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Veículos 100% elétricos na Alemanha batem recorde no 1.º semestre de 2025

Carro elétrico desportivo verde numa área de carregamento com colunas de carregamento elétrico ao fundo.

As vendas de veículos 100% elétricos na Alemanha alcançaram um máximo histórico no primeiro semestre de 2025: foram matriculados 249 155 elétricos, o que representa uma subida de 35,1% face ao mesmo período de 2024 e o melhor registo de sempre para esta metade do ano.

O resultado ganha ainda mais relevância por dois motivos. Por um lado, o mercado automóvel alemão, no conjunto de todas as motorizações, recuou 4,7%. Por outro, desde dezembro de 2023 que não existem incentivos diretos do Estado para a compra de elétricos no país. Vale a pena lembrar que, em 2024, as vendas tinham caído 16%, precisamente na sequência do fim abrupto desses apoios.

Descontos diretos em vez de incentivos: o motor dos veículos 100% elétricos na Alemanha

Apesar do salto nas matrículas, esta recuperação não pode ser atribuída apenas a um crescimento “natural” da procura. O principal fator foi a aposta em campanhas agressivas de descontos diretos ao consumidor, levadas a cabo por várias marcas - com especial destaque para as do Grupo Volkswagen, que acabou por dominar o mercado.

Entre os dez elétricos mais vendidos na Alemanha no primeiro semestre, oito são modelos do grupo alemão. E, no pódio, surgem exclusivamente automóveis com o emblema Volkswagen.

Estas campanhas abrangeram, por exemplo, os ID.3, ID.4 e ID.7, com reduções de vários milhares de euros através de retomas valorizadas, soluções de financiamento e fórmulas de aluguer de longa duração. Um caso ilustrativo é o Volkswagen ID.7, líder do mercado de elétricos no primeiro semestre com 18 017 unidades, que tem sido disponibilizado com campanhas de valorização de retoma que podem ultrapassar os 6000 euros.

Mesmo sem incentivos públicos, estes apoios comerciais acabam por funcionar como uma espécie de “incentivos indiretos”, ao reduzirem o preço efetivo pago pelo cliente e ao tornarem a proposta mais competitiva face a motores a combustão.

Um fator adicional que tem ajudado a sustentar o interesse é a maior previsibilidade de custos no dia a dia: para muitos condutores, carregar em casa ou no local de trabalho pode reduzir significativamente a despesa mensal, sobretudo quando comparada com a volatilidade dos preços dos combustíveis. Em paralelo, o reforço gradual da rede de carregamento - ainda que desigual entre regiões - tem contribuído para diminuir a ansiedade de autonomia, sobretudo em viagens mais longas.

Também importa notar que uma parte relevante desta dinâmica pode estar ligada a clientes empresariais e frotas, que tendem a reagir rapidamente a campanhas e condições financeiras. Nestes casos, a disponibilidade imediata de viaturas e os pacotes de manutenção incluídos podem ter um peso tão grande quanto o preço final.

Nem todas as marcas ganharam: a queda da Tesla

Este forte crescimento do mercado alemão de elétricos não foi transversal. A Tesla, por exemplo, registou uma quebra acentuada: a marca caiu 58%, com o Model Y a recuar ainda mais, em 62%, perdendo mais de 10 mil vendas face ao primeiro semestre de 2024. Ainda assim, o Tesla Model Y mantém-se entre os dez elétricos mais vendidos na Alemanha.

Híbridos de carregamento externo também em alta

As vendas de híbridos de carregamento externo também aceleraram na Alemanha - e até com mais força do que as dos elétricos: um aumento de 56% face ao mesmo período de 2024, totalizando praticamente 139 mil unidades.

Também aqui os modelos do Grupo Volkswagen estiveram em evidência, não fosse o mercado alemão o seu “território” natural. O Volkswagen Tiguan eHybrid foi o híbrido de carregamento externo mais vendido no primeiro semestre, à frente do CUPRA Formentor, com o pódio a ser fechado pelo sueco Volvo XC60.

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