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XPeng G6 foi renovado para 2026. Tudo o que mudou

Carro elétrico XPeng G6 verde exposto em showroom moderno com carregador elétrico ao fundo.

XPeng G6 2026: evolução discreta por fora, grandes mudanças por dentro

A XPeng convidou-nos a conhecer a atualização mais recente dos seus SUV de referência, o G6 e o G9. Depois de algum tempo no mercado europeu - e de já os termos experimentado na Razão Automóvel - a marca chinesa volta a provar que, mesmo num produto já competitivo, ainda há margem para afinar detalhes e subir a fasquia.

Apesar de esta apresentação abranger também o G9, é no XPeng G6 2026 que se concentram as alterações mais visíveis e, sobretudo, mais relevantes do ponto de vista técnico.

Design exterior: pequenas alterações com impacto

À primeira vista, o XPeng G6 2026 parece praticamente igual, mas a atualização traz mudanças claras no acabamento exterior. Um dos sinais mais imediatos é a pintura das cavas das rodas, que passam a estar totalmente na mesma cor da carroçaria, elevando a perceção de qualidade e dando um aspeto mais limpo ao conjunto.

Na frente, há também uma reorganização dos elementos: o “X”, que funciona como logótipo da marca, subiu para o capô, libertando espaço para uma nova barra horizontal em LED a toda a largura da carroçaria, reforçando a assinatura luminosa.

Na traseira, surge um novo spoiler tipo “cauda de pato” colocado entre os grupos óticos e o óculo traseiro. Para além de modernizar o visual, a XPeng aponta benefícios aerodinâmicos, o que ajuda a melhorar a eficiência do SUV.

Carregar depressa e com mais eficiência (XPeng G6 2026)

O G6 mantém a arquitetura elétrica de 800 V, mas passa a recorrer a carboneto de silício (SiC) em vez de silício (Si). Esta tecnologia, aplicada em inversores, conversores e carregadores, permite reduzir perdas e melhorar a eficiência energética.

Ainda assim, o dado que mais se destaca é o salto na potência de carregamento em corrente contínua (DC): passa de 280 kW para uns impressionantes 451 kW, estabelecendo uma nova referência no segmento.

Baterias: mais LFP, menos capacidade na versão maior

As baterias também foram revistas, com alterações distintas consoante a versão:

  • Na versão Autonomia Standard, a bateria de iões de lítio com química LFP (fosfato de ferro-lítio) cresce de 66 kWh para 68,5 kWh.
  • Nas versões Autonomia Alargada e Tração Integral Performance, a bateria maior troca a química NMC (níquel, manganês e cobalto) por LFP, mas com perda de capacidade: de 87,5 kWh passa para 80,8 kWh brutos.

Autonomia: descidas esperadas nas versões de maior alcance

Com menos capacidade na bateria grande, não surpreende que a autonomia tenha baixado:

  • O Autonomia Alargada de tração traseira anuncia agora 535 km (WLTP combinado), quando antes declarava 570 km.
  • O Tração Integral Performance (a versão mais potente, que tivemos oportunidade de conduzir) desce para 510 km, face aos 530 km anteriores.

Mais potência nas duas versões superiores

Além das alterações energéticas, há também reforço de potência:

  • Autonomia Alargada: passa a 218 kW (296 cv), um ganho de 10 cv.
  • Tração Integral Performance: sobe 11 cv, chegando aos 358 kW (487 cv).

Habitáculo: mais ecrã, mais refinamento, mesmas escolhas de ergonomia

No interior, a evolução existe, mas sem uma revolução no desenho. O ecrã central tátil aumenta para 15,6″, enquanto o volante passa a ser mais compacto, contribuindo para uma sensação de condução mais atual.

Grande parte das funções continua concentrada no ecrã central, o que implica uma fase de adaptação. Além disso, várias definições ficam bloqueadas com o carro em movimento, obrigando a ajustes com o veículo parado. Por outro lado, o painel de instrumentos é personalizável e, após algumas utilizações a procurar menus e atalhos, a interação torna-se mais intuitiva.

Nos detalhes, destacam-se as duas plataformas de carregamento sem fios, que passam a incluir saídas de refrigeração, ajudando a evitar aquecimento excessivo do telemóvel durante a carga.

A marca garante que os materiais a bordo foram melhorados e não falta iluminação ambiente, algo que se nota rapidamente em vários componentes. Ainda assim, tal como já acontecia, continuam a existir alguns materiais que destoam e quebram a consistência do conjunto.

Espaço e conforto: continua a ser um ponto forte

Em termos de habitabilidade, não há reparos a fazer: o espaço nos lugares dianteiros, traseiros e na bagageira é muito generoso, acompanhando bem o conforto e a boa insonorização percebida a bordo.

Posicionamento no mercado: rival direto do Tesla Model Y

O XPeng G6 é a principal aposta da marca para Portugal, posicionando-se frente a frente com o Tesla Model Y. E, quando comparado com vários concorrentes, o G6 continua a ser um exemplo sólido de como alguns fabricantes chineses já conseguem alterar a forma como olhamos para os seus produtos - pela tecnologia, pelo desempenho e pelo nível de equipamento.

Nota adicional: o que esta evolução pode significar no dia a dia em Portugal

Com 800 V e uma fasquia tão elevada de carregamento em DC, o G6 2026 fica teoricamente mais bem preparado para viagens longas, desde que encontre postos compatíveis com potências elevadas. Na prática, a vantagem tende a sentir-se sobretudo na rapidez com que recupera autonomia em paragens curtas, quando a infraestrutura e as condições da bateria (temperatura e nível de carga) permitem.

Também a escolha por baterias LFP nas versões de maior capacidade pode interessar a quem valoriza características como robustez e estabilidade térmica, ainda que a contrapartida, aqui, surja sob a forma de uma redução de capacidade e, por consequência, de autonomia face ao que o G6 oferecia antes.

Resumo das principais alterações (valores declarados)

Versão Bateria (química) Capacidade (antes → agora) Autonomia WLTP (antes → agora) Potência (antes → agora) Carregamento DC (antes → agora)
Autonomia Standard LFP 66 kWh → 68,5 kWh - - 280 kW → 451 kW
Autonomia Alargada (tração traseira) NMC → LFP 87,5 kWh → 80,8 kWh (brutos) 570 km → 535 km +10 cv → 218 kW (296 cv) 280 kW → 451 kW
Tração Integral Performance NMC → LFP 87,5 kWh → 80,8 kWh (brutos) 530 km → 510 km +11 cv → 358 kW (487 cv) 280 kW → 451 kW

Quando chega a Portugal

A chegada do XPeng G6 2026 ao mercado nacional está apontada para o primeiro trimestre de 2026. Para já, a marca ainda não avança com uma previsão de preços, um tema que deverá ficar fechado apenas mais perto da data de lançamento.

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