O BEN é um quadriciclo elétrico concebido em Portugal pelo CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, em Matosinhos -, mas a sua fabricação em série não acontecerá em território nacional.
Em vez disso, a industrialização do modelo vai avançar em Itália, no núcleo industrial de Turim, cidade historicamente ligada à FIAT. O CEiiA comunicou a assinatura de um memorando de entendimento com a Micro e com a Automotive Micro Factory Italy (AMFI) para produzir o BEN nas instalações onde, atualmente, é montado o Microlino, da Micro Mobility Solutions (MMS).
De acordo com o memorando, os dois microcarros posicionam-se como ofertas complementares: o Microlino está orientado para o condutor particular, enquanto o BEN foi desenhado para responder às necessidades do mundo empresarial. Em conjunto, a parceria defende que ambos “cobrem todo o espectro da micro-mobilidade urbana”.
Em comunicado, é referido que a cooperação pretende procurar sinergias entre dois microveículos elétricos europeus - com perfis distintos, mas compatíveis - ao nível de tecnologia, produção industrial e desenvolvimento de mercado.
A escolha da AMFI como unidade de produção foi sustentada, sobretudo, pela sua infraestrutura descrita como “escalável e flexível”, considerada adequada para suportar a produção em série do BEN. Michelangelo Liguori, diretor-geral da AMFI, enquadrou a ambição da empresa: tornar-se um polo industrial de referência na Europa para o setor dos microveículos elétricos, afirmando que esta parceria com o CEiiA representa, nas suas palavras, “um passo concreto nessa direção”.
No âmbito do acordo, a AMFI e o CEiiA vão trabalhar lado a lado na definição da cadeia de fornecimento, na afinação dos processos produtivos e na implementação dos padrões de qualidade exigidos para a produção em série do modelo português.
Engenharia portuguesa, fábrica italiana
Para Helena Silva, diretora técnica do CEiiA, produzir em Itália não resulta de uma escolha “estratégica” no sentido tradicional; antes, esta colaboração assinala uma nova etapa do projeto BEN e reforça um modelo de industrialização colaborativa à escala europeia, segundo declarou em comunicado.
O entendimento inclui ainda frentes de trabalho conjuntas em financiamento europeu, partilha de tecnologias (incluindo cadeias cinemáticas) e iniciativas coordenadas para acelerar o desenvolvimento de mercados internacionais.
Do lado português, o CEiiA acrescenta à parceria a tecnologia AYR, vencedora do prémio New European Bauhaus em 2021 e integrada na rede Impact on Climate da Google. Esta solução é descrita como um instrumento que “permite medir, monitorizar e valorizar as emissões de dióxido de carbono evitadas na mobilidade sustentável”.
Um aspeto particularmente relevante para frotas empresariais é a capacidade de transformar dados operacionais em métricas ambientais comparáveis: ao quantificar emissões evitadas, torna-se mais simples integrar o impacto do BEN em relatórios internos, critérios ESG e objetivos de descarbonização associados à mobilidade urbana.
Em paralelo, a opção por uma base industrial em Turim poderá facilitar o acesso a um ecossistema automóvel maduro - fornecedores, competências e processos - o que, em projetos de micro-mobilidade urbana, tende a ser determinante para garantir consistência de qualidade, escalabilidade e capacidade de resposta a diferentes mercados.
BEN: quadriciclo elétrico modular para clientes empresariais
O BEN é apresentado como um microcarro elétrico de arquitetura modular, pensado especificamente para clientes empresariais, e assenta em duas plataformas complementares.
A primeira plataforma, chamada SPIRIT, é a componente digital do conceito: permite identificação do utilizador, disponibiliza chave digital partilhada, suporta configuração ajustada ao serviço e inclui monitorização em tempo real das emissões de carbono.
A segunda plataforma, designada BODY, corresponde à componente física e também modular. O BEN mede 2,5 m de comprimento - tal como o primeiro Smart - e oferece um habitáculo reconfigurável com até três lugares, além de uma capacidade de carga variável entre 100 litros e 400 litros. Esta versatilidade abre espaço a diferentes utilizações, como transporte de passageiros e pequenas entregas; o CEiiA acrescenta ainda que o modelo já está preparado para, no futuro, acomodar condução autónoma. Para já, não foram comunicadas mais especificações técnicas.
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