O protótipo do submarino da Armada de Taiwan, designado Hai Kun (Narval), largou na quinta-feira do porto de Kaohsiung para iniciar aquilo que deverão ser as suas primeiras provas de imersão - um marco decisivo num programa que vem a acumular atrasos desde as fases iniciais.
A saída do submarino ocorreu por volta das 10:00 (hora local). O arranque desta etapa tinha sido comunicado oficialmente pela CSBC Corp., principal contratante do programa, num comunicado divulgado no dia anterior. A partida do Hai Kun foi acompanhada por vários observadores civis, reunidos na zona portuária.
Provas de imersão do submarino Hai Kun: um passo crítico após meses de demoras
A passagem para ensaios com submersão é uma fase indispensável dentro do ciclo de provas no mar. Numa calendarização anterior, estava previsto que o Hai Kun concluísse os ensaios marítimos antes de novembro de 2025. Contudo, esse plano acabou revisto, devido à necessidade de executar ajustes finais antes das avaliações em ambiente submerso, o que atrasou o ritmo do programa.
A conclusão bem-sucedida das provas no mar é determinante para o futuro do projecto, porque abriria caminho à libertação de uma tranche de NT$ 1.000 milhões destinada à construção de mais sete submarinos. Esse montante tinha sido congelado pela Legislatura de Taiwan no ano passado, precisamente por causa dos atrasos acumulados.
Para além da componente técnica, esta etapa exige coordenação apertada entre equipas de estaleiro, tripulação e entidades de certificação: antes de se avançar para mergulhos prolongados, é habitual validar procedimentos de emergência, comunicações e cadeias de decisão, de forma a reduzir riscos operacionais quando o navio opera em profundidade.
Ensaios anteriores e expectativas que ficaram por cumprir
Em janeiro, mais exactamente a 26 de janeiro, o Hai Kun (SS-711) realizou a sua sexta prova no mar, após uma sequência de avaliações à superfície em águas próximas de Kaohsiung. Esse ensaio concentrou-se na validação de sistemas essenciais, incluindo o sonar, o sistema de propulsão e o registo submarino.
Na altura, chegou a circular a hipótese de o submarino efectuar a sua primeira imersão, o que acabou por não acontecer. Ainda assim, vários meios locais apontaram que a entrega da unidade à Armada de Taiwan poderá vir a concretizar-se no próximo mês de junho.
Preparação técnica antes de cada imersão
A CSBC explicou que, antes de qualquer descida, o submarino tem de cumprir um conjunto de procedimentos destinados a assegurar uma operação segura em profundidade durante períodos prolongados. Segundo a empresa, esses procedimentos distribuem-se por quatro etapas principais:
- Planeamento da carga
- Inspecção da carga
- Verificação de sistemas
- Simulacros práticos
O planeamento da carga inclui a definição das necessidades de combustível, pessoal, água potável, alimentos, ar pressurizado, armamento, munições e equipamento de salvamento e de controlo de avarias, de acordo com a duração e as condições da missão. Em seguida, é calculado o peso total e a sua distribuição, para garantir a estabilidade do submarino e evitar perda de controlo ou inclinações perigosas.
Em programas deste tipo, a disciplina de pesos e centragem é especialmente crítica: pequenas variações na distribuição de consumíveis, munições ou equipamentos podem afectar o trim e a manobrabilidade, razão pela qual as verificações e os simulacros tendem a ser repetidos até existir confiança total nos procedimentos.
Antecedentes do programa
O plano inicial do programa Hai Kun apontava para o início das provas no mar em abril do ano passado, com entrega prevista para o final de novembro. No entanto, o primeiro ensaio acabou adiado para 17 de junho, acumulando-se atrasos por diferentes factores de natureza técnica e operacional.
Depois de concluir a quinta prova à superfície em 28 de novembro, a CSBC anunciou que o submarino entrava na fase de testes submersíveis, embora até agora não se tivesse concretizado a primeira imersão efectiva.
Durante novembro, o Instituto Chung-Shan de Ciência e Tecnologia (NCSIST) e fontes da Armada confirmaram a realização de novos testes de navegação, calibração de sistemas e avaliações de estabilidade. Estas actividades incluíram manobras de viragem, controlo direccional e verificações do desempenho dos motores diesel-eléctricos. De acordo com autoridades citadas por meios locais, o protótipo continuava a “cumprir o calendário previsto”, apesar dos atrasos acumulados.
Custos do Hai Kun e comparações internacionais
Em resposta às críticas recorrentes sobre o custo e o ritmo do programa, a CSBC salientou que passaram quase quatro anos desde o assentamento da quilha do Hai Kun, em novembro de 2021 - um prazo que, segundo a empresa, é mais curto do que o observado noutros projectos comparáveis. Como exemplos, referiu os submarinos Upholder-class do Reino Unido, com 6,5 anos de construção, e os KSS-II-class da Coreia do Sul, com cinco anos.
A empresa indicou ainda que o custo do Hai Kun é de NT$ 37.900 milhões, excluindo torpedos e instalações de armazenamento, valor que considera moderado face a programas estrangeiros (a câmbios actuais), como:
| Programa | País | Custo indicado |
|---|---|---|
| Hai Kun | Taiwan | NT$ 37.900 milhões (sem torpedos e sem armazenamento) |
| Jang Bogo-class | Coreia do Sul | NT$ 78.400 milhões |
| Type 214 | Alemanha | NT$ 95.900 milhões |
| Upholder-class | Reino Unido | 6,5 anos (tempo de construção) |
| KSS-II-class | Coreia do Sul | 5 anos (tempo de construção) |
Imagens meramente ilustrativas.
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