O aumento de furtos e de vandalismo em postos de carregamento de veículos elétricos está a levar os operadores em Portugal a apertarem as medidas de proteção, de acordo com a UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos.
Desde agosto, terão sido contabilizados mais de 450 incidentes em apenas cinco semanas, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Santarém, Leiria, Setúbal e Évora.
Medidas de segurança nos postos de carregamento de veículos elétricos
Para travar novos furtos, vários postos estão a ser equipados com CCTV, bem como com sensores e alarmes, de modo a melhorar a deteção e a dissuasão de tentativas de intrusão.
Em paralelo, os operadores estão a reforçar a proteção física dos cabos através de soluções como aplicação de tinta, revestimentos com Kevlar e malha de aço, além de rastreamento por GPS, o que permite identificar manipulações em tempo real e agir mais depressa.
O que está em causa?
O principal motivo por detrás destes crimes é o cobre existente nos carregadores, cuja valorização no mercado torna o roubo particularmente atrativo.
A situação tende a piorar devido à fragilidade física de muitos locais: são áreas pouco vigiadas, onde os cabos permanecem expostos e presos às unidades, o que facilita que sejam arrancados ou cortados em poucos segundos.
Além do custo direto da reparação, estas ocorrências criam impactos imediatos para os utilizadores: postos indisponíveis, desvios de rota, filas mais longas em estações próximas e maior incerteza no planeamento de viagens, sobretudo em horários de ponta e em zonas com menor densidade de carregadores.
Também cresce a pressão operacional sobre as equipas de manutenção e sobre a gestão das redes, que passam a ter de repor equipamentos com maior frequência, reforçar rondas e ajustar a instalação (por exemplo, melhor iluminação e reposicionamento de equipamentos) para reduzir a exposição a ataques.
Um problema que se alastra a muitos mais países
O furto de cabos elétricos que tem deixado inúmeros postos de carregamento inoperacionais em Portugal não é, contudo, um fenómeno isolado.
Por toda a Europa e nos EUA, diversos operadores de redes de carregamento têm vindo a reportar prejuízos elevados e ocorrências repetidas associadas a este tipo de roubo.
Na Alemanha, por exemplo, a EnBW - uma das maiores operadoras do país - terá registado mais de 900 furtos só este ano, distribuídos por cerca de 130 estações de carregamento rápido. Segundo a empresa, cada incidente pode representar custos de reparação na ordem dos 3500 euros, sem incluir o lucro perdido durante o período em que o posto fica fora de serviço.
Em resposta, muitos operadores europeus estão a reforçar a segurança das suas estações e, ao mesmo tempo, a exigir às autoridades penas mais duras para os infratores. A EnBW defende, em particular, que os cabos deveriam ser enquadrados como infraestrutura energética pública, abrindo a porta a penalizações mais severas para quem comete estes crimes.
Do lado norte-americano, a ChargePoint avançou com o desenvolvimento de um novo tipo de cabo - ainda sem patente - fabricado com materiais especiais que tornam mais difícil o corte ou a danificação. A empresa apresentou igualmente o “ChargePoint protect”, um sistema de alarme com altifalantes, ecrãs e luzes, concebido para detetar manipulações em tempo real e enviar alertas por SMS ou email.
Nas redes sociais, continuam a surgir outras propostas para reduzir novos roubos, incluindo a disponibilização dos cabos apenas após confirmação do pagamento. Outra hipótese, embora menos prática, passa por os próprios consumidores transportarem os seus cabos para utilização em postos de carregamento rápido e ultrarrápido.
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