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Tecnologia dos motores elétricos vai mudar. Todos os detalhes

Carro desportivo futurista cinza prateado exposto em ambiente interior moderno e luminoso.

Os motores elétricos distinguem-se há muito dos motores de combustão: tendem a ser mais pequenos, mais leves e com uma arquitetura menos complexa. O ponto verdadeiramente decisivo, porém, está naquilo que entregam no terreno - conseguem converter uma fatia muito maior da energia disponível em movimento útil.

Apesar de muitas vezes se falar deles como se fossem todos iguais, a realidade é bem mais variada. Tal como há diferentes abordagens nos motores a combustão, também existem várias famílias de motores elétricos: em vez de cilindros e tipos de combustão, entram em cena conceitos como fluxo radial e fluxo axial, ou ainda motores síncronos e motores assíncronos - escolhas técnicas que influenciam tamanho, peso, resposta e custos.

Neste episódio do Auto Rádio, o podcast da Razão Automóvel com o apoio do Pisca Pisca, a conversa ganha mais “rotação” do que o habitual. Pedro Silva, diretor e fundador da revista Auto Drive, junta-se a Guilherme Costa e Fernando Gomes para discutir o estado da arte dos motores elétricos e aquilo que pode mudar nos próximos anos.

Eficiência dos motores elétricos: números que não deixam dúvidas

Vamos ao tema que toda a gente quer ver esclarecido: é mesmo “certo e sabido” que os motores elétricos são muito mais eficientes do que os motores a combustão.

E é. Os valores ajudam a perceber porquê: enquanto os motores a gasolina atingem atualmente eficiências térmicas na ordem dos 30% a 40% (havendo já casos acima destes números), os motores elétricos modernos colocam a fasquia acima dos 90%.

A explicação é simples na essência: um motor elétrico consegue transformar quase toda a energia que recebe em força para mover o automóvel, ao passo que, num motor a combustão, uma parte muito significativa acaba inevitavelmente dissipada em calor.

Baterias e “obesidade” nos elétricos: o outro lado da eficiência

Falar de eficiência sem tocar nas baterias seria deixar o quadro incompleto - sobretudo num episódio do Auto Rádio dedicado a motores elétricos.

Se, por um lado, a menor eficiência de um motor a combustão é parcialmente compensada pela elevada densidade energética de combustíveis como a gasolina, por outro, a grande eficiência do motor elétrico esbarra na baixa densidade energética da bateria. O resultado vê-se no mundo real: baterias grandes são, regra geral, pesadas e volumosas, e essa realidade condiciona o automóvel.

A indústria automóvel enfrenta cada vez mais desafios neste equilíbrio entre reduzir emissões e controlar massas e dimensões. Não é por acaso que a bateria é frequentemente apontada como a principal causa da “obesidade” dos carros elétricos. Existem caminhos para atenuar este problema? No Auto Rádio, é explorado o que já se prepara nos bastidores, incluindo soluções em desenvolvimento para melhorar materiais, arquitetura e integração.

Há ainda um ponto adicional que merece atenção: a eficiência não depende só do motor. A eletrónica de potência (como o inversor) e a gestão térmica do conjunto - motor, bateria e sistema de arrefecimento - têm um impacto direto no consumo, especialmente em condução exigente, em autoestrada ou sob temperaturas extremas. À medida que os fabricantes afinam estes sistemas, o ganho pode ser tão relevante quanto trocar a “família” do motor.

Também vale a pena olhar para o ciclo completo: além do desempenho em estrada, cresce a importância da durabilidade e do reaproveitamento. Estratégias como a segunda vida das baterias (por exemplo, em armazenamento estacionário) e a reciclagem de materiais críticos ajudam a reduzir pressão sobre recursos e podem tornar a mobilidade elétrica mais sustentável no longo prazo.

Emoção, entusiastas e hipercarros elétricos: porque não convence (ainda)?

Há um “fantasma” menos técnico - e mais emocional - a pairar sobre o tema. Na prática, tem-se visto que hipercarros elétricos e outros modelos de alto desempenho a eletrões não conseguem, muitas vezes, conquistar os entusiastas ao mesmo nível dos equivalentes com motores de combustão, mesmo quando apresentam números de aceleração e potência superiores.

O motivo não se resume à ficha técnica. Para muita gente, falta parte da experiência sensorial e do envolvimento que tradicionalmente acompanha os motores a combustão - e é possível que, para alguns, essa diferença nunca venha a desaparecer por completo. No Auto Rádio, são apresentadas várias razões que ajudam a perceber porque é que esta adesão emocional continua a ser difícil.

Motores elétricos e mudança de gerações: será uma questão geracional?

A resistência (ou menor entusiasmo) perante os motores elétricos, especialmente no universo mais apaixonado, pode estar ligada a uma questão de geração?

A hipótese é plausível: se as gerações mais novas crescerem com contacto quase exclusivo com motores elétricos, é natural que o fascínio pelos motores de combustão - e por tudo o que representam - lhes diga menos do que dizia às gerações anteriores. Guilherme Costa abordou recentemente este tema num artigo dedicado precisamente a esta perspetiva.

Próximo encontro no Auto Rádio

Razões para ver e/ou ouvir este episódio não faltam. O Auto Rádio regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.

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