O Decreto n.º 203/2026, publicado no Boletim Oficial, autoriza formalmente a saída do território argentino de meios navais e de pessoal da Armada Argentina para integrarem o Exercício “ACRUX XII”, a decorrer em águas jurisdicionais da República Federativa do Brasil entre 3 de abril e 5 de maio de 2026.
Armada Argentina no Exercício “ACRUX XII”: calendário e itinerário
Segundo o planeamento estabelecido, as unidades argentinas iniciarão a navegação a 3 de abril, com trânsito por águas da República do Paraguai. Está prevista uma escala logística no porto de Assunção entre 5 e 6 de abril, retomando depois a rota rumo ao Brasil, com entrada em águas brasileiras a 8 de abril.
O arranque das actividades combinadas do Exercício “ACRUX XII” está marcado para 20 de abril, mantendo-se as forças na área de operações até 30 de abril. Concluída a fase principal, será iniciado o regresso, com reentrada em águas territoriais argentinas prevista para 5 de maio.
O diploma do Poder Executivo assinala ainda que o processo de autorização sofreu atrasos devido à tramitação do projecto de lei anteriormente remetido ao Congresso Nacional, o qual, até ao momento, continua sem apreciação na Câmara dos Deputados da Nação.
Meios navais e efectivos destacados
O destacamento argentino será constituído pelos seguintes meios e componentes:
- Navio auxiliar multipropósito da classe “Ciudad de Rosario” (unidade principal);
- Duas lanchas patrulheiras da classe Point:
- A.R.A. “Río Santiago”
- A.R.A. “Punta Mogotes”
- Uma secção de Fuzileiros Navais do Batalhão de Infantaria de Marinha n.º 3, com 25 militares, embarcados no navio principal e equipados com o respectivo armamento individual.
Participação regional e foco operacional em ambiente fluvial
Nesta edição, o Exercício “ACRUX XII” reunirá forças navais da República Argentina, da República Federativa do Brasil, da República do Paraguai, da República Oriental do Uruguai e do Estado Plurinacional da Bolívia. A iniciativa reforça a cooperação regional e o treino conjunto em cenários fluviais, um domínio que tem vindo a ganhar peso estratégico.
O decreto sublinha que a ausência em exercícios deste tipo teria impacto relevante no nível de preparação para a execução de operações combinadas e reduziria a interoperabilidade entre as marinhas da Bacia do Prata, elemento determinante para consolidar capacidades conjuntas no espaço regional.
Importância prática do “ACRUX XII” para a Bacia do Prata
Para além do treino táctico, o ACRUX XII serve para harmonizar procedimentos, comunicações e regras de coordenação entre forças com diferentes doutrinas e meios. Em operações fluviais, onde a navegação, as restrições de calado e a proximidade a infra-estruturas críticas condicionam o planeamento, a padronização de rotinas operacionais aumenta a eficácia e reduz riscos.
O exercício também contribui para melhorar a articulação logística em deslocações de longa duração - incluindo escalas, reabastecimento e manutenção - e para reforçar a capacidade de resposta conjunta em missões típicas do ambiente ribeirinho, como controlo de áreas, vigilância e apoio a acções coordenadas entre países vizinhos.
Imagens utilizadas a título meramente ilustrativo.
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