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Alemanha encomenda 200 VCI Puma para reforçar as suas forças armadas

Dois militares junto a um tanque de combate amarelo em área ao ar livre durante o dia.

VCI Puma, Rheinmetall e KNDS: novo contrato para as unidades mecanizadas alemãs

Num comunicado curto divulgado a 19 de dezembro, as empresas alemãs Rheinmetall e KNDS anunciaram que a Alemanha formalizou a compra de 200 novos veículos de combate de infantaria Puma para equipar as suas Forças Armadas. A operação representa um investimento de cerca de 4,2 mil milhões de euros por parte de Berlim. O contrato, que entra em vigor ainda este mês, prevê que as entregas fiquem concluídas até 2028 e já foi assinado pelo Gabinete Federal de Equipamentos, Tecnologias da Informação e Apoio em Serviço da Bundeswehr (BAAINBw).

O BAAINBw já tinha encomendado, em maio de 2023, o primeiro lote de 50 viaturas, ao abrigo de um acordo-quadro que abriu caminho a aquisições adicionais do veículo de combate de infantaria Puma. Esse enquadramento inclui também a compra de vários componentes, entre os quais módulos de proteção e elementos associados ao seu armazenamento. À luz dos novos requisitos da NATO para as suas forças mecanizadas, a encomenda agora anunciada é substancialmente superior à estimativa feita em junho de 2025, quando se previa um investimento de até 1,5 mil milhões de euros para um lote de 61 veículos.

Num programa desta dimensão, a uniformização da frota ganha especial importância, porque simplifica a manutenção, facilita o treino das tripulações e reduz a complexidade logística. Para um exército que procura manter forças blindadas prontas a operar em cenários exigentes, a padronização entre lotes e atualizações é um fator decisivo para garantir disponibilidade e integração operacional.

As características do Puma e a sua função no campo de batalha

Uma análise resumida das especificações técnicas do VCI Puma mostra bem o seu contributo para as tropas alemãs. O veículo pode transportar até seis militares, além da tripulação de três elementos - comandante, condutor e atirador -, todos protegidos até à entrada em contacto com o terreno por blindagem em conformidade com o nível 6 da norma STANAG e pelos sistemas de proteção ativa MUSS 2.0. A propulsão é assegurada por um motor diesel MTU V10 de 1.090 cv, associado a uma transmissão Renk HSWL 256, solução que permite atingir velocidades até 70 km/h em estrada.

O armamento principal é composto por um canhão automático MK30-2ABM de 30 mm totalmente estabilizado e por uma metralhadora coaxial HK MG4 de 5,56 mm, destinada ao combate de infantaria inimiga. Além disso, no âmbito deste novo lote de 200 unidades, a Alemanha vai também equipar os seus veículos de combate de infantaria Puma com mísseis MELLS, uma variante europeia desenvolvida pela Rheinmetall e pela Diehl Defense a partir do míssil Spike LR fabricado pela empresa israelita Rafael. Segundo o fabricante, este armamento permitirá atingir alvos a até 4 quilómetros de distância, sem exigir que o veículo esteja na linha de visada do inimigo, ao contrário do que sucede com os canhões convencionais.

A integração destes mísseis reforça o papel do Puma como plataforma de combate de elevada flexibilidade, capaz de responder tanto a ameaças blindadas como a alvos fortificados. Ao combinar proteção, mobilidade e capacidade de fogo de longo alcance, o veículo adapta-se melhor às exigências dos conflitos contemporâneos, nos quais a sobrevivência da viatura depende cada vez mais da combinação entre sensores, armamento de precisão e contra-medidas eletrónicas.

Modernização da frota existente e evolução para os padrões S1 e S2

Berlim já tinha igualmente previsto a modernização de até 297 veículos do inventário atual para o padrão conhecido como “S1”, um pacote que não se limita à integração dos já referidos mísseis MELLS. A Rheinmetall indicou que o processo incluirá a instalação de um novo sistema de câmaras de alta resolução para visão diurna e noturna, bem como equipamentos de rádio digital que facilitarão a ligação a outras unidades no quadro de uma rede tática. Se os calendários em vigor forem cumpridos sem atrasos significativos, estes trabalhos deverão estar concluídos até 2029.

Por seu lado, a Rheinmetall e a KNDS esperam receber, até meados deste ano, uma nova alteração contratual que definirá os pormenores de um futuro padrão S2 para o VCI Puma. Em particular, a medida deverá integrar novas capacidades de defesa contra drones inimigos na plataforma, cuja base de desenvolvimento seria a torre do veículo blindado Jackal, contribuindo assim para aumentar a capacidade de atuação em ambientes operacionais modernos.

Esta evolução mostra que o Puma continua a ser tratado como um sistema em desenvolvimento contínuo, e não apenas como uma viatura já concluída. Num contexto em que as ameaças aéreas de baixa altitude e os ataques com drones assumem um peso crescente, a adaptação da plataforma a este tipo de riscos torna-se tão importante como a sua blindagem ou o seu poder de fogo.

Imagens meramente ilustrativas.

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