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Chile: FACh começa a planear a substituição dos F-5E/F Tiger III

Piloto militar com fato de voo e capacete junto a avião de caça num aeródromo ao pôr do sol.

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FACh e Ministério da Defesa do Chile iniciam o planeamento para a substituição dos F-5E/F Tiger III

Com mais de meio século de serviço num dos teatros geográficos mais exigentes do planeta, o Ministério da Defesa e a Força Aérea do Chile (FACh) já começaram a estruturar a futura substituição dos caças Northrop F-5E/F Tiger III. Após a deslocação do ministro da Defesa Nacional, Fernando Barros Tocornal, à Base Aérea de Chabunco, em Punta Arenas, ganharam novo peso as decisões ligadas ao fim de ciclo de uma das plataformas de combate mais duradouras e simbólicas da FACh.

A visita decorreu no quadro da primeira sessão do Conselho Aéreo, realizada na IVª Brigada Aérea. Essa instância permitiu à autoridade observar as capacidades operacionais projectadas no extremo sul e verificar, no terreno, o estado actual dos próprios caças. No segundo dia, o ministro participou em reuniões de planeamento estratégico e acompanhou uma mostra estática onde foram apresentados vários meios aéreos usados pela FACh em missões de soberania, apoio logístico e operações na Região de Magallanes e na Antárctica Chilena.

Entre as aeronaves expostas encontravam-se os DHC-6 Twin Otter, helicópteros Bell 412 com sistema Bambi Bucket para combate a incêndios e, em particular, os F-5 Tigre III - que acabariam por concentrar as atenções devido aos desafios associados à sua substituição.

Em declarações à imprensa chilena, Barros Tocornal sublinhou que a frota se mantém operacional, embora tenha admitido a necessidade de avançar com uma renovação gradual. Nesse contexto, afirmou que “têm 50 anos, mas estão muito bem mantidos. A Força Aérea os mantém com um padrão destacado em nível mundial. Temos um desafio pela frente; acredito que há uma perspectiva de médio e curto prazo, e para isso será preciso ver o planeamento e os programas, e na medida em que existam os recursos, ir renovando”.

Modernização, dissuasão e limitações orçamentais

De seguida, o ministro da Defesa frisou que a modernização é essencial para sustentar a capacidade dissuasora do país. Sobre os Tigre III, salientou que “hoje funcionam bem, têm um bom padrão e bom desempenho, mas claramente temos o desafio de modernizar, porque o papel das Forças Armadas e o papel da defesa no Chile é dissuasório, e para dissuadir é preciso ter equipamento funcionando. Temos Forças Armadas muito preparadas e, portanto, é preciso dotá-las do equipamento adequado para o trabalho que realizam no âmbito civil, de soberania e de defesa”.

As suas declarações também reflectiram as actuais restrições orçamentais do Estado chileno. A este respeito, sustentou que “os recursos são limitados e as necessidades são infinitas, mas o Chile sempre soube cumprir e responder às Forças Armadas”.

Acrescentou ainda que o governo mantém uma linha de apoio institucional e financeiro à defesa, indicando que a FACh continuará a receber respaldo para assegurar áreas consideradas estratégicas, como o desenvolvimento aeroespacial e o reforço do Plano Antárctica promovido pela actual administração.

O percurso do Northrop F-5E/F e a modernização do Projecto Tigre III

A eventual retirada de serviço dos F-5 significará o encerramento de um longo capítulo da aviação militar chilena. Integrados a partir de 1976, os Northrop F-5E/F Tiger II tornaram-se rapidamente num dos pilares da defesa aérea nacional. A FACh recebeu, no total, 15 aeronaves nas variantes monoposto F-5E e biposto F-5F, inicialmente atribuídas ao Grupo de Aviação Nº 7, sedeado em Antofagasta.

A chegada destes aparelhos coincidiu com um processo amplo de modernização das Forças Armadas chilenas em plena Guerra Fria, período em que a instituição passou a adoptar novas doutrinas de combate supersónico, interceptação a alta velocidade e operações de reacção rápida.

Décadas mais tarde, quando a saída de cena dos F-5 parecia inevitável após a entrada ao serviço dos F-16, a FACh lançou o chamado Projecto Tigre III: uma modernização profunda, ao nível estrutural, electrónico e operacional, conduzida com participação da ENAER e apoio internacional. Graças a este programa, as aeronaves passaram a integrar o radar multimodo Elta EL/M-2032, de origem israelita, nova aviónica digital, HUD moderno, comandos HOTAS, sistemas IFF actualizados e capacidade para operar mísseis Derby de alcance BVR (para lá do alcance visual).

Estas melhorias permitiram prolongar de forma relevante a vida útil dos aviões e manter a plataforma válida num contexto regional cada vez mais exigente do ponto de vista tecnológico e operacional.

Alternativas para o sucessor na estrutura de combate da FACh

Em paralelo com o planeamento da substituição, começam a perfilar-se várias hipóteses para ocupar o lugar dos F-5 na estrutura de combate da FACh. Uma das opções mais referidas passa por aprofundar a linha já consolidada com os F-16, tirando partido de mais de duas décadas de experiência operacional, logística e doutrinária acumulada, a par das melhorias recentes aplicadas à frota sob o padrão M6.6.

Ainda assim, também circulariam análises preliminares sobre eventuais alternativas de quinta geração, embora, por agora, apenas num plano potencial e sem qualquer definição oficial.

Em simultâneo, outra possibilidade considerada seria prolongar por mais alguns anos a vida útil dos próprios F-5, assegurando capacidades até à futura incorporação de uma nova aeronave destinada a substituir um dos caças mais representativos da história da aviação militar chilena.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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