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França e Noruega vão fornecer mais bombas AASM Hammer aos caças Su-25, Su-27, MiG-29 e Mirage 2000 da Ucrânia.

Dois pilotos em fato de voo realizam inspeção num caça junto a portátil no aeroporto militar ao amanhecer.

Os governos de França e da Noruega decidiram reforçar o apoio militar à Ucrânia através do fornecimento adicional de bombas guiadas de precisão à Força Aérea Ucraniana, no âmbito de um novo entendimento bilateral divulgado pelo executivo norueguês, num momento em que a evolução do conflito com a Rússia permanece incerta.

Apesar de a nota oficial não identificar publicamente o modelo exacto do armamento, várias fontes abertas e analistas especializados convergem na avaliação de que o pacote envolve novas entregas de bombas guiadas AASM Hammer, de fabrico francês. Para este esforço, a Noruega deverá afectar cerca de 365 milhões de euros, enquanto a França assegurará ainda um empréstimo de aproximadamente 260 milhões de euros.

AASM Hammer (Armement Air-Sol Modulaire): bombas guiadas de precisão para a Força Aérea Ucraniana

O Armement Air-Sol Modulaire (AASM), também conhecido como Hammer, é um sistema desenvolvido pela empresa francesa Safran que converte bombas convencionais em munições inteligentes de maior alcance, através da adição de um kit que integra guiamento e propulsão. Em termos de navegação, o AASM combina navegação inercial com apoio de GPS e pode, conforme a variante, incorporar sensores adicionais - como guiamento por infravermelhos ou guiamento por laser - permitindo ajustá-lo a diferentes perfis de missão e tipos de alvo.

Ao contrário de uma bomba guiada convencional, o AASM inclui um módulo de propulsão que aumenta de forma significativa o alcance, tornando possível efectuar lançamentos a mais de 50 km, dependendo da altitude e da velocidade da aeronave que o transporta. Este ponto ganha especial importância num cenário em que a aviação ucraniana tem de operar sob a ameaça constante de sistemas russos de defesa aérea de médio e longo alcance.

Integração do AASM em aeronaves ucranianas e chegada do Mirage 2000-5

Importa recordar que a Força Aérea da Ucrânia começou a empregar estas munições em 2024, após um processo de integração técnica em aeronaves de origem soviética. De acordo com relatos anteriores, desde o início da guerra as bombas AASM têm sido usadas a partir de plataformas como o Sukhoi Su-25, o Sukhoi Su-27 Flanker e o MiG-29, o que obrigou a adaptar software e sistemas de missão originalmente concebidos para outro tipo de armamento.

Em paralelo, a recente incorporação de caças Mirage 2000-5 na Força Aérea Ucraniana acrescenta uma nova dimensão ao emprego do AASM Hammer, uma vez que esta aeronave já se encontra plenamente certificada para operar este armamento na sua configuração padrão, simplificando a utilização e reduzindo a necessidade de adaptações complexas.

Impacto operacional do reforço: ataques de precisão a distância segura

Do ponto de vista operacional, o fornecimento adicional de bombas guiadas AASM Hammer de origem francesa tende a fortalecer a capacidade ucraniana de conduzir ataques de precisão a uma distância mais segura, aumentando a sobrevivência das aeronaves e permitindo atingir alvos estratégicos russos, como depósitos logísticos, posições fortificadas e infra-estruturas militares.

Este tipo de munição também contribui para alargar as opções tácticas, ao permitir planear missões com diferentes perfis de aproximação e libertação, ajustando a selecção do modo de guiamento ao ambiente operacional (por exemplo, com maior dependência de navegação inercial/GPS ou com sensores adicionais, quando aplicável).

Um novo passo no apoio europeu e a importância da sustentabilidade do abastecimento

O entendimento entre França e Noruega representa mais uma etapa no conjunto de apoios militares que a Ucrânia tem vindo a receber desde o início da guerra por parte de países europeus. Entre a entrega de aeronaves de combate, artilharia, munições e treino de forças, soma-se agora um novo esforço para manter o fluxo de abastecimento - um factor que se tornou determinante num conflito prolongado e de elevada intensidade.

Num plano mais amplo, acordos deste tipo tendem também a produzir efeitos na capacidade de planeamento ucraniana: quando há previsibilidade de fornecimento e financiamento, torna-se mais simples estruturar ciclos de treino, preparar tripulações e organizar a manutenção, garantindo que as munições disponibilizadas podem ser empregues com a cadência e a eficácia esperadas no terreno.

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