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Esta lomba gigante está a gerar polémica em França

Homem mede altura de estrutura em estrada com fita métrica e sinal de passadeira elevada.

Primeiro chegaram as rotundas e, mais tarde, as lombas. Multiplicam-se as medidas destinadas a travar a velocidade dos automóveis dentro das localidades, sempre com a segurança rodoviária como argumento central. Em França, contudo, a mais recente “inovação” parece ter ido um passo mais longe - ou, neste caso, mais alto: uma estrutura que, à primeira vista, tanto pode parecer uma lomba como uma pequena colina.

Na zona de Vallauris, perto da localidade costeira de Golfe-Juan, foi instalada uma nova “lomba” com uns impressionantes 68 cm de altura. Na prática, são mais 58 cm do que o limite legal francês permite, de acordo com a norma NF P98-300, publicada pela Associação Francesa de Normalização (AFNOR).

Vallauris e a “lomba” de 68 cm: surpresa, impactos e queixas

A maioria dos condutores foi apanhada desprevenida ao passar por esta via. As reacções surgiram quase de imediato em fóruns e redes sociais: houve quem relatasse embates na estrutura, danos nos veículos e, sobretudo, a falta de sinalização considerada adequada para alertar para o obstáculo.

@naomi.pinelli - Quando o tipo da manutenção da estrada confunde metros com centímetros 😭

costazul #lomba #carro - som original

Com a rápida disseminação do caso, cresceram também as perguntas sobre a legalidade da intervenção e sobre se a obra cumpre (ou não) as regras aplicáveis.

Lomba, rampa ou ponte? A estrutura na RD 135 e o reforço da ponte

Segundo a câmara municipal de Vallauris, não se trata de uma lomba, mas sim de uma passadeira provisória de repartição de carga - isto é, uma estrutura metálica concebida para reforçar a integridade de uma ponte antiga na Estrada Departamental 135 (RD 135).

Na prática, o que está no local é uma espécie de rampa metálica com inclinação acentuada e um ponto mais alto que chega aos já referidos 68 cm, montada sobre a ponte com o objectivo de funcionar como reforço estrutural.

Ainda assim, as principais críticas mantêm-se: a inclinação ultrapassa valores normalmente recomendados para acessibilidade e para conforto e segurança na circulação, o que levanta preocupações adicionais. O município assegura que a solução é temporária, mas não indicou qualquer data concreta para a sua remoção.

Avaliação da DDTM e dúvidas sobre conformidade com as normas

Apesar da explicação técnica, continuam as interrogações quanto ao enquadramento legal. Técnicos da Direction Départementale des Territoires et de la Mer (DDTM) deslocaram-se ao local para analisar a conformidade da estrutura com as normas rodoviárias francesas, mas as conclusões dessa avaliação ainda não foram tornadas públicas.

Entretanto, o debate não se centra apenas na altura: em situações com alterações súbitas do perfil da estrada, a sinalização temporária e as distâncias de aviso são determinantes para reduzir o risco de embates e para permitir que os condutores ajustem a velocidade com segurança. Quando esse aviso falha - ou é insuficiente -, a probabilidade de incidentes aumenta, sobretudo à noite ou com tráfego mais intenso.

Há também um efeito prático frequentemente subestimado: estruturas com grande ressalto podem criar problemas a veículos com pouca distância ao solo (por exemplo, alguns automóveis desportivos), a viaturas carregadas e até a veículos de emergência, tornando a passagem menos previsível e potencialmente mais perigosa.

Medidas prometidas: acessos mais longos e requalificação da estrada

Consciente do incómodo e dos riscos associados à obra, a autarquia comprometeu-se, numa primeira fase, a prolongar os acessos em mais 20 a 30 metros, procurando assim suavizar o “impacto” da passagem. Numa segunda fase, está prevista a requalificação total da estrada nos próximos meses.

Apesar disso, a indignação popular continua: vários automobilistas exigem a retirada imediata da estrutura e a apresentação de alternativas menos lesivas para quem utiliza diariamente aquele trajecto. Para já, a estrutura mantém-se no local, bem visível, mas, segundo os relatos, ainda sem as advertências regulamentares que muitos consideram indispensáveis.

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