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Cidadão iraquiano Mohammad Baqer Saad Dawood Al-Saadi suspeito de planear 18 ataques na Europa a favor do Irão é entregue pela Turquia às autoridades norte-americanas

Grupo de oito profissionais em reunião, analisando mapa com várias marcações num escritório moderno.

Um cidadão iraquiano apontado pelas autoridades como responsável por planear, pelo menos, 18 ataques terroristas na Europa em apoio ao Irão - entre os quais um esfaqueamento contra judeus em Londres - foi entregue pela Turquia às autoridades norte-americanas e acabou formalmente acusado de apoiar organizações terroristas islamitas.

Detenção e acusações nos Estados Unidos

Segundo uma queixa tornada pública na sexta-feira num tribunal federal de Manhattan, Mohammad Baqer Saad Dawood Al-Saadi é suspeito de ter concebido, no mês passado, um plano para atacar uma sinagoga na cidade de Nova Iorque.

O mesmo documento sustenta que Al-Saadi terá fornecido a um agente policial infiltrado fotografias e mapas de centros judaicos em Los Angeles e em Scottsdale, no Arizona, locais que pretendia também atacar.

Com 32 anos, Al-Saadi é ainda acusado de ter ligação a dois episódios recentes no Canadá: um ataque contra uma sinagoga e outro contra o consulado norte-americano em Toronto, em março.

Os procuradores norte-americanos indicaram que Al-Saadi teria dado ordens e incentivado terceiros a atacarem interesses dos Estados Unidos e de Israel, incluindo instruções para matar norte-americanos e judeus.

De acordo com a acusação, o suspeito divulgou dados sobre os ataques no Snapchat e no Telegram, e abordou estes planos em chamadas telefónicas registadas por um informador do FBI, a quem terá pedido ajuda para organizar ataques em território norte-americano.

Ainda segundo a queixa, o iraquiano disse ao informador que estava disposto a matar pessoas em qualquer uma dessas acções.

Ligações atribuídas ao Kata'ib Hezbollah e à Guarda Revolucionária Islâmica do Irão

Al-Saadi responde por conspiração para prestar apoio material ao Kata'ib Hezbollah, grupo militante xiita iraquiano apoiado pelo Irão, bem como à Guarda Revolucionária Islâmica do Irão - entidades que o Governo norte-americano classificou como organizações terroristas estrangeiras.

Os procuradores afirmaram também que Al-Saadi exercia funções de comandante no Kata'ib Hezbollah.

Além disso, é acusado de conspirar e de fornecer apoio material para actos de terrorismo, bem como de conspirar para colocar uma bomba num local público.

O director do FBI, Kash Patel, descreveu Al-Saadi como um "alvo de alto valor, responsável pelo terrorismo global em massa".

A comissária da polícia da cidade de Nova Iorque, Jessica Tisch - cujos agentes investigaram Al-Saadi no âmbito da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI - declarou que o caso "evidencia as ameaças globais representadas pelo regime iraniano e pelos seus aliados, como o Kata'ib Hezbollah".

Al-Saadi compareceu pela primeira vez em tribunal a sorrir, mas não fez quaisquer declarações.

Por intermédio do seu advogado, afirmou ser um prisioneiro político e prisioneiro de guerra, e disse estar a ser alvo de perseguição por parte das autoridades norte-americanas devido à sua relação com Qasem Soleimani, o líder da Guarda Revolucionária morto num ataque de "drone" norte-americano em Bagdade, em 2020.

Por agora, Al-Saadi continuará detido, embora tenha a possibilidade de requerer liberdade sob fiança.

O advogado Andrew Dalack afirmou que o seu cliente foi detido na Turquia e entregue às autoridades dos Estados Unidos.

Ataques alegadamente coordenados na Europa e no Canadá

Ainda de acordo com a queixa-crime, Al-Saadi e parceiros não identificados terão planeado, coordenado e reivindicado a autoria de uma série de ataques em nome do Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya, grupo associado ao Kata'ib Hezbollah, desde o início da guerra no Irão, a 28 de fevereiro.

Entre os episódios referidos, contam-se a explosão que atingiu um edifício do Bank of New York Mellon em Amesterdão, em meados de março, e uma tentativa de atentado - entretanto frustrada - contra um escritório do Bank of America em Paris, a 28 de março, segundo a acusação.

No caso de Amesterdão, a explosão terá provocado um incêndio e danos consideráveis no edifício, mas, de acordo com relatos da imprensa local, não houve feridos.

O ataque ocorreu na sequência de uma explosão em frente a uma escola judaica em Amesterdão, episódio que, segundo a queixa-crime, Al-Saadi celebrou no Snapchat.

Em Paris, a polícia localizou um engenho artesanal constituído por um recipiente cheio de gasolina ligado a um fogo-de-artifício de elevada potência. Peritos forenses concluíram que o dispositivo continha 650 gramas de explosivos e que poderia ter originado uma grande bola de fogo e um incêndio de grandes proporções.

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