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Paquistão propõe a venda de caças JF-17 Thunder à Força Aérea da Arábia Saudita para abater dívida e aprofundar cooperação em defesa

Dois militares apertam as mãos com um caça e uma maquete de avião ao fundo num aeroporto.

Num movimento que poderá marcar mais um degrau no reforço dos laços de defesa após a assinatura de um pacto de defesa mútua, o Paquistão terá colocado em cima da mesa a possibilidade de vender caças JF-17 Thunder à Força Aérea da Arábia Saudita. O objectivo seria duplo: consolidar a cooperação militar com Riade e, ao mesmo tempo, aliviar a pressão da dívida externa paquistanesa através de um acordo de vários milhares de milhões de dólares que funcione como compensação por diferentes investimentos sauditas no país.

A informação foi avançada pela Reuters, que indica que os governos de Islamabad e Riade já estariam em conversações para avaliar este cenário. A oportunidade, segundo a mesma fonte, assentaria num contexto de dificuldades financeiras do Paquistão e na necessidade saudita de reajustar alianças e opções de modernização da sua frota.

Conversações sobre “dívida por caças JF-17” e valores em análise

De acordo com fontes consultadas pela Reuters, Islamabad estará a explorar um modelo de troca em que parte da dívida seria convertida em aquisição de novos JF-17 Thunder, embora o montante final permaneça incerto caso o entendimento avance.

Uma das respostas recolhidas junto de fontes militares apontou para um acordo na ordem dos 4 mil milhões de dólares, acompanhado por mais 2 mil milhões de dólares destinados à compra de armamento e outros equipamentos. Um pacote deste tipo reduziria substancialmente a pressão sobre as finanças paquistanesas, sobretudo tendo em conta que o Paquistão mantém uma dívida de cerca de 6 mil milhões de dólares com a Arábia Saudita desde 2018.

JF-17 Thunder (caça sino-paquistanês): interesse externo e argumentos de venda

As especulações ganham força quando se juntam declarações de Aamir Masood, marechal do ar reformado, que afirmou que o Paquistão já manteve contactos com até seis países para integrar o caça de concepção sino-paquistanesa nas respectivas forças aéreas - incluindo a própria Arábia Saudita.

Masood acrescentou que o JF-17 Thunder tem sido valorizado nas conversações por duas razões principais: trata-se de uma plataforma testada em combate e considerada rentável de operar, factores relevantes para países que procuram modernizar capacidades sem assumir custos de ciclo de vida demasiado elevados.

F-35 vs. JF-17 e a frota actual saudita: opções para substituir o Tornado IDS

O custo e a sustentabilidade operacional ganham especial importância num momento em que Riade também tem em aberto a oferta dos Estados Unidos para adquirir caças furtivos F-35 da Lockheed Martin. Apesar de serem aeronaves com capacidades superiores, o seu preço de aquisição e manutenção tende a ser significativamente mais elevado, com valores referidos em torno de 100 milhões de dólares por unidade.

Sem confirmação sobre o rumo que a Força Aérea saudita irá adoptar, importa recordar que o inventário do país é hoje dominado por modelos ocidentais, incluindo F-15SA, F-15E, Eurofighter Typhoon e Tornado IDS. Entre estes, o Tornado IDS é apontado como um dos candidatos naturais à substituição, com o objectivo de manter um leque de alternativas modernas e com elevada capacidade.

Outras campanhas de exportação do JF-17: Líbia e Bangladexe, e impacto na dívida ao FMI

Esta potencial venda à Arábia Saudita não seria o único caso recente em que o Paquistão procura impulsionar exportações do JF-17 Thunder. O exemplo mais recente referido é o de um acordo que teria sido concretizado com o Exército Nacional da Líbia por cerca de 4 mil milhões de dólares, apesar de existirem sanções das Nações Unidas que, em princípio, deveriam impedir transferências de armamento para o país.

Em paralelo, o aparelho estará também a tentar assegurar uma posição no processo de renovação em curso na Força Aérea do Bangladexe. Se o programa se traduzir em valores semelhantes, Islamabad poderia ganhar margem adicional para avançar com pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a quem deve cerca de 7 mil milhões de dólares no âmbito do seu 14.º programa.

O que está em jogo para Islamabad e Riade

Para o Paquistão, um acordo desta dimensão representaria uma via prática para aliviar compromissos financeiros, proteger reservas e manter capacidade de investimento em defesa sem agravar a dívida externa. Para a Arábia Saudita, a discussão abre espaço a uma alternativa potencialmente mais acessível para reforçar a frota e acelerar substituições, sobretudo se o país pretender equilibrar aquisições de topo com opções de custo-operacional controlado.

Ao mesmo tempo, a eventual concretização reforçaria a interdependência estratégica entre os dois Estados, combinando financiamento, indústria e cooperação militar num só pacote - um formato que tende a ganhar peso quando as decisões de defesa se cruzam com necessidades económicas e reposicionamento geopolítico.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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