Na estação de comboios, na zona pedonal ou no corredor do escritório: reconhecem-se logo as pessoas que andam depressa, ultrapassam os outros e raramente se arrastam. Segundo os psicólogos, este ritmo não acontece por acaso. Quem caminha rapidamente costuma revelar um padrão muito marcado no modo de pensar, planear e agir - e há um traço de personalidade que volta a sobressair vezes sem conta.
O que os psicólogos conseguem ler no ritmo de marcha
A maioria das pessoas encara a sua própria velocidade a andar como algo totalmente banal. Está atrasada, pratica desporto, é jovem ou está simplesmente stressada - e pronto. No entanto, nos últimos anos, este tema tem surgido com mais frequência na investigação psicológica. Isto porque o ritmo de marcha está muitas vezes associado a traços de personalidade estáveis.
Em estudos observacionais, verifica-se que quem anda depressa tem muitas vezes um modo de pensar e de tomar decisões diferente do de quem anda devagar. Estrutura o dia a dia de outra forma, define prioridades com mais clareza e, para quem vê de fora, transmite frequentemente uma forte orientação para objetivos.
“Quem anda depressa não sinaliza apenas pressa, mas muitas vezes uma mentalidade consistentemente organizada e orientada para objetivos.”
Isto não quer dizer que todas as pessoas que passeiam devagar sejam desorganizadas - nem que todas as mulheres que andam depressa sejam profissionais de carreira. Trata-se de tendências que, em grandes grupos, surgem repetidamente de forma semelhante.
O traço central da personalidade: conscienciosidade elevada
O foco recai sobre um traço de personalidade que, em muitos testes, volta a aparecer associado ao sucesso profissional, à fiabilidade e a uma boa auto-organização: a conscienciosidade.
As pessoas com um elevado grau de conscienciosidade são vistas como bem estruturadas, disciplinadas e fiáveis. É precisamente aqui que os especialistas identificam a ligação mais forte com um ritmo de marcha elevado.
- Planeiam o dia com mais detalhe.
- Prestam mais atenção à pontualidade.
- Orientam o comportamento por objetivos claros.
- Evitam desvios desnecessários - tanto na cabeça como na rua.
O passo rápido encaixa, assim, no programa interior: executar tarefas de forma eficiente, não perder tempo e avançar depressa para o ponto seguinte da lista de tarefas. Andar torna-se, deste modo, uma espécie de expressão física da ordem interior.
Como a conscienciosidade elevada se manifesta no dia a dia
Quem pertence a este grupo reconhece-se muitas vezes em cenas típicas do quotidiano:
- Preferes começar cinco minutos mais cedo, para teres a certeza de que chegas a horas.
- Vais diretamente ao destino, em vez de vagueares sem rumo por lojas ou corredores.
- Ficas inquieto quando os outros se arrastam e te bloqueiam o caminho.
- Associas automaticamente caminhar a “avançar” - e não a “andar por aí”.
Esta atitude não precisa de ser consciente. Muitas pessoas só a notam quando comparam o seu comportamento com o dos outros.
Andar depressa e extroversão: energia virada para o exterior
Os psicólogos observam muitas vezes, nas pessoas que andam depressa, uma segunda tendência: são acima da média mais extrovertidas. Ou seja, tendem a recarregar energias mais na companhia de outros do que no recolhimento silencioso e transmitem energia para o exterior.
Algumas características típicas que podem acompanhar um passo acelerado:
- temperamento vivo
- gosto por falar e por contactar com os outros
- conversas espontâneas, mesmo com desconhecidos
- tendência para agir sobre as situações, em vez de esperar
“Andar depressa, estar presente, agir de imediato - para muitas pessoas extrovertidas, isso forma uma unidade natural.”
Isto não significa que as pessoas introvertidas andem automaticamente devagar. Mas, em valores médios, verifica-se que quanto maior a extroversão, maior é a probabilidade de encontrar pessoas com uma marcha dinâmica e que raramente param quando têm um objetivo em mente.
Estabilidade emocional: quem está mais calmo por dentro anda de forma mais fluida
Outro ponto que começa a surgir nos estudos: as pessoas com um ritmo de marcha mais elevado mostram, tendencialmente, mais estabilidade emocional. Têm menos propensão para ruminações, não ficam a dar voltas sem fim aos problemas e recuperam mais depressa dos contratempos.
O andar delas costuma parecer:
- uniforme
- seguro
- pouco hesitante
- quase sem traços de nervosismo interior
Quem está constantemente ocupado com preocupações tende mais facilmente a travar-se, a parar, a andar de forma inquieta ou a mudar de direção com mais frequência. Já um passo fluido e rápido combina com uma calma mental de base: a direção está definida, a cabeça está suficientemente clara para simplesmente continuar a avançar.
Abertura e curiosidade: impulso para avançar na cabeça e na rua
Uma parte das pessoas que andam depressa também revela uma curiosidade forte. Na investigação da personalidade, fala-se de “abertura à experiência”. As pessoas com esta característica gostam de experimentar coisas novas, captam estímulos rapidamente e reagem às mudanças mais com interesse do que com bloqueio.
O ritmo de marcha espelha muitas vezes esse impulso interior para avançar:
“Quem está interiormente programado para ‘dirigir-se ao novo’ move-se muitas vezes também fisicamente com um certo ímpeto para a frente.”
O interessante é que estas pessoas nem precisam de parecer stressadas. O seu ritmo pode até parecer descontraído - mas decidido, não hesitante.
Autoconfiança e ambição: o passo como declaração
Muitas das pessoas que se movimentam depressa transmitem uma autoconfiança evidente. Mantêm a cabeça direita, olham em frente e não ficam constantemente paradas por insegurança. A sua linguagem corporal envia a mensagem: “Sei para onde quero ir.”
Frequentemente, isto vem ligado a uma certa ambição. O tempo é visto como um recurso valioso, que não deve ser desperdiçado desnecessariamente. Quem pensa assim desloca-se automaticamente mais depressa nas situações do dia a dia - seja a caminho do trabalho, do treino ou de um encontro com amigos.
Alguns especialistas falam aqui de “orientação para a ação”: em vez de pensarem demasiado, estas pessoas preferem pôr as coisas em prática rapidamente. O passo torna-se um símbolo do seu estilo:
- não hesitar demasiado
- tomar decisões claras
- corrigir erros em andamento
- manter o foco no objetivo
Porque é que andar devagar também pode trazer muitas vantagens
Apesar de todas estas ligações interessantes, seria errado interpretar automaticamente o andar devagar como algo negativo. Um ritmo deliberadamente calmo pode ser sinal de atenção plena, serenidade ou pensamento criativo. Algumas pessoas precisam de uma marcha mais lenta para assimilar impressões, organizar ideias ou aliviar o stress.
Sobretudo em profissões em que contam a sensibilidade, a observação e a criatividade, verifica-se muitas vezes que as melhores ideias surgem a passear, e não em corrida. Isto aplica-se, por exemplo, a artistas, escritoras, investigadores, mas também a pessoas em profissões sociais.
Exemplos práticos: o que o teu ritmo pode realmente significar
Algumas cenas do dia a dia mostram como o ritmo de marcha pode ter efeitos e interpretações muito diferentes:
- Movimento pendular na cidade: as pessoas que andam depressa abrem caminho no meio da multidão, verificam mensagens de correio eletrónico durante o percurso e já estão a pensar na reunião seguinte. Parecem determinadas, embora por vezes também um pouco irritadas.
- Passeio no parque: quem aqui se desloca mais depressa talvez use o caminho para “desanuviar a cabeça”, organizar objetivos ou arrumar compromissos mentalmente.
- Centro comercial: quem anda depressa sabe exatamente o que quer comprar e aceita poucos desvios. Os visitantes que passeiam observam mais, deixam o olhar vaguear e prestam maior atenção aos ambientes, às ofertas e às pessoas.
Em cada uma destas situações, o ritmo mistura personalidade, disposição do momento, nível de stress e intenção concreta.
O que podes retirar disso para o teu dia a dia
O tema torna-se especialmente interessante quando observas conscientemente o teu próprio ritmo de marcha. Muitas pessoas acabam por perceber que ele varia consoante o contexto - e que revela a forma como estão, naquele momento, “sintonizadas” por dentro.
Algumas sugestões:
- Quem vive constantemente sob pressão ao longo do dia pode criar pausas com percursos deliberadamente mais lentos.
- Quem demora a arrancar pode, por vezes, beneficiar de se obrigar a um passo mais rápido - o corpo acaba por puxar a cabeça para a atividade.
- Variar conscientemente o ritmo pode ajudar a gerir melhor a relação com o tempo, o stress e os objetivos.
O ritmo de marcha é, assim, mais do que uma mera questão secundária. Reflete uma combinação de carácter, estado interior e estilo de vida - e oferece uma perspetiva interessante sobre a forma como as pessoas pensam, sentem e agem enquanto, aparentemente, se limitam a ir de um ponto A para um ponto B.
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