Como parte do processo de integração do novo obuseiro autopropulsado CAESAR, militares do Regimento de Artilharia n.º 5 do Exército Português participaram recentemente em acções de instrução com este sistema na Roménia. Esta fase de preparação enquadra-se na implementação do programa Força Terrestre 2045, orientado para reforçar e modernizar as capacidades de combate, mobilidade e sustentação do componente terrestre nacional.
CAESAR NG no Exército Português: treino operacional no DACIAN FALL 25
A instrução decorreu no exercício multinacional DACIAN FALL 25, realizado na Roménia, onde os artilheiros portugueses foram integrados no 68.º Regimento de Artilharia de África do Exército Francês. Ao longo das actividades, os militares nacionais contactaram directamente com os procedimentos operacionais, logísticos e de sustentação associados ao CAESAR, acumulando experiência prática no seu emprego, projecção e funcionamento em cenários de combate actuais.
Esta participação representa um passo relevante para a futura adopção do CAESAR NG pelo Exército Português. O sistema deverá traduzir-se num salto significativo em mobilidade táctica, alcance e precisão, aliando uma elevada rapidez de reacção a uma maior capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Em paralelo, a sua integração contribuirá para expandir a capacidade de ataque da Artilharia e reforçar a interoperabilidade com as forças da OTAN, assegurando total alinhamento com os padrões operacionais dos países aliados.
Aquisição do CAESAR NG, calendário de entregas e enquadramento na LPM
O programa de aquisição do CAESAR NG foi anunciado oficialmente em Outubro de 2024 pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, que confirmou a compra de 36 unidades ao consórcio franco-alemão KNDS. As entregas ao Exército Português estão previstas para o período entre 2029 e 2034, com financiamento estimado em 60 milhões de euros até 2026, no âmbito da Lei de Programação Militar (LPM). A assinatura do acordo teve lugar durante o Dia do Exército Português, contando com a participação das Direcções-Gerais de Armamento de Portugal e de França.
Segundo o chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, a opção procura concentrar a artilharia num único sistema, tornando a logística mais simples e diminuindo a carga operacional. O CAESAR NG de 155/52 mm integra um sistema de carregamento automatizado, com capacidade para efectuar até seis disparos por minuto, e um alcance entre 34 e 55 km, consoante o tipo de munição. Na configuração portuguesa, está prevista a instalação em camiões 6×6 Armis, da empresa francesa Arquus, oferecendo ao Exército Português um sistema de artilharia moderno, ágil, preciso e ajustado às exigências dos teatros operacionais contemporâneos.
Integração, sustentação e preparação de guarnições
A incorporação de um sistema desta natureza implica, além do treino de tiro, a consolidação de rotinas de manutenção, abastecimento de munições, gestão de sobressalentes e procedimentos de segurança. Exercícios multinacionais como o DACIAN FALL 25 permitem validar, em ambiente realista, o funcionamento das cadeias de sustentação e a articulação entre equipas, garantindo que a prontidão operacional não depende apenas da plataforma, mas também do modo como a unidade a mantém e a emprega.
Em paralelo, a transição para o CAESAR NG requer a adaptação de doutrina e a formação progressiva das guarnições, incluindo o trabalho coordenado entre observação avançada, planeamento de fogos e execução. Esta preparação contribui para assegurar que as vantagens de mobilidade e rapidez de reacção se traduzem efectivamente em eficácia no terreno, mantendo a compatibilidade com procedimentos e exigências de interoperabilidade no quadro da OTAN.
Créditos das imagens: Exército de Portugal.
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