um dos detalhes mais simbólicos deste conceito é a ausência do logótipo Toyota: em vez disso, assume-se uma identidade própria, marcando uma rutura visual e estratégica com o passado.
O que já sabemos sobre o novo Century?
Por agora, os dados sobre este novo modelo continuam limitados. Ainda assim, o conceito deixa claro que poderá ser o Century com desenho mais desportivo até hoje - e até a escolha de cor laranja se torna um acontecimento, já que durante décadas a berlina Toyota Century foi associada quase exclusivamente ao negro.
Na frente, sobressai o emblema da fénix e uma assinatura luminosa que segue a linguagem mais recente da Century, com quatro barras de luz nos faróis. Atrás, o conjunto é complementado por guarda-lamas musculados e farolins envolventes, reforçando a presença e a largura visual do coupé.
O acesso ao interior faz-se através de uma porta deslizante - uma solução rara num coupé - que evidencia a componente experimental do conceito. Mesmo com visibilidade limitada do habitáculo, percebe-se um ambiente amplo e requintado, em linha com a herança do Century e com a expectativa de conforto elevado.
Motores: do V12 histórico ao híbrido - e a hipótese 100% elétrica
A motorização prevista para este grande coupé permanece por revelar. A berlina original, lançada em 1967, recorreu a um V12, configuração que acabou por dar lugar a um V8 híbrido na terceira geração, apresentada em 2018. Já o SUV utiliza um V6 híbrido.
Há ainda rumores de que, para além de uma solução a combustão, possa existir também uma variante 100% elétrica, o que colocaria o futuro Century em linha com a transição energética que já marca o segmento de topo.
Quando chega ao mercado?
Quanto ao lançamento, não existem datas confirmadas. Também não há, para já, indicações sobre uma eventual exportação para fora do Japão, mantendo-se em aberto se a Century continuará a ser um produto de foco doméstico ou se passará a ter ambições globais.
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