A durabilidade das baterias continua a ser uma das questões que mais inquieta quem pondera comprar um automóvel elétrico - e com razão, já que se trata do componente mais dispendioso do veículo.
Ainda assim, esta preocupação tem vindo a perder peso nos últimos anos, muito por causa da evolução tecnológica nas baterias e nos sistemas de gestão térmica. É essa a leitura que se pode fazer a partir de uma análise da plataforma sueca de automóveis usados Kvdbil, que avaliou 1 366 veículos (modelos 100% elétricos e híbridos com carregamento na tomada) para perceber como a capacidade das baterias se degrada com o passar do tempo e com o acumular de quilómetros.
Para chegar a conclusões, o estudo mediu o estado de saúde da bateria - um indicador que reflete a perda de capacidade útil ao longo dos anos. E os resultados acabaram por surpreender os próprios responsáveis, sobretudo por existirem muitos casos com níveis de desgaste inferiores ao esperado. Além disso, a marca com melhor desempenho não é, à partida, aquela que muitos imaginariam liderar.
Kia EV6 e Kvdbil: o elétrico com menor degradação de bateria
No total analisado, 723 eram elétricos e 643 eram híbridos com carregamento na tomada. De acordo com a Kvdbil, oito em cada 10 veículos mantiveram 90% ou mais da capacidade original da bateria.
Em média, os elétricos conservam 90% da capacidade ao fim de 145 000 km. Mesmo quando a quilometragem sobe para 200 000 km, a bateria mantém, em média, 85% da capacidade total. A corretora identificou ainda diversos exemplares com mais de 300 000 km cuja bateria continuava com 80% ou mais de capacidade disponível.
Dentro dos modelos avaliados, o Kia EV6 destacou-se como o elétrico com menor degradação da bateria. Logo a seguir surgiu outro modelo da marca sul-coreana, o Kia e-Niro, o que reforça o destaque da Kia nesta amostra. Entre os híbridos com carregamento na tomada, a marca voltou a aparecer no topo, com dois modelos nos primeiros lugares: Sportage e Optima.
Martin Reinholdsson, responsável pelos testes na Kvdbil, afirmou que a equipa ficou “um pouco surpreendida por haver tantos resultados tão bons”. Ao mesmo tempo, sublinhou que o desempenho não depende apenas da marca ou do modelo, já que o desgaste é influenciado por múltiplos fatores de utilização.
“Idade, clima, estilo de condução e hábitos de carregamento desempenham um papel importante nesse desgaste”.
Martin Reinholdsson, gestor de testes da Kvdbil
A Kvdbil divulgou também uma tabela com os 10 elétricos e híbridos com carregamento na tomada que apresentaram menor desgaste útil da bateria neste teste. Entre os elétricos, o Tesla Modelo Y surgiu em terceiro lugar; já na categoria dos híbridos com carregamento na tomada, entrou ainda um terceiro Kia no Top 10, o Ceed.
O que mais influencia o desgaste da bateria (e como o pode reduzir)
Os resultados do estudo lembram que a degradação não é uniforme, mesmo em veículos iguais. O clima (especialmente calor intenso), a idade do automóvel, a frequência de utilização de carregamento rápido, o tempo passado com a bateria em níveis muito altos ou muito baixos e o estilo de condução podem acelerar ou travar a perda de capacidade.
Na prática, quem quer preservar a bateria tende a beneficiar de hábitos como privilegiar carregamentos em corrente alternada no dia a dia, evitar deixar o automóvel longos períodos com a bateria a 100% (quando não é necessário) e reduzir exposições prolongadas a temperaturas extremas - sobretudo quando o veículo fica estacionado ao sol.
Bateria em usados: o que convém verificar antes de comprar
Num elétrico ou num híbrido com carregamento na tomada em segunda mão, é particularmente útil pedir um relatório do estado de saúde da bateria ou um diagnóstico efetuado com equipamento adequado, além de confirmar histórico de manutenção e atualizações de software. Estes elementos ajudam a enquadrar a autonomia real, a consistência do carregamento e o valor do veículo a médio prazo.
Também é importante ter em conta que muitos fabricantes oferecem garantias específicas para a bateria (normalmente por um número de anos e/ou quilómetros), o que pode reduzir o risco percebido na compra - sobretudo quando o automóvel ainda está dentro desse período de cobertura.
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