Reino Unido procura vender os últimos C-130J Super Hércules
Na tentativa de concluir a venda dos três últimos C-130J Super Hércules que pertenceram à Força Aérea Real, o Reino Unido estaria em negociações avançadas com um potencial cliente que, embora ainda não tenha sido tornado público para preservar a confidencialidade da operação, segundo um relatório elaborado por Gareth Jennings, demonstraria interesse em incorporar as unidades que foram retiradas do serviço em 2023. Em concreto, a frota em causa seria composta por dois exemplares da variante C-130J (C5), enquanto o terceiro corresponderia a uma unidade da versão C-130J (C4).
Convém recordar, neste ponto, que o Reino Unido chegou a dispor de um total de 23 aeronaves de transporte C-130J, a maioria das quais foi vendida, ao longo dos últimos anos, a parceiros internacionais de Londres. O exemplo mais recente deste tipo de aquisição encontra-se na Força Aérea da Turquia, instituição que, no esforço para modernizar as suas capacidades, acrescentou 12 aeronaves desse grupo, confirmando a decisão em outubro do ano passado. Desde o momento da sua retirada, os Super Hércules tinham permanecido armazenados e sujeitos a trabalhos de manutenção pela empresa Marshall Group, enquanto aguardavam um novo operador.
Aprofundando os detalhes, importa referir que Ancara confirmou a compra destas aeronaves com o objetivo de obter novos exemplares que aliviassem a carga da sua já exigida frota de transporte, o que exigiu um longo período de negociações. Antes de conseguir avançar com essa operação, o país confiava as tarefas referidas aos modelos A400 produzidos pela Airbus, ao mesmo tempo que mantinha ao serviço outros exemplares da família C-130, neste caso das variantes B e E.
Outro antecedente semelhante encontra-se na Força Aérea do Bangladesh, instituição que recebeu o último dos C-130J adquiridos ao Reino Unido em junho de 2024 para reforçar as suas próprias capacidades de transporte. Em termos concretos, Daca passou a contar com um total de cinco unidades, que podem ser divididas entre duas aeronaves confirmadas por contrato em 2018 e outras três adicionadas em 2019. Na época, as autoridades bangladeshianas indicaram que se procuraria integrá-las rapidamente nas operações de manutenção da paz em que o país participa, tendo também sido afirmado que desempenhariam um papel vital na realização de missões humanitárias.
Um terceiro possível cliente situava-se na Força Aérea da Grécia, cuja aquisição, no entanto, nunca chegou a concretizar-se, mesmo depois de autoridades helénicas e britânicas se terem reunido em várias ocasiões para discutir os termos da operação; algo que também foi feito com representantes da já referida empresa Marshall Aerospace. Tratava-se, neste caso, de um país já familiarizado com a família C-130, uma vez que contava com uma frota de cerca de 15 aviões das variantes B e H.
Por fim, é necessário referir que as aeronaves colocadas à venda pelo Reino Unido não foram retiradas de serviço por causa da sua antiguidade; pelo contrário, tratar-se-ia de exemplares em bom estado e com vários anos de vida útil pela frente, incluindo componentes críticos que foram substituídos pela Defence Equipment Sales Authority (DESA) com o objetivo de as tornar mais atrativas para potenciais compradores. A razão por trás deste movimento prende-se antes com a chegada dos novos A400 Atlas às mãos da Força Aérea Real, em quantidades que as autoridades consideraram suficientes para desempenhar, por si só, as tarefas anteriormente asseguradas pelos C-130.
*Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos
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