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O futuro dos A-4AR Fighting Hawk e dos Super Étendard/SEM continua por decidir

Cinco militares reunidos no pátio num aeroporto militar com dois caças estacionados.

Passam os meses - e até os anos - sem que a Marinha Argentina e a Força Aérea Argentina consigam definir o destino dos seus aviões de combate Super Étendard/SEM e A-4AR Fighting Hawk. Ambos os sistemas de armas estão fora de serviço há bastante tempo e, face às limitações existentes, tanto materiais como orçamentais e de recursos humanos, tudo indica que essa realidade dificilmente se alterará.

A indefinição também tem impacto noutro aspecto menos visível, mas crucial: a manutenção de doutrinas, qualificações e cadeia logística. Quando uma frota fica parada durante demasiado tempo, perde-se muito mais do que horas de voo; perdem-se rotinas técnicas, conhecimento acumulado e a capacidade de recuperar rapidamente uma linha operacional credível.

A-4AR Fighting Hawk: um investimento cada vez mais difícil de justificar

No caso dos A-4AR Fighting Hawk, a Força Aérea Argentina suspendeu a sua utilização após o trágico acidente que, em julho próximo, completará o segundo aniversário. Embora estivesse em curso um programa de recuperação destinado a preservar a capacidade de operação, a instituição acabou por manter o sistema de armas A-4AR em terra, o que poderá ter fechado, na prática, o seu futuro.

A iniciativa para colocar novamente em condições estes veteranos A-4AR Fighting Hawk incluía a aquisição de vários componentes, entre os quais módulos de subsistemas de bordo, de autodefesa e de autoproteção, kits de peças para motores e geradores, módulos de subsistemas de aviónica e kits de componentes rotáveis. A aposta era ambiciosa e, segundo as então autoridades da FAA, o objetivo passava por voltar a dispor de um esquadrão de A-4AR.

Até 2025, o projeto “Recuperação de 18 aviões A-4AR para a conservação da capacidade de operações aeroespaciais” já tinha recebido um investimento de 7 307 milhões de pesos, com a previsão de injetar mais 1 000 milhões de pesos no ano em curso. Para 2027 e 2028, segundo fontes oficiais, o montante subiria para 13 347 milhões de pesos em cada ano, perfazendo um total de 35 000 milhões.

Ainda assim, depois de quase dois anos sem atividade, vários setores da própria Força Aérea questionam se esse esforço financeiro continua a fazer sentido, sobretudo após o início do processo de incorporação dos F-16AM/BM Fighting Falcon. O programa Peace Condor praticamente absorveu os recursos orçamentais da Força, razão pela qual muitos consideram até prudente tomar uma decisão sobre a eventual baixa dos A-4AR.

As razões, contudo, não se resumem ao orçamento ou ao pessoal disponível. Os A-4AR Fighting Hawk dificilmente conseguem oferecer capacidades ao nível das exigências atuais da aviação de combate, mesmo com um investimento relevante. Os F-16AM/BM, pelo contrário, conseguem responder a essas necessidades, ainda que também enquadrados nas limitações inerentes a um sistema de armas de quarta geração.

Super Étendard/SEM da Aviação Naval

Em paralelo, a Marinha Argentina sofreu durante anos com a falta de decisão e de apoio orçamental, o que levou a que os seus Super Étendard ficassem fora de serviço e, mais tarde, a que os SEM nunca chegassem a voar. O último grande esforço centrou-se na chegada do remanescente de aeronaves e componentes provenientes da Marine Nationale francesa, há vários anos, abrindo a possibilidade de a Aviação Naval voltar a dispor da sua capacidade de caça e ataque.

Apesar dos estudos técnicos e dos concursos públicos realizados pela Marinha Argentina, o destino dos Super Étendard/SEM parece ter ficado praticamente decidido desde o início, apesar dos marcos que foram sendo alcançados - como a colocação em funcionamento, o taxiamento e outras etapas - todos orientados para o regresso dos SEM ao serviço.

Se, numa fase inicial, as principais limitações dos SUE/SEM estavam sobretudo ligadas ao sistema de ejeção, o passar do tempo e a inatividade prolongada acabaram por gerar novos problemas. As últimas novidades incluíram a avaliação por parte de empresas estrangeiras, embora essas propostas tenham, ao que tudo indica, sido afastadas por apresentarem custos demasiado elevados.

Depois de esgotadas as alternativas, o futuro dos Super Étendard/SEM parece estar praticamente selado, à espera de uma decisão oficial - tal como acontece com os A-4AR Fighting Hawk.

A situação destes aviões mostra também como, em meios militares de pequena dimensão, a janela entre modernizar e encerrar uma frota pode ser muito curta. Quando essa decisão é adiada em excesso, os custos de recuperação tendem a crescer e a margem para soluções intermédias encolhe rapidamente.

Opções de venda

Caso seja tomada a decisão de dar baixa aos A-4AR Fighting Hawk e aos Super Étendard/SEM, a venda a terceiros poderá ser uma das hipóteses em cima da mesa. No caso dos caças navais franceses, as probabilidades são bastante reduzidas, tendo em conta que não existe outro utilizador.

Já os A-4AR poderão despertar interesse junto dos últimos operadores do modelo, como a Marinha do Brasil, ou de empresas que prestam serviços de agressor, como a Draken International ou a Top Aces. A companhia canadiana, que também participa no programa Peace Condor da Força Aérea Argentina, opera os A-4 mais avançados em serviço, tendo-os modernizado com radares AESA, sistemas IRST, entre outras alterações.

Se a baixa for confirmada, a gestão final das células e dos componentes remanescentes também terá de ser cuidadosamente planeada. Entre armazenamento, preservação de peças recuperáveis e eventual destino museológico ou para instrução em solo, a decisão não será apenas operacional: será igualmente logística, patrimonial e financeira.

Imagem de capa ilustrativa. Créditos: FAA

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