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T-40 Newen: a integração de sistemas da DTS na nova instrução da FACH

Dois militares junto a uma mesa com capacete, modelo de avião, tablet e ecrãs com imagens de avião e radar.

Uma das grandes novidades da edição de 2026 da FIDAE é o avião de instrução T-40 Newen, um programa que assinala mais um avanço da ENAER na consolidação da sua posição como empresa aeronáutica. Neste quadro, a sua subsidiária DTS (Desenvolvimento de Tecnologia e Sistemas) assume um papel central a partir do Pavilhão das Indústrias do Chile, evidenciando a sua capacidade de integrar sistemas que vão ajudar a definir o futuro treinador da Força Aérea do Chile.

Mais do que uma simples plataforma aérea, o Newen está a ser pensado como um ecossistema completo de formação. Num projeto deste tipo, a aeronave é apenas uma das peças; o verdadeiro valor está na articulação entre o voo, a simulação e as ferramentas digitais que permitem acelerar a aprendizagem, reduzir erros e acompanhar a evolução de cada formando com maior precisão.

DTS, ENAER e o ecossistema de formação do T-40 Newen

Em conversa exclusiva, Roberto Avendaño Veloso, diretor-geral da DTS, explicou o lugar que a empresa ocupa neste conjunto industrial. Para o responsável, a DTS é o braço da ENAER dedicado ao desenvolvimento eletrónico, à simulação, ao comando e controlo, à guerra eletrónica e à informática, áreas nas quais a companhia considera ter atingido um nível de maturidade capaz de apoiar o progresso tecnológico das Forças Armadas e do país.

Segundo Avendaño Veloso, o projeto Newen nasceu, desde o início, como um sistema de instrução e não apenas como um avião. A aeronave é um dos componentes desse modelo, que coloca no centro o aluno piloto e incorpora vários elementos destinados a tornar a formação mais eficiente, atual e ajustada às exigências da próxima etapa de treino. A intenção é que, depois de concluir a fase inicial, o piloto transite com naturalidade para aviões mais exigentes e tecnologicamente mais avançados.

Simulação, planeamento de missão e análise pós-voo

O responsável da DTS explicou ainda que o projeto surgiu aproveitando o facto de o avião Pillán, já com perto de 7.000 horas de utilização, estar a aproximar-se do fim do seu ciclo operacional. Nesse contexto, a ENAER ficou encarregue do desenvolvimento da aeronave, enquanto a DTS assumiu a construção de todo o restante sistema de instrução.

Esse conjunto inclui simulador de voo, ferramentas de planeamento de missão, sistemas de análise pós-voo, soluções de seguimento, mecanismos de aprendizagem através de meios eletrónicos e recursos baseados em realidade virtual, realidade alargada e realidade mista. Soma-se a isso uma base de dados que permite observar a progressão dos alunos, identificar dificuldades e antecipar melhorias de forma integrada ao longo de todo o processo formativo.

A aposta na digitalização da instrução também acompanha uma tendência mais ampla na aviação militar contemporânea. Hoje, a qualidade de um treinador não depende apenas da plataforma em si, mas da capacidade de reproduzir cenários complexos, recolher dados de desempenho e transformá-los em informação útil para instrutores e alunos. É precisamente neste ponto que a DTS procura diferenciar o T-40 Newen.

Capacidade nacional e integração tecnológica sem dependência externa

Questionado sobre a necessidade de recorrer a investimento estrangeiro ou de enviar técnicos para o exterior, Avendaño Veloso afirmou que, felizmente, o Chile já dispõe há muito tempo de engenheiros e técnicos com conhecimento suficiente para desenvolver este tipo de soluções. Admitiu, no entanto, que foi necessário incorporar novos profissionais para reforçar algumas competências informáticas específicas.

De acordo com o diretor-geral, a empresa trabalha neste projeto há quatro anos e os resultados já são visíveis na exposição. O simulador encontra-se praticamente operacional e falta apenas integrar os ensaios de voo da aeronave e as características finais que o avião venha a incorporar, de modo a que o simulador represente com fidelidade total as capacidades da plataforma real.

DTS na FIDAE: guerra eletrónica, defesa e marinha

A presença da DTS na FIDAE não se limita ao domínio aeronáutico. A empresa apresentou também um conjunto relevante de capacidades na área naval, onde se afirma como parceira importante da Armada do Chile através do desenvolvimento de sistemas de guerra eletrónica.

Entre os produtos da DTS encontram-se soluções para navios, submarinos e fragatas, concebidas e produzidas pela própria empresa e já em funcionamento. A companhia está igualmente a aperfeiçoar recetores digitais de última geração, um trabalho que considera particularmente bem-sucedido e que espera ver consolidado até ao final deste ano.

Com base nessa mesma experiência, a DTS está também a propor novos produtos à Força Aérea do Chile no campo da guerra eletrónica e dos sistemas de defesa, aproveitando as tecnologias que tem vindo a desenvolver. Entre os exemplos referidos estão sistemas de variadores de frequência para submarinos e navios, de instalação fixa e não rotativa.

O espaço e os centros de comando e controlo

Outro dos domínios estratégicos em que a DTS já está a investir é o espacial. A empresa procura alinhar-se com a nova visão da Força Aérea e do país nesta área, tendo já presença no laboratório do Centro Espacial Nacional, onde é responsável pela operação e manutenção.

A partir dessa base, a ambição passa por consolidar a atividade e estendê-la aos futuros centros espaciais do norte e do sul do país, bem como desenvolver cargas úteis e sistemas que reforcem a presença chilena neste setor emergente. Paralelamente, a empresa pretende continuar a aprofundar soluções que apoiem a consolidação das capacidades espaciais nacionais.

No que diz respeito aos sistemas de radar e aos centros de controlo aéreo em território chileno, a DTS tem avançado através de parcerias com empresas especializadas. Nesse sentido, foram assinados acordos de cooperação com a Thales e a Indra, orientados para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas em áreas consideradas essenciais para a segurança nacional.

O futuro turbo-hélice da ENAER e o papel que a DTS poderá assumir

Sobre o interesse da ENAER em avançar com um novo avião turbo-hélice, ainda em fase de estudo, Avendaño Veloso sublinhou que a empresa-mãe é, por natureza, uma entidade vocacionada para a construção aeronáutica: desenha, desenvolve e fabrica a estrutura, integrando também componentes, aviónica e diversos sistemas.

Nesse enquadramento, um novo programa turbo-hélice exigirá inevitavelmente um sistema de instrução e de simulação associado. O responsável da DTS referiu que, desde a fase conceptual, já está a ser considerada a criação de um modelo semelhante ao que foi implementado com o T-40. A ambição da subsidiária é participar nesse esforço quando o projeto avançar, contribuindo precisamente com competências nas áreas do treino e da simulação para o novo avião que a ENAER pretende desenvolver.

A eventual chegada de um novo turbo-hélice reforçaria a lógica de continuidade que a ENAER e a DTS procuram consolidar: um avião concebido para responder a uma necessidade operacional concreta, acompanhado desde o primeiro momento por um ambiente de formação digital, escalável e adaptado às exigências da aviação militar moderna. Essa combinação de plataforma, software e análise de dados poderá vir a tornar-se uma das marcas mais distintivas do programa.

O nosso agradecimento ao Sr. Diretor-Geral da DTS, Roberto Avendaño Veloso, pelo tempo disponibilizado e pela sua amável colaboração.

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