A apresentação pública, prevista para maio, do Ferrari Luce acaba de ganhar um potencial entrave. Se a questão não ficar resolvida, a Ferrari poderá, no limite, ver-se obrigada a alterar a designação do seu primeiro modelo 100% elétrico - e a Mazda está no centro desta história.
Porque é que o nome Luce já tem passado (e um passado Mazda)
O nome Luce não surgiu agora. A Mazda recorreu a essa designação durante décadas, entre 1966 e 1991, para identificar a sua berlina de topo. Importa notar que o nome não foi uniforme em todos os mercados: na Europa, por exemplo, o modelo ficou mais conhecido como Mazda 929, o que ajuda a explicar porque é que a palavra “Luce” pode não ser imediatamente familiar a todos fora do Japão.
A cronologia que tornou o caso mais inesperado
Existem inúmeros exemplos de disputas entre marcas por nomes e registos. Aqui, porém, o que torna o episódio particularmente curioso é a sequência dos acontecimentos.
A Ferrari apenas avançou com o registo do nome Luce no mesmo dia em que o tornou público, a par da revelação do interior do novo modelo, a 9 de fevereiro. Segundo o que foi inicialmente divulgado pela CarExpert, a Mazda só procedeu ao registo do nome “Luce” no Japão várias semanas depois, a 4 de março.
O que pode estar por trás do registo da Mazda (sem um novo Luce à vista)
O facto de a Mazda ter decidido registar a designação Luce mais tarde não significa, necessariamente, que esteja a preparar o regresso do modelo. Na indústria automóvel, é comum os construtores registarem ou renovarem direitos sobre nomes precisamente para impedir que terceiros os utilizem.
Neste caso, é razoável supor que a Mazda queira resguardar o uso de Luce, pelo menos no Japão, onde o nome tem peso histórico e reconhecimento junto do público.
“Ferrari Luce” não é o mesmo que “Luce”: o detalhe que pode pesar
Há ainda um pormenor relevante nesta sucessão de registos: a Ferrari não avançou apenas com “Luce” isoladamente, mas sim com “Ferrari Luce”. É uma abordagem que a marca já seguiu noutros casos - por exemplo, com Ferrari California.
Em declarações à Carscoops, a Ferrari mostrou-se confiante quanto ao desfecho: “A Ferrari detém o direito de utilização da marca ‘Ferrari Luce’ a nível internacional, por força do seu registo ao abrigo do direito internacional. Como é habitual, a Ferrari realizou pesquisas prévias, as quais não identificaram quaisquer direitos de terceiros ativos em conflito com os nossos”. À data de publicação desta peça, a Mazda não tinha feito qualquer comentário sobre o tema.
O nome do elétrico será mesmo Luce ou repetirá o destino de Elettrica?
Fica agora por esclarecer se Luce será, de facto, o nome que acompanhará o primeiro capítulo elétrico da Ferrari, ou se acabará por ser abandonado pelo caminho - tal como aconteceu com Elettrica, a primeira designação que a marca italiana deixou antever para o seu primeiro elétrico.
O que está em jogo para a Ferrari (mais do que um simples nome)
Para um construtor como a Ferrari, o batismo de um novo modelo - ainda por cima o primeiro 100% elétrico - não é um detalhe menor: é parte do posicionamento, da narrativa e da forma como a marca pretende enquadrar a transição tecnológica junto dos clientes. Um eventual ajuste para lá de “Ferrari Luce” teria impacto na estratégia de comunicação, nos registos em diferentes países e até na coerência da futura gama eletrificada.
Também por isso, casos deste tipo tendem a ser tratados com especial cuidado: mesmo quando a solução passa por manter Ferrari Luce, a gestão do risco legal por mercado pode levar a adaptações subtis na forma como o nome é usado comercialmente, na publicidade e na documentação oficial.
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