A Marinha do Brasil (MB) assinalou oficialmente o arranque da construção da quarta fragata da classe Tamandaré, a Mariz e Barros (F203), com o corte da primeira chapa de aço destinada à sua estrutura. A cerimónia decorreu no estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí, no estado de Santa Catarina, e contou com a presença do vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, director de Gestão de Programas da Marinha. Na ocasião, o responsável sublinhou que este passo simboliza, em simultâneo, o fecho do primeiro ciclo de quatro navios do programa e a maturidade produtiva alcançada pela indústria naval brasileira.
O que representa o corte de aço na classe Tamandaré
O corte de aço marca a passagem do projecto da fase de concepção para a fase de produção. É neste momento que anos de planeamento técnico, engenharia e organização logística começam, efectivamente, a ganhar forma no estaleiro. Na prática, este marco dá início à construção da Mariz e Barros (F203) e reforça a materialização de um dos programas navais mais ambiciosos da Marinha do Brasil (MB) nos últimos anos.
Além do seu valor simbólico, esta etapa tem impacto directo na cadência industrial: a partir daqui, entram em sequência actividades como fabrico de blocos, montagem estrutural, instalação de cablagens e tubagens, integração de sensores e, posteriormente, os trabalhos de acabamento e preparação para as provas no mar.
Mariz e Barros (F203): a origem do nome e a homenagem
Designada Mariz e Barros (F203), a quarta fragata presta homenagem ao tenente António Carlos de Mariz e Barros, figura associada à Guerra da Tríplice Aliança. O oficial perdeu a vida em 1866, quando comandava o couraçado Tamandaré durante o bombardeamento ao Forte de Itapirú, depois de ter sido atingido por um projéctil inimigo. A sua memória é evocada como símbolo de tradição e de compromisso histórico da Marinha com a defesa marítima do país.
Capacidades previstas e armamento das fragatas da classe Tamandaré
Com 3 500 toneladas de deslocamento, as fragatas da classe Tamandaré foram concebidas para operar num vasto leque de cenários navais e atingir uma velocidade máxima de 25 nós (cerca de 47 km/h). A configuração multipropósito permite executar missões de escolta, defesa antissuperfície, controlo de áreas marítimas e patrulha oceânica.
O armamento e sistemas anunciados incluem:
- Mísseis antinavio MANSUP (desenvolvimento nacional)
- Mísseis antiaéreos Sea Ceptor
- Canhão multipropósito Leonardo de 76 mm
- Canhões antiaéreos Rheinmetall de 30 mm
- Lançadores de torpedos SEA TLS-TT
- Sistemas de contramedidas Terma C-Guard
Reforço financeiro do programa e impacto no calendário
A evolução da F203 surge num contexto de reforço financeiro do programa. Em Novembro do ano passado, o governo brasileiro apresentou ao Congresso Nacional o Projecto de Lei n.º 32/2025, propondo a abertura de um crédito especial de 500 milhões de reais (cerca de 100 milhões de dólares) para a Empresa Gerencial de Projectos Navais (EMGEPRON). Estes recursos visam manter o ritmo de construção ao longo de 2026, assegurando o cumprimento do cronograma e a execução das fases de integração e apetrechamento das unidades.
Um aspecto frequentemente associado a programas desta dimensão é a estabilização de contratos de fornecimento e de capacidades de manutenção ao longo do ciclo de vida. Ao garantir previsibilidade orçamental, torna-se mais viável planear recursos, mão-de-obra especializada e prazos de entrega, reduzindo o risco de quebras de cadência na produção.
Estado das restantes unidades do PFCT e próximos marcos
Enquanto a Mariz e Barros (F203) inicia a sua trajectória industrial, as três primeiras fragatas do programa seguem em fases distintas:
- Tamandaré (F200): encontra-se na recta final das provas de mar, iniciadas em 2024, com entrega prevista ao componente operacional no primeiro semestre de 2026.
- Jerónimo de Albuquerque (F201): foi lançada à água em Agosto de 2025 e está actualmente em fase de integração de sistemas.
- Cunha Moreira (F202): progride na montagem após a cerimónia de colocação da quilha realizada em Junho de 2025, tendo o lançamento previsto para meados de 2026.
Com as quatro unidades em diferentes etapas de execução e apetrechamento, o PFCT mantém a cadência produtiva acordada com o consórcio Águas Azuis, apoiando a renovação da frota de superfície da Marinha do Brasil (MB).
Em paralelo, a passagem das fragatas da doca para o serviço operacional exige um ciclo exigente de validação: integração de sistemas, ensaios de porto, provas de mar e avaliação de desempenho em vários perfis de missão. Este percurso é determinante para que o navio seja entregue com os seus sistemas a operar de forma coerente e com tripulações preparadas para tirar partido das capacidades previstas.
Créditos das imagens: Marinha do Brasil.
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