A Marinha da Federação Russa, que está a avançar com um processo de modernização da sua frota de submarinos, prevê concluir até 2035 a substituição integral dos seus submarinos nucleares de ataque mais antigos, através da incorporação de unidades da classe Yasen-M. A estimativa foi confirmada pelo Comandante-em-Chefe da Marinha russa, o almirante Alexander Moiseyev, ao indicar que, ao longo dos próximos dez anos, todos os submarinos nucleares actualmente em serviço serão gradualmente substituídos por plataformas do Projecto 885/885M, conhecidas como Yasen/Yasen-M.
Segundo Moiseyev, o plano assenta na retirada progressiva de plataformas multipropósito de terceira geração, em particular os submarinos dos Projectos 971, 945 e 949, que darão lugar a unidades concebidas pelo Gabinete de Projecto Malakhit, integrado na United Shipbuilding Corporation (USC). Em declarações ao jornal Krasnaya Zvezda, afirmou: “O principal projecto para o futuro – o Yasen/Yasen-M – substituirá, na próxima década, todos os submarinos de terceira geração actualmente no inventário da Marinha.”
Classe Yasen/Yasen-M (Projecto 885/885M): capacidades e sistemas de armas
O almirante detalhou que a linha Yasen apresenta capacidades avançadas de procura, ataque e defesa, combinando sistemas modernos de mísseis como Kalibr, Oniks e Tsirkon, além do armamento subaquático associado. De acordo com as suas palavras, “os submarinos conseguem operar de forma furtiva e por longos períodos em praticamente qualquer área do oceano e representam uma ameaça significativa para agrupamentos navais e para alvos em terra de qualquer adversário.” Acrescentou ainda que as unidades do Projecto 885/885M já participam activamente em missões nas Frotas do Norte e do Pacífico.
Os submarinos da classe Yasen são plataformas nucleares de quarta geração, concebidas com assinatura acústica reduzida e sistemas de armas de longo alcance aptos a atingir alvos terrestres, marítimos e subaquáticos. A variante modernizada Yasen-M incorpora desenvolvimentos russos em áreas técnicas, electrónicas e de propulsão, bem como materiais de nova produção. Estas melhorias inserem-se num processo evolutivo do projecto, integrando soluções técnicas avançadas tanto nos componentes internos como no conjunto do equipamento do navio.
Construção e integração operacional: o submarino nuclear Perm e a Frota do Pacífico
O processo de renovação decorre em simultâneo com o avanço na construção e no apetrechamento de novas unidades. Em meados de Março, a Marinha russa confirmou que o submarino nuclear Perm, o quinto navio da classe Yasen-M, se encontrava na fase final de ensaios e avaliações. Moiseyev referiu que “este ano serão concluídos os testes do próximo submarino nuclear lançador de mísseis de cruzeiro da classe Yasen-M, o Perm, e ele passará a integrar a força de submarinos da Frota do Pacífico”, enquadrando assim o calendário de entrada destas plataformas na estrutura operacional.
Importa também sublinhar que o plano actual de construção da classe Yasen/Yasen-M prevê um total de doze (12) submarinos destinados a substituir as classes acima referidas, introduzidas ainda no período soviético. Contudo, após declarações do próprio Presidente Vladimir Putin em 2025, o Ministério da Defesa e a Marinha russa estarão a ponderar a encomenda de mais dois submarinos, o que, a confirmar-se, elevaria o total para catorze (14) unidades.
Produção em série e modernização contínua dos Yasen-M
O Comandante-em-Chefe sublinhou igualmente que os programas em curso contemplam a construção em série de submarinos Yasen-M, em paralelo com uma modernização contínua, incluindo a integração de novo armamento e de sistemas tecnológicos adicionais. Este esforço acontece ao mesmo tempo que se assinala o 120.º aniversário das forças submarinas da Rússia, criadas em 1906 por decreto do Imperador Nicolau II, quando a categoria de submarinos foi oficialmente incorporada na classificação de navios da Marinha.
A renovação com base no Projecto 885/885M reflecte, assim, uma abordagem de ciclo longo: por um lado, a substituição planeada das plataformas de terceira geração; por outro, a manutenção de um desenho que admite actualizações sucessivas ao longo da vida útil. Na prática, isto significa que a relevância operacional dos Yasen/Yasen-M não depende apenas do número de cascos construídos, mas também da capacidade de acompanhar a evolução de sensores, comunicações e armamento, mantendo a coerência logística e de treino entre unidades.
Do ponto de vista estratégico, a combinação de furtividade, persistência e armamento de longo alcance coloca estes submarinos no centro das missões de dissuasão e de projecção de poder, sobretudo em teatros onde a presença naval é disputada. A participação já confirmada nas Frotas do Norte e do Pacífico sugere que a prioridade é garantir cobertura em áreas-chave do Atlântico Norte/Árctico e do Pacífico, assegurando uma capacidade de resposta distribuída entre os principais comandos navais.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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