Saltar para o conteúdo

Revelados novos detalhes sobre o motor adaptativo XA103, que poderá equipar o futuro caça de sexta geração F-47 dos EUA.

Engenheiro a analisar modelo holográfico 3D de motor de avião numa oficina com jacto ao fundo.

Marcando mais um avanço no desenvolvimento do caça de sexta geração F-47 dos EUA, a Pratt & Whitney revelou novos pormenores sobre o motor adaptativo XA103 que deverá equipar a plataforma. A apresentação foi feita com recurso a um modelo digital que reproduz a arquitetura do motor e acelera a fase de testes a que estes sistemas têm de ser submetidos. A novidade também chamou a atenção por incluir, ao centro de um breve vídeo de acesso público, a primeira apresentação do desenho completo da aeronave.

A propósito da utilização de modelos digitais para estes ensaios, o chefe de validação dos programas adaptativos da Pratt & Whitney, Alan Seipt, explicou: “Houve muito entusiasmo com a capacidade disto (…) não se trata apenas de algo que existe na mente de alguém, nem de uma pilha de dossiers poeirentos que é preciso folhear para perceber onde estão as ligações. É uma ferramenta digital e, com apenas alguns cliques, é possível entender o estado atual e tomar decisões reais.” Já Alex Johnson, diretor do programa Propulsão Adaptativa de Nova Geração (NGAP), afirmava: “O que realmente se pretende é criar superioridade e domínio aéreo, e isso consegue-se mantendo-se pelo menos vários anos, e idealmente décadas, à frente de qualquer adversário potencial.”

Além disso, foi indicado que o uso de ferramentas e modelos digitais tem permitido aos elementos da Força Aérea dos EUA obter dados em tempo real para verificar o desempenho dos motores e apresentar as suas observações de forma bem mais dinâmica. Isto, por sua vez, ajudou a criar uma relação mais transparente entre a instituição e o fabricante, com um nível de controlo e de troca de informação mais amplo do que noutros tipos de programas, algo relevante para o futuro dos projetos militares de Washington.

Por outro lado, ao explicar do que trata este novo motor adaptativo, a Pratt & Whitney refere que a principal vantagem será ajustar o funcionamento e o desempenho consoante as exigências da missão, incluindo modos em que se privilegia maior empuxo e outros em que se dá prioridade à eficiência. A questão não é menor, tendo em conta que isto poderá permitir a uma aeronave com o perfil do F-47 atuar tanto como uma plataforma furtiva, com o sigilo como principal trunfo, como também como um caça de elevado desempenho em combate aéreo; tornando-o num projeto extremamente versátil para os estrategas norte-americanos.

Além disso, há relatórios recentes que apontam para a possibilidade de o novo motor XA103 alcançar velocidades superiores a Mach 2, sobretudo graças a uma nova tecnologia de fluxo de ar adaptativo. Isso também se traduziria numa maior autonomia para a plataforma, bem como em mais empuxo e numa gestão da assinatura térmica mais eficiente do que em modelos anteriores. Acrescenta-se ainda que seria capaz de gerar potência suficiente para alimentar uma futura integração de tecnologias como armas de energia dirigida e sistemas de inteligência artificial na aeronave.

Por fim, importa notar que a empresa espera reduzir de forma significativa os tempos associados ao desenvolvimento da aeronave face aos registados em modelos anteriores, defendendo que o sucesso nos testes e a facilidade de troca de informação poderá encurtar até 50% os prazos normalmente esperados. Isto terá um impacto direto na construção do primeiro protótipo do novo motor XA103, que deverá ser submetido aos respetivos testes em solo até ao final da presente década, tendo em conta que a revisão detalhada do projeto já foi concluída no início de 2025.

*Créditos das imagens: RTX Corporation

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário