O Governo dos Estados Unidos autorizou uma potencial venda ao Peru de serviços de conceção, equipamento e construção de infraestruturas marítimas e terrestres para a Base Naval do Callao, incluindo componentes associados de logística e apoio ao projecto. A informação consta de uma das notificações mais recentes do Departamento de Estado ao Congresso dos EUA, no âmbito do Programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), com um valor estimado de 1,5 mil milhões de dólares (US$ 1,5 mil milhões).
A Agência de Cooperação em Defesa e Segurança (DSCA) enviou ao Congresso norte-americano a certificação exigida, formalizando a comunicação desta potencial operação. De acordo com a nota divulgada, o Peru solicitou bens e, sobretudo, serviços destinados a sustentar a aquisição e a modernização da infra-estrutura naval no principal complexo marítimo do país.
Base Naval do Callao: serviços, engenharia e apoio no âmbito do FMS
Entre os itens incluídos - classificados como não Major Defense Equipment - estão actividades e entregáveis que cobrem todo o ciclo de vida das instalações, nomeadamente:
- Concepção e planeamento do ciclo de vida das infra-estruturas;
- Construção e execução de obras;
- Gestão de projecto e gestão de empreitadas;
- Estudos técnicos e serviços de engenharia;
- Apoio técnico especializado;
- Avaliações de infra-estruturas, inspecções e levantamentos;
- Planeamento, calendarização e programação;
- Administração contratual;
- Serviços de apoio técnico, logístico e de engenharia prestados pelo Governo dos EUA e por contratantes.
O montante final poderá variar em função dos requisitos definitivos e dos acordos que venham a ser celebrados entre as partes.
Do lado norte-americano, foi indicado que esta potencial venda apoia objectivos de política externa dos Estados Unidos ao reforçar a segurança de um parceiro considerado relevante para a estabilidade política, a paz e o desenvolvimento económico na América do Sul. Foi igualmente sublinhado que o projecto deverá modernizar a infra-estrutura portuária peruana para responder às necessidades actuais e futuras de operações navais e logísticas, além de contribuir para reduzir a sobreposição entre actividades civis e militares nas instalações existentes.
Segundo a notificação oficial, a execução do projecto implicará a afectação de até 20 representantes do Governo dos EUA e/ou de empresas contratadas norte-americanas, por um período de até dez anos, com a missão de assegurar supervisão e gestão da construção. Também foi referido que a operação não prejudica a prontidão defensiva dos EUA nem altera o equilíbrio militar regional.
Um aspecto frequentemente determinante em projectos desta natureza - ainda que nem sempre detalhado nas notificações iniciais - é a necessidade de compatibilizar as obras com a actividade diária do porto e com requisitos de segurança, acessos e continuidade operacional. Em infra-estruturas navais, isso traduz-se, por norma, em fases de obra cuidadosamente sequenciadas, medidas de mitigação de riscos e coordenação permanente entre autoridades militares, operadores portuários e equipas técnicas.
Também é expectável que uma modernização desta escala exija a harmonização de normas de engenharia, segurança e manutenção, o que tende a facilitar a interoperabilidade e a padronização de procedimentos de apoio logístico. Na prática, isso pode traduzir-se em processos mais eficientes de sustentação, inspecção e gestão de activos ao longo do tempo, reduzindo constrangimentos de capacidade e melhorando a disponibilidade das infra-estruturas.
Modernização naval e industrial no Callao
Esta potencial injecção de investimento norte-americano enquadra-se num ciclo mais amplo de reforço das capacidades militares peruanas, com particular enfoque no domínio naval. Nesse contexto, o Peru assinou recentemente um contrato de co-desenvolvimento de submarinos entre os Servicios Industriales de la Marina (SIMA Perú) e a Hyundai Heavy Industries (HHI), da Coreia do Sul.
O acordo, celebrado na Base Naval do Callao, prevê a construção de submarinos em território peruano, com transferência de tecnologia e uma participação crescente da indústria nacional ao longo do programa.
De acordo com informação oficial, a iniciativa procura reforçar a soberania marítima e consolidar um ecossistema industrial ligado ao sector naval, mobilizando engenheiros, técnicos, universidades e fornecedores locais.
Evolução na Força Aérea e no Exército
Em paralelo, o Congresso do Peru aprovou a segunda tranche de financiamento destinada à compra de 24 caças multiusos para a Força Aérea do Peru (FAP), ao abrigo da Lei de Endividamento do Sector Público para o exercício orçamental de 2026. O orçamento atribuído ao Ministério da Defesa ascende a cerca de 2,35 mil milhões de dólares, permitindo avançar num dos principais programas de reequipamento militar iniciados em 2024.
O processo de selecção está na fase final e inclui três alternativas: Rafale F4 (Dassault Aviation), F-16 Block 70 (Lockheed Martin) e Gripen E/F (Saab). Em Setembro, o Departamento de Estado dos EUA aprovou uma potencial venda de 12 F-16 Block 70 no modelo FMS, avaliada em 3,42 mil milhões de dólares.
Por sua vez, o Exército do Peru confirmou a compra de três sistemas de artilharia de foguetes múltiplos PULS, desenvolvidos pela Elbit Systems (Israel), por um valor próximo de 60 milhões de dólares, bem como a assinatura de um acordo-quadro com a Hyundai Rotem (Coreia do Sul) para uma futura incorporação de carros de combate K2 Black Panther e viaturas blindadas 8×8 K808 White Tiger.
No seu conjunto, estes movimentos evidenciam uma estratégia integrada de modernização das Forças Armadas peruanas, na qual a potencial venda aprovada pelos EUA para a Base Naval do Callao se destaca como um dos anúncios de infra-estruturas mais relevantes até ao momento.
Imagens meramente ilustrativas.
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