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Stellantis desafia UE para mudar cálculo das emissões para 2030

Carro desportivo elétrico branco futurista exibido em exposição com cidade e turbinas eólicas ao fundo.

A entrada em vigor, este ano, de limites de emissões 15% mais rigorosos do que os de 2020/2021 voltou a acender a polémica na indústria automóvel europeia. Com esta atualização, a meta média passou a situar-se nos 93,6 g/km (WLTP), aumentando a pressão sobre construtores e fornecedores para cumprirem os objetivos definidos pela União Europeia (UE).

Neste contexto, John Elkann, presidente da Stellantis, defende que a UE adopte uma metodologia de avaliação mais flexível para as metas de emissões de CO₂ - sobretudo no horizonte de 2030 -, argumentando que o modelo atual não acompanha a realidade industrial e geopolítica.

Stellantis e John Elkann propõem rever as metas de emissões de CO₂ para 2030

Após as dificuldades sentidas por vários construtores para cumprir os objetivos europeus, Elkann sugeriu uma abordagem semelhante à que Bruxelas aceitou para as metas de 2025. Nesse caso, os resultados deixaram de depender exclusivamente de um único ano e passaram a ser calculados como uma média entre 2025 e 2027.

Em entrevista ao Politico, o responsável propôs que a avaliação das metas intermédias de 2030 siga a mesma lógica, mas com um horizonte mais longo: em vez de exigir o cumprimento num só ano, a UE deveria medir o desempenho ao longo de cinco anos, entre 2028 e 2032. A alteração, defende, deveria aplicar-se tanto a veículos ligeiros de passageiros como a veículos de mercadorias.

Uma leitura por média plurianual, na ótica do grupo, daria maior previsibilidade às marcas e permitiria ajustar produção, fornecimento e investimento tecnológico sem penalizações bruscas causadas por oscilações temporárias do mercado (por exemplo, atrasos na procura, constrangimentos de componentes ou variações no ritmo de electrificação).

Críticas do setor: ACEA e CLEPA consideram as metas de 2030 e 2035 “não viáveis”

A discussão ganhou novo fôlego desde a entrada em vigor dos novos valores, com diversos construtores e fornecedores a acusarem Bruxelas de “falta de visão holística” e de impor uma transformação do setor “sem pragmatismo político”.

A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis) e a CLEPA (Associação Europeia dos Fornecedores Automóveis) vão mais longe e sustentam que, face ao quadro industrial e geopolítico atual, “as metas de emissões de 2030 e 2035 não são, hoje, viáveis”.

Ao mesmo tempo, o setor sublinha que os objetivos legais e a sua calendarização têm impacto direto nas decisões de investimento: plataformas, fábricas, cadeias de fornecimento e emprego dependem de planeamento de longo prazo, o que reforça a importância de regras estáveis e exequíveis.

Outras sugestões

Para além da revisão do método de cálculo, Elkann defendeu a implementação de um programa de abate alargado na Europa, orientado para retirar de circulação veículos mais antigos e mais poluentes. A proposta assenta em dois objetivos complementares:

  • Cortar emissões, acelerando a renovação do parque automóvel;
  • Estimular a economia, através de incentivos que reduzam o preço de entrada e tornem os automóveis novos mais acessíveis.

Elkann acrescentou que a Stellantis não pretende alterar o objetivo europeu de reduzir em 100% as emissões de CO₂ em 2035. Ainda assim, espera que, após essa data, sejam previstas exceções que permitam a continuação de determinadas tecnologias, nomeadamente:

  • híbridos plug-in;
  • elétricos com extensor de autonomia (EREV);
  • veículos que recorram a combustíveis alternativos.

Em paralelo, a eficácia de qualquer trajetória de redução depende também de condições externas ao produto automóvel - como a expansão da infraestrutura de carregamento, a disponibilidade de energia a preços competitivos e a capacidade de tornar a transição financeiramente viável para famílias e empresas, especialmente no segmento dos comerciais.

Apelo à Comissão Europeia

Por fim, o presidente da Stellantis apelou à Comissão Europeia para que integre estas propostas no pacote legislativo que deverá ser apresentado até ao final do ano, no âmbito da revisão antecipada das metas de emissões.

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