No final de janeiro, a Força Aérea dos Estados Unidos anunciou a realização de um ensaio do novo míssil ERAM, destinado a equipar a frota de caças F-16 operada pela Força Aérea Ucraniana. O teste, conduzido no Eglin Test and Training Range, foi apresentado como um marco alcançado em menos de 16 meses após a adjudicação inicial do contrato do programa. Segundo o ramo, a prova foi concluída com sucesso em todos os parâmetros avaliados, incluindo a detonação completa da ogiva, gerando um conjunto relevante de dados para apoiar o desenvolvimento da arma.
Teste conjunto no Eglin Test and Training Range (míssil ERAM para os F-16)
De acordo com os detalhes divulgados, as avaliações decorreram a 26 de janeiro num evento conjunto que reuniu equipas da Armament Directorate do Air Force Life Cycle Management Center, a 96th Test Wing e parceiros industriais envolvidos no projecto. Em paralelo, um grupo de engenheiros e técnicos a operar a partir do Central Control Center de Eglin assumiu o planeamento da missão e, posteriormente, a análise da informação recolhida durante o disparo.
A propósito deste ensaio, o Brigadeiro-General Robert Lyons III, responsável como Program Executive Officer for Weapons Acquisition, afirmou: “Passar do contrato para uma demonstração de fogo real em menos de dois anos mostra que conseguimos entregar uma capacidade letal e económica à velocidade da relevância. É assim que reconstruímos as nossas forças armadas-capacitando as nossas equipas e parceiros industriais para reduzir a burocracia e fornecer as ferramentas de que os nossos combatentes precisam para vencer.”
O que se sabe sobre o míssil ERAM
Importa recordar que a arma agora testada corresponde a um novo míssil de cruzeiro lançado do ar, concebido com uma abordagem orientada para a produção em grande escala e para a contenção de custos, permitindo aumentar rapidamente os inventários. Embora o comunicado oficial não tenha avançado especificações adicionais sobre este ensaio, informações previamente divulgadas apontam para um alcance mínimo de cerca de 402 km (aproximadamente 250 milhas) e para a capacidade de operar mesmo em cenários onde estejam presentes sistemas de interferência electrónica.
Integração operacional e emprego pelos pilotos ucranianos
A introdução de um míssil de cruzeiro lançado do ar numa frota de F-16 implica, tipicamente, trabalho de integração entre a aeronave, o software de missão e os procedimentos de emprego, para assegurar que a arma pode ser planeada, lançada e monitorizada de forma segura e eficaz. Em termos práticos, isso traduz-se na preparação de perfis de missão, verificação de compatibilidades e validação do comportamento da arma em condições representativas.
Além disso, a disponibilidade de um vector com estas características tende a influenciar a forma como se estruturam as operações: desde a selecção de alvos e a gestão de risco para as tripulações, até à necessidade de coordenação com outros meios (por exemplo, recolha de informações e avaliação de danos). A promessa de funcionamento em ambientes com interferência electrónica também sugere uma prioridade em manter a eficácia em contextos contestados.
Acordo: 3.350 mísseis e sistemas de navegação
Quanto ao enquadramento do acordo que permitirá aos pilotos ucranianos empregar os novos mísseis ERAM em combate, foi referido um pacote que contempla 3.350 mísseis por cerca de 825 milhões de dólares (US$), sendo que uma parte seria financiada com apoio de aliados de Kyiv. Com a autorização do Departamento de Estado dos EUA em vigor desde agosto, o pacote inclui ainda um número idêntico de sistemas GPS e INS, bem como módulos SAASM (Selective Availability Anti-Spoofing Modules), além de diversos itens associados necessários para o seu emprego.
Créditos de imagem: Força Aérea dos Estados Unidos – Força Aérea Ucraniana
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