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Escassez de chips de memória e aumento nos preços de eletrónicos devem prolongar-se até 2030.

Jovem segurando portátil e caixa de smartphone numa loja de tecnologia com prateleiras de memória RAM.

O presidente do grupo sul-coreano SK, um dos maiores fornecedores mundiais de chips de memória, admite que a escassez provocada pela corrida global à IA poderá prolongar-se até 2030. Esta falta de componentes já está a pressionar os custos de produção de smartphones, PC e outros equipamentos electrónicos.

A actual escassez de chips de memória, alimentada pela procura dos novos centros de dados para inteligência artificial, poderá durar mais do que se antecipava. Segundo a Reuters, à margem da conferência anual da Nvidia, o presidente da SK, Chey Tae-Won, afirmou que a ruptura de oferta a nível mundial deverá manter-se até ao final da década. Recorde-se que a SK está entre os principais fabricantes e fornecedores de memória.

Escassez de chips de memória (SK, HBM e RAM) impulsionada pela IA

As grandes empresas de tecnologia estão a investir fortemente em infra-estruturas para IA. Essas plataformas exigem um tipo de memória especializado, conhecido como HBM (High Bandwidth Memory), essencial para acelerar o treino e a inferência de modelos. A procura intensa por HBM absorve uma parte significativa da capacidade de fabrico dos fornecedores, criando um efeito dominó: menos capacidade disponível para produzir RAM destinada a outras categorias de produtos, incluindo smartphones e PC.

O problema é que a indústria de chips de memória não consegue ajustar a oferta de um dia para o outro. De acordo com a Reuters, Chey Tae-Won indicou que a SK precisa de tempo - pelo menos 4 a 5 anos - para aumentar a produção e acompanhar a escalada da procura. Ainda assim, a empresa deverá anunciar uma estratégia com o objectivo de ajudar a estabilizar os preços.

Para os fabricantes de dispositivos, esta pressão na cadeia de abastecimento traduz-se em decisões difíceis: assegurar volumes com antecedência, aceitar preços mais elevados, ou rever especificações. Em mercados como o europeu - incluindo Portugal - isto pode reflectir-se em subidas de preços, menos promoções e ciclos de stock mais irregulares, sobretudo em gamas com margens mais apertadas.

Em paralelo, algumas marcas poderão tentar mitigar o impacto através de optimizações de software e de arquitectura (por exemplo, gestão mais eficiente da RAM e compressão de memória), ou ajustando configurações por região. No entanto, estas medidas têm limites quando a disponibilidade física de componentes permanece restringida.

Uma crise que já está a afectar o mercado de PC e smartphones

Os efeitos da escassez já se fazem sentir nas previsões de mercado. A IDC estima que as expedições globais de PC deverão cair 11,3% em 2026. No caso dos smartphones, o cenário seria ainda mais negativo no curto prazo, com uma descida prevista de 12,9% este ano.

Apesar disso, a IDC antecipa uma melhoria gradual: uma estabilização a partir do próximo ano e uma recuperação mais expressiva em 2028. No documento divulgado em fevereiro, a consultora refere: “Prevemos um crescimento modesto de 1,9% para os smartphones em 2027, seguido de um rebound mais marcado de 5,2% em 2028.”

O impacto não será igual para todas as marcas

A dimensão de cada fabricante fará diferença no impacto real desta escassez. As empresas que produzem grandes volumes tendem a ter maior poder negocial junto dos fornecedores, conseguindo garantir contratos, prioridades de entrega e, em alguns casos, condições de preço mais favoráveis do que marcas que compram quantidades menores de chips de memória.

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