Nem tudo o que vem do outro lado do mundo tem origem na China. Há décadas que marcas japonesas e marcas sul-coreanas conquistaram um lugar sólido no mercado europeu e no mercado português, com propostas consistentes, fiáveis e fortemente tecnológicas.
Ainda assim, nos últimos anos, a subida acelerada das marcas chinesas trouxe uma nova dinâmica - e também alguma inquietação - à indústria automóvel. A pergunta impõe-se: o que é que estas novas marcas chinesas estão a fazer de forma diferente para colocarem sob pressão concorrentes há muito estabelecidos?
Para ajudar a esclarecer este tema, convidámos alguém que conhece de perto três universos: o das marcas japonesas, o das marcas chinesas e, naturalmente, a realidade do mercado nacional. Falamos de Francisco Geraldes, diretor-executivo da Astara Portugal, o grupo responsável pela importação de marcas como Kia, Mitsubishi, KGM, entre outras.
Foi precisamente sobre isto (e muito mais) que conversámos no mais recente episódio do Auto Rádio, um programa da Razão Automóvel com o apoio do PiscaPisca.pt.
Marcas chinesas no mercado português: há espaço para tantas marcas novas?
Nos últimos anos, o setor automóvel europeu entrou numa fase de transformação intensa. Entre a chegada de novas marcas, a aceleração tecnológica e regras cada vez mais exigentes, um mercado que durante décadas teve protagonistas muito definidos está a mudar rapidamente.
O cenário alterou-se por completo: o mercado europeu (e, claro, o português) recebeu uma vaga de novos intervenientes, capazes de mexer com a estabilidade de um setor que ainda procura recuperar dos valores pré-pandemia e que, por isso, não tem crescido ao ritmo que muitos esperavam.
Quando o total de automóveis vendidos não aumenta, mas o número de marcas a operar na Europa e em Portugal continua a subir, a consequência é quase inevitável: alguém vai perder quota de mercado.
E há um detalhe que, por vezes, passa despercebido neste debate: a batalha não se decide apenas no produto. Rede de assistência, disponibilidade de peças, prazos de garantia, soluções de financiamento e valores residuais têm um peso enorme na confiança do consumidor - especialmente quando se trata de marcas novas, ainda a construir reputação.
Também a resposta regulatória e industrial da Europa influencia esta nova ordem. Entre requisitos de segurança, homologações, metas de emissões e a pressão para eletrificar gamas, a capacidade de adaptar rapidamente a oferta a este quadro pode separar quem entra para ficar de quem aparece apenas por um ciclo.
Este foi um dos assuntos em destaque no mais recente episódio do Auto Rádio, com Francisco Geraldes, diretor-executivo da Astara Portugal. Embora afirme não encarar a concorrência chinesa com receio, deixou um aviso que merece ser ouvido.
A Astara Portugal já tem no seu portefólio a marca chinesa Maxus e foi também o grupo que trouxe a Aiways para o nosso mercado. Ainda assim, na prática, o principal “antídoto” à expansão das marcas chinesas tem sido outro: os construtores japoneses e sul-coreanos - como Kia, Mitsubishi e a KGM (antiga SsangYong) - continuam a reforçar a presença e a consolidar a confiança do consumidor europeu.
KGM (antiga SsangYong): um regresso com ambição
A estreia da KGM no nosso país aconteceu no verão passado, mas é este ano que a marca fecha o seu primeiro ano completo de vendas em território nacional. A ofensiva faz-se com uma gama de cinco modelos - ou seis, se encararmos a versão elétrica do Torres como um modelo independente.
Neste episódio, falámos não só desse primeiro ano da KGM no mercado português, como também da Aiways, analisando o que tem corrido mal, e ainda da forma como a Maxus tem tentado destacar-se face às restantes marcas.
Kia com crescimento firme no mercado europeu e em Portugal
A Kia tem sido um dos casos de sucesso da última década, tanto na Europa como em Portugal. Entre janeiro e outubro deste ano, a marca já entregou no nosso país mais de 6800 unidades, o que corresponde a um crescimento de 6,6% face ao mesmo período do ano anterior - resultado que a coloca entre as dez marcas mais vendidas em Portugal.
Para Francisco Geraldes, este desempenho da marca sul-coreana não surpreende. Como recorda, “a Kia é uma marca que se preparou muito bem para a Europa” e para a regulamentação cada vez mais apertada do mercado europeu. O mesmo raciocínio aplica-se à Mitsubishi, que, graças à aliança com o Grupo Renault, está a conduzir uma renovação profunda em toda a sua gama. Será isto suficiente para garantir sobrevivência e competitividade no mercado europeu? Para saber, o ideal é ouvir o episódio.
Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana
Razões não faltam para ver e ouvir o mais recente episódio do Auto Rádio, que regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário