Através da divulgação de uma série de imagens nas redes sociais, o Exército dos EUA revelou pequenos trechos do que será o projecto do tanque M1E3 Abrams de nova geração, cuja apresentação oficial deverá acontecer em breve. De acordo com informações divulgadas por meios especializados, o Exército terá recebido o primeiro protótipo já durante o mês passado, o que permite concluir que os prazos definidos no plano inicial terão sido cumpridos com sucesso.
M1E3 Abrams: o novo tanque do Exército dos EUA
Citando algumas das declarações que acompanharam o material publicado: “Temos orgulho em anunciar a conclusão do primeiro protótipo inicial do M1E3, um demonstrador tecnológico de vanguarda concebido para revolucionar o campo de batalha. Construído pela Roush e baseado nas lições aprendidas em actividades anteriores de redução de riscos, este protótipo sublinha o compromisso do Exército com a rapidez, a agilidade e soluções centradas no soldado.”
Além disso, o Exército dos EUA indicou que este projecto se destacará pela integração de software avançado no tanque, para além de apresentar melhorias na mobilidade e na letalidade, sem fornecer mais pormenores. Em particular, refere-se que o modelo foi pensado para incorporar ensinamentos retirados de cenários de combate modernos e adaptá-los às necessidades das tropas, o que aponta claramente para a guerra na Ucrânia como um conflito de elevada intensidade em que tanques e outros veículos blindados têm sido utilizados em grande número. Os ensaios com este primeiro modelo deverão decorrer ao longo dos próximos meses.
Neste contexto, e embora as fotografias não permitam observar o novo tanque na totalidade, analistas norte-americanos notaram que a torre deverá apresentar fortes semelhanças com as variantes actuais do Abrams. Entre as alterações especuladas contam-se o que parece ser um perfil mais baixo e a adição de uma janela de sensores localizada à esquerda do escudo do canhão.
Também foi assinalado que a peça principal seria virtualmente idêntica ao canhão M256 de 120 mm utilizado nos tanques mais modernos da família Abrams, embora continue em aberto a hipótese de ser acrescentada, mais tarde, uma arma de calibre superior à medida que o desenvolvimento do veículo blindado avance. Este último pormenor já tinha sido insinuado pelo Exército dos EUA noutras ocasiões, como parte das suas ideias para modernizar os tanques, juntamente com a intenção de integrar um sistema de carregamento automático para reduzir a dimensão necessária da guarnição e a capacidade de incorporar lançadores para munições circulantes, alargando o leque de meios disponíveis à tripulação quando ataca alvos.
Casco, sensores e alterações em relação aos Abrams anteriores
Por outro lado, o casco do novo tanque permite uma visão mais nítida de uma série de mudanças face aos modelos anteriores, tanto na secção dianteira como na traseira. Em concreto, isso refere-se à instalação de duas novas escotilhas na frente - em vez da única escotilha visível nas variantes actuais -, ao que parece ser um novo sistema de câmaras integrado e a iluminação LED. Além disso, em linha com as alterações acima referidas, desenvolvidas com base nas lições retiradas do conflito russo-ucraniano, podem observar-se modificações em relação ao protótipo AbramsX apresentado pela fabricante General Dynamics Land Systems (GDLS) em 2022.
Outro aspecto relevante, embora não visível nas imagens, prende-se com a intenção de alterar o sistema de propulsão destes novos tanques no sentido de configurações híbridas, capazes de oferecer melhorias em factores como o consumo de combustível e o peso total. Neste âmbito, assessores do Exército dos EUA tinham já indicado anteriormente que a passagem para este tipo de solução poderia permitir uma redução de até 40% no consumo de combustível, o que, por si só, representaria uma melhoria logística significativa para futuras operações.
Se estas alterações se confirmarem, o M1E3 poderá seguir uma lógica de evolução mais modular, em que a electrónica, a arquitectura energética e os sistemas de missão são pensados para receber actualizações sucessivas ao longo do tempo. Isso poderá facilitar não só a adaptação do tanque a novas ameaças, mas também a manutenção em campanha e a introdução de melhorias sem necessidade de redesenhar todo o veículo de raiz.
Num cenário em que os carros de combate passam a operar cada vez mais integrados com drones, sensores distribuídos e sistemas de comando digital, a flexibilidade de software e a capacidade de reconfiguração rápida podem revelar-se tão importantes como a blindagem ou o calibre. Por esse motivo, a aposta no M1E3 parece apontar para um tanque preparado para um ambiente de combate mais interligado e mais exigente.
Protecção activa e sobrevivência no campo de batalha
Por fim, como referimos em Junho de 2024, importa assinalar que o fabricante norte-americano também estará interessado em seguir a tendência lançada por outros concorrentes do mercado, integrando novos sistemas de protecção activa para aumentar a sobrevivência do tanque em combate, especialmente se estes também oferecerem capacidades defensivas contra drones. Ainda não é claro qual o sistema que será escolhido, mas os primeiros relatos giram em torno da possibilidade de uma versão optimizada do sistema Trophy, adaptada ao novo projecto, semelhante à que já foi testada em combate por unidades blindadas israelitas.
Imagem de capa: @USArmyFast no X
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