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Reino Unido e Noruega aprofundam cooperação militar para reforçar o flanco norte da OTAN no Ártico norueguês

Dois soldados em roupa de camuflagem branca operam drone no gelo com veículos militares e helicópteros ao fundo.

O Reino Unido e a Noruega abriram uma nova fase de cooperação militar orientada para fortalecer a defesa do flanco norte da OTAN, com especial atenção ao Ártico norueguês. Um acordo bilateral recente passa a permitir que a UK Commando Force, liderada pelos Royal Marines, opere de forma permanente na Noruega ao longo de todo o ano, alargando o modelo que até aqui assentava em destacamentos anuais sobretudo no período de Inverno.

Acordo de Lunna House: presença permanente e prontidão para combate em condições extremas

Este entendimento, designado acordo de Lunna House, reafirma o compromisso britânico com a defesa de um dos seus aliados mais próximos na Aliança Atlântica e sublinha a necessidade de manter forças prontas para eventuais cenários de combate num dos ambientes mais exigentes do planeta. Neste contexto, os Royal Marines consolidam-se como especialistas do Reino Unido em operações em clima extremo, guerra de montanha e frio intenso - competências que vêm desenvolvendo na região há mais de cinco décadas.

A permanência ao longo do ano também procura reduzir lacunas de prontidão associadas à sazonalidade: treinar, pré-posicionar meios e manter rotinas operacionais em dias curtos, visibilidade limitada e meteorologia instável é visto como essencial para operar com eficácia no Alto Norte.

UK Commando Force e Royal Marines no norte da Noruega: Camp Viking e o dispositivo no terreno

No plano operacional, a UK Commando Force estabeleceu em 2023 um centro de operações chamado Camp Viking, situado em Øverbygd, a cerca de 65 km a sul de Tromsø. No destacamento atual, o Reino Unido irá enviar aproximadamente 1.500 militares, acompanhados por veículos todo-o-terreno e helicópteros da Commando Helicopter Force, com atividade ao longo das zonas costeiras e das áreas montanhosas do norte da Noruega.

A natureza do teatro - fiordes, terreno montanhoso e condições meteorológicas severas - exige logística robusta, comunicações resilientes e planeamento detalhado de evacuação médica e apoio de manutenção. A presença mais continuada facilita ainda a familiarização com rotas, infraestruturas locais e procedimentos de coordenação com forças norueguesas.

Exercício Cold Response 2026: dissuasão e coesão aliada no Alto Norte

Estas forças irão participar no Exercício Cold Response, considerado o maior exercício militar realizado na Noruega e previsto para 2026. O objetivo é demonstrar a coesão da OTAN e a sua capacidade de dissuasão no Alto Norte, envolvendo operações conjuntas com forças norueguesas e com fuzileiros navais dos Países Baixos, num ambiente marcado por frio extremo, relevo exigente e forte variabilidade operacional entre costa e montanha.

Declarações operacionais: foco em ensaios de missão, inteligência e tecnologia

O tenente-coronel Chris Armstrong, comandante do 30 Commando Information Exploitation Group, afirmou: “A Força de Comandos do Reino Unido está a intensificar a sua preparação para combater ao lado dos nossos aliados no Alto Norte.” Na mesma linha, acrescentou: “Como especialistas da OTAN em climas frios, concentramo-nos de forma implacável nos ensaios de missões com os nossos parceiros mais próximos”, concluindo que, ao combinar inteligência, táticas de comando e tecnologia avançada, as forças britânicas se mantêm prontas para operações futuras.

Investimento e interoperabilidade: fragatas Tipo 26, sistemas não tripulados e guerra submarina

No âmbito desta cooperação alargada, ambos os países avançam no reforço de capacidades militares conjuntas, incluindo investimento em armamento e programas ligados a sistemas não tripulados de caça a minas e guerra submarina, veículos autónomos para patrulhamento subaquático e uma futura frota interoperável de fragatas Tipo 26. Este último ponto liga-se diretamente à decisão norueguesa, anunciada em setembro de 2025, de se tornar o primeiro país a adquirir estas fragatas desenvolvidas no Reino Unido, que começarão a entrar ao serviço da Marinha norueguesa a partir de 2030.

Modernização da UK Commando Force: IA, fogos multidomínio e USVs

A modernização da UK Commando Force decorre há seis anos e inclui o desenvolvimento de sistemas de pontaria apoiados por inteligência artificial, fogos multidomínio e veículos de superfície não tripulados (USVs), a par do reforço de alianças estratégicas no seio da OTAN. Segundo fontes britânicas, a implementação plena dos planos associados ao acordo de Lunna House pretende conferir à Aliança uma vantagem qualitativa no Ártico.

Commando Helicopter Force e Operation Clockwork: Bardufoss como eixo de treino no frio extremo

Em paralelo, a Commando Helicopter Force, baseada em Yeovilton, desloca os seus meios para a base da Real Força Aérea Norueguesa em Bardufoss no quadro da Operation Clockwork. Aí operam helicópteros Commando Wildcat e Merlin, realizando o treino anual em condições de frio extremo. Esta base aérea fica a cerca de 32 km a oeste de Camp Viking - uma distância que pode exigir mais de uma hora por estrada, mas apenas alguns minutos de voo.

Uma tendência contínua desde 2022: treino de Inverno e compromisso com a segurança regional

O reforço da presença britânica na Noruega enquadra-se numa trajetória sustentada. Em fevereiro de 2022, o portal UKDJ noticiava que os Royal Marines estavam destacados no Ártico para se prepararem para exercícios relevantes com aliados da OTAN. Nessa altura, o Ministério da Defesa do Reino Unido referia que “a cada inverno, a próxima geração de Royal Marines segue para norte para treinar sobrevivência, deslocação e combate nas escarpadas costas e nas montanhas implacáveis do norte da Noruega”, sublinhando o empenho britânico na segurança da região.

Cooperação Londres–Oslo e postura da OTAN no Ártico europeu

Desta forma, os acordos bilaterais entre Londres e Oslo consolidam uma cooperação militar de longo prazo que combina presença permanente, interoperabilidade naval e treino conjunto, reforçando a postura defensiva da OTAN no Ártico europeu.

Imagens obtidas junto do Ministério da Defesa do Reino Unido.

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