Apesar de estar agendado para terça-feira um painel dedicado à revisão constitucional, André Ventura decidiu puxar o assunto para a abertura das Jornadas Parlamentares do Chega. Com o PSD, por enquanto, fora do alinhamento, o líder do partido relativizou a ausência de entendimento sobre o momento para avançar e sustentou que o grupo parlamentar do Chega já obteve uma “grande vitória” por ter desencadeado o processo e assumido a dianteira. Ainda assim, não poupou críticas aos sociais-democratas, acusando o partido do Governo de adiar a apresentação de um projecto para não desagradar à oposição e ao Presidente da República.
“O PSD, como quer sempre agradar a gregos e a troianos, diz que sim, mas não agora. Depois diz que agora, mas não agora agora, mas para o fim do ano. Depois é para a segunda parte da legislatura, agora já é para o final do ano ou para o outro. Já estamos habituados a isso”, afirmou o presidente do Chega.
Na mesma linha, Ventura apontou o PS como força política sem interesse em mexer na Lei Fundamental, defendendo que a Constituição terá permitido aos socialistas “dominar as instituições todas” ao longo dos últimos anos. Sem assumir que o processo ficará obrigatoriamente fechado - até porque, sem os sociais-democratas, não há os 2/3 exigidos para aprovar alterações -, preferiu destacar os partidos que já sinalizaram intenções de apresentar propostas, como a Iniciativa Liberal, o CDS, o PCP e o Bloco.
Ainda assim, deixou em aberto a possibilidade de o PSD voltar atrás e entrar no processo de revisão constitucional, a que o Chega diz dar o pontapé de saída, seguindo-se um prazo de 30 dias para os restantes partidos apresentarem iniciativas. Na perspectiva de Ventura, essa adesão será determinante para que o processo “chegar a bom porto.”
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário