No âmbito de um processo continuado de reforço de meios de superfície e de cooperação internacional, a Armada do Equador está a ultimar os preparativos para receber o navio multipropósito BAE Jambelí (MP-56), doado pela República da Coreia do Sul. A entrada da unidade na área de Salinas está prevista para 3 de março de 2026, após uma travessia de cerca de 62 dias de navegação a partir da Ásia. Esta incorporação enquadra-se na estratégia nacional de robustecimento das capacidades marítimas, com enfoque no patrulhamento, no apoio logístico e no reforço da segurança em águas sob jurisdição equatoriana.
Transferência, modernização e entrega oficial pela Coreia do Sul
A transferência do Jambelí ocorreu na sequência de um processo de reparação integral em doca seca, tendo a embarcação sido entregue oficialmente à Armada do Equador em abril de 2025. Concebido como uma plataforma multifunções, o navio apresenta:
- Comprimento: 104,5 metros
- Boca: 15 metros
- Deslocamento: 3 000 toneladas
- Autonomia: até 40 dias em alto-mar
- Guarnição: 65 tripulantes
A configuração da unidade permite ainda transportar três lanchas interceptoras, operar um helicóptero médio e prestar apoio logístico a outras unidades durante operações prolongadas, aumentando a flexibilidade do dispositivo naval.
BAE Jambelí (MP-56) e o reforço da presença do Estado no mar
Entre as missões centrais do Jambelí destaca-se o reforço da presença do Estado no mar e a luta contra o narcotráfico, com particular atenção a áreas sensíveis, como as águas em torno do arquipélago das Galápagos. Na cerimónia de entrega, o ministro da Defesa Nacional, Gian Carlo Loffredo, sublinhou que “com o Jambelí, a Armada do Equador poderá continuar a desempenhar um papel de relevo na região, enfrentando de forma eficiente outros desafios da segurança marítima, como a proteção da vida marinha e a gestão das rotas comerciais”.
Segurança marítima, ZEE e combate a atividades ilícitas
Pela capacidade de permanecer longos períodos no mar sem reabastecimento, o navio afirma-se como um ativo relevante para a proteção da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e para o controlo de atividades ilegais, nomeadamente:
- Pesca ilegal
- Tráfico de substâncias proibidas
- Outras ações ilícitas em águas jurisdicionais
Esta autonomia operacional contribui para alargar a persistência do patrulhamento e sustentar operações contínuas em zonas afastadas do litoral.
Assistência humanitária e resposta a emergências
Para além das tarefas de segurança, a unidade poderá cumprir missões de assistência humanitária e de resposta a emergências, funcionando como plataforma de apoio em operações de salvamento, busca e resgate ou em cenários de catástrofes naturais. A versatilidade do navio permite apoiar coordenação no teatro de operações, evacuações e a sustentação logística de equipas destacadas.
Integração operacional e cooperação internacional
A chegada do BAE Jambelí (MP-56) implicará um esforço de integração operacional, incluindo procedimentos de operação aérea com helicóptero, emprego coordenado de lanchas interceptoras e rotinas de apoio logístico a outras unidades. Este tipo de navio também tende a facilitar ações combinadas e a interoperabilidade em exercícios e patrulhas com parceiros regionais, reforçando padrões comuns de vigilância marítima e resposta a incidentes.
Complemento com o novo navio multipropósito Fassmer MPV70 MKII (ASTINAVE)
Importa ainda referir que esta incorporação se soma ao projeto de construção do novo navio multipropósito Fassmer MPV70 MKII, atualmente em desenvolvimento no estaleiro estatal ASTINAVE. Esta futura unidade contará com:
- Comprimento: 80 metros
- Boca: 15 metros
- Armamento principal: canhão de 76 mm
Quando entrar ao serviço, o Fassmer MPV70 MKII deverá complementar as capacidades do Jambelí, consolidando o avanço da Armada do Equador rumo a uma frota mais moderna, eficiente e alinhada com os desafios atuais de segurança marítima e soberania nacional.
Créditos das imagens: Ministério da Defesa – Armada do Equador.
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