Manny Khoshbin continua a surpreender-se com o que significa ser proprietário de um Bugatti Bolide, um automóvel que, pela sua própria conceção, nem sequer está homologado para circular em estrada. Criado em Molsheim com o objetivo de retirar o máximo rendimento em circuito, este hiperdesportivo leva a performance ao extremo - mas essa radicalidade tem um preço elevado.
Um dos exemplos mais evidentes está nos pneus desenvolvidos pela Michelin em exclusivo para o Bolide. Quando usados em pista, aguentam apenas cerca de 60 km antes de precisarem de ser substituídos. Cada jogo ronda os 7000 euros, valor que praticamente corresponde ao preço de um Citroën Ami em Portugal.
Bugatti Bolide: pneus, manutenção e custos inesperados
A razão para uma vida útil tão curta está na enorme exigência a que estes pneus são sujeitos em curva, em aceleração e na travagem. Quando o carro é conduzido perto do seu limite, os pneus slick da Michelin podem nem sequer durar uma hora.
Mesmo as unidades do Bolide que acabam por passar a maior parte do tempo imobilizadas numa garagem não escapam a um calendário de manutenção rigoroso: os pneus têm de ser substituídos de cinco em cinco anos. No caso dos pneus de chuva, o prazo é ainda mais curto, ficando limitado a três anos.
Além dos pneus, existem vários outros elementos com prazo de validade definido, entre eles o sistema de extinção de incêndios. Num automóvel desta natureza, a manutenção não é apenas uma questão de desempenho; é também uma exigência de segurança e de preservação do próprio carro.
Outro ponto que requer atenção constante é a gestão térmica. No Bolide, o controlo das temperaturas tem de ser feito com muito cuidado, uma vez que o veículo não dispõe de sistema de arrefecimento para o motor. Ainda assim, e apesar de toda a sua vocação extrema, o conforto do condutor não foi totalmente posto de lado: o ar condicionado continua a fazer parte do equipamento.
Para quem sonha com um automóvel deste nível, o desafio não se resume ao custo inicial de compra. Há também que pensar na logística de transporte, no armazenamento adequado e na necessidade de apoio técnico especializado sempre que o carro é usado. No fundo, um Bugatti Bolide não é apenas um hiperdesportivo: é uma máquina de competição com requisitos de manutenção muito próprios, pensada para ser apreciada de forma quase cirúrgica.
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