Suécia e Ucrânia negoceiam Gripen E e mísseis ar-ar MBDA Meteor para a Força Aérea Ucraniana
Numa reunião por videoconferência entre os ministros da Defesa da Suécia e da Ucrânia, Estocolmo e Kyiv abordaram medidas destinadas a abrir caminho à futura entrega de mísseis ar-ar MBDA Meteor para equipar os futuros caças Gripen E da Força Aérea Ucraniana. O objectivo, segundo as partes, é disponibilizar uma “ferramenta essencial” para abater ameaças inimigas no ar.
Este tema surge integrado num pacote mais alargado de assistência militar que está a ser discutido entre a Ucrânia e a Suécia, descrito pelos intervenientes como um dos mais relevantes entre os enviados a um país que se defende da invasão russa.
Conversações ministeriais: aviação, Meteor e outras linhas do pacote de assistência militar
Em linha com o que foi divulgado pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, a componente de aviação foi tratada com detalhe, com destaque para a possibilidade de fornecimento de aeronaves Gripen e a transferência de mísseis Meteor, apresentados como meios fundamentais para contrariar aeronaves inimigas.
No mesmo enquadramento, os responsáveis discutiram ainda: - propostas para produção conjunta de material; - apoios financeiros a actores industriais; - fornecimento de armamento de defesa aérea no âmbito da iniciativa PURL.
Preparação ucraniana para os Gripen: formação e calendário de entrada ao serviço
Relativamente ao que poderá vir a ser a incorporação de caças Gripen na Força Aérea Ucraniana, importa recordar que Kyiv anunciou, no final de Dezembro, o início da formação de pilotos e de pessoal técnico. A intenção passa por encurtar o calendário necessário para colocar a aeronave em serviço operacional.
De acordo com a informação disponível até ao momento, a Ucrânia pretende constituir uma frota de 150 novos aviões de combate, reforçando uma força que actualmente já opera F-16 e Mirage 2000-5 fornecidos por vários aliados ocidentais.
Passos políticos e avaliação operacional: carta de intenção e pontos fortes do Gripen
Também vale a pena relembrar que o Presidente Volodymyr Zelensky visitou território sueco no ano passado, ocasião em que foi assinada a correspondente Carta de Intenção relativa a 150 caças Gripen. Este acto representou o primeiro passo formal para que as aeronaves venham a chegar às mãos ucranianas.
Nessa fase, os Gripen já tinham sido alvo de avaliações preliminares por parte da Força Aérea Ucraniana. Entre os aspectos salientados estiveram: - a capacidade de operar a partir de condições austeras e infra-estruturas limitadas; - custos de manutenção reduzidos; - compatibilidade com um leque amplo de armamento europeu e dos Estados Unidos.
Produção e capacidade industrial: posição da Saab e ritmo de fabrico
A Saab indicou que as suas instalações estariam em condições de iniciar o fabrico de um volume desta dimensão. A empresa referiu, igualmente, que existiam esforços para aumentar o ritmo de produção, actualmente estimado entre 20 e 30 aeronaves por ano.
Além disso, a Saab admitiu disponibilidade para criar novas parcerias industriais, tanto na Europa como no Canadá, com o intuito de acelerar o processo. No caso canadiano, esta dinâmica poderá ainda ter impacto nas decisões de Ottawa relativas à modernização da sua própria frota de caças.
Contexto operacional: o que os Meteor e os Gripen E podem representar no teatro aéreo
A eventual combinação entre Gripen E e mísseis ar-ar MBDA Meteor pode traduzir-se num reforço relevante da capacidade de negação e controlo do espaço aéreo, sobretudo em cenários em que a detecção antecipada, o alcance e a gestão eficiente de recursos são determinantes. Numa guerra de desgaste, a possibilidade de manter aeronaves disponíveis com tempos de manutenção mais curtos tende a ter impacto directo na cadência de missões.
Por outro lado, o sucesso de uma integração deste tipo depende de factores que vão além da entrega de plataformas e munições: cadeia logística sustentada, stocks de sobressalentes, treino contínuo, doutrina de emprego e coordenação com redes de defesa aérea e de comando e controlo. Estes elementos são decisivos para transformar um pacote de assistência militar numa capacidade operacional duradoura.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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