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Luís Montenegro apresenta moção ao 43º congresso do PSD e quer “Fazer Portugal Maior” com maioria absoluta

Político a discursar num púlpito com bandeiras de Portugal e público a aplaudir.

O pequeno centro cultural Lívio de Morais, em Agualva-Cacém, na periferia de Lisboa, serviu de cenário à apresentação. Foi a quarta vez que Luís Montenegro se candidatou à liderança do PSD e a terceira já enquanto presidente do partido. Um ano depois de voltar a vencer as eleições legislativas pela segunda vez, escolheu esta data para formalizar a moção de estratégia ao 43º congresso do PSD, marcado para daqui a pouco mais de um mês, em Anadia. Para o novo ciclo - no partido e no Governo - traçou uma meta: ambiciona uma maioria absoluta e quer “Fazer Portugal Maior”.

Em Sintra, a moção “Trabalhar. Fazer Portugal Maior”

Depois de, em 2022, ter surgido com o lema "Acreditar" e de, na campanha eleitoral do ano passado, ter prometido "Trabalhar", Montenegro apresenta-se agora para mais dois anos sublinhando que a prioridade é o que ainda falta fazer: "Nós não estamos aqui para falar muito daquilo que já fizemos. Estamos aqui, sobretudo, a olhar para a frente. Estamos aqui, sobretudo, a olhar para aquilo que ainda temos de fazer. Estamos aqui, sobretudo, para transformar aquilo que foi o nosso ímpeto de acreditar que tem uma marca de trabalhar para atingir um nível de grandiosidade, o Portugal Maior", afirmou o líder social-democrata.

Esse enquadramento está espelhado no próprio nome do documento: em letras mais pequenas surge "Trabalhar“ e, de seguida, ”Fazer Portugal Maior". A frase recupera inspiração do slogan da campanha presidencial de Cavaco Silva em 2006 e, ao mesmo tempo, faz lembrar o mote de Donald Trump: Make America Great Again (MAGA).

Na explicação do conceito, o primeiro-ministro apontou várias dimensões: "O Portugal maior na valorização das pessoas, da sua condição e do seu bem-estar. O Portugal maior na dinâmica, na capacidade, na produtividade e na competitividade da sua economia".

E acrescentou ainda uma leitura que cruza território, Europa e papel externo do país: "Um Portugal maior no seu território, mas um Portugal maior à escala da sua participação na construção europeia e um Portugal maior à escala do aproveitamento da sua potencialidade e do seu capital acumulado em quase nove séculos de história enquanto construtor de pontes, enquanto elemento de aproximação entre civilizações, entre culturas, que é a nossa responsabilidade no contexto internacional".

Maioria, maioria absoluta e o objetivo para a AD

Ao recuar a 17 de maio de 2025, Montenegro recordou que a maioria absoluta era já uma ambição, mas que a AD ficou aquém desse patamar. Ainda assim, notou que houve reforço e que o Governo continua dependente de terceiros para viabilizar diplomas no Parlamento. Foi neste contexto que distinguiu os conceitos: “Às vezes, na linguagem política, confunde-se maioria absoluta com maioria. Maioria em democracia é ter mais um voto que os outros”, disse.

Mais à frente, reforçou a diferença e insistiu na mesma meta eleitoral: "Maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira. Agora, não se subestimem, é que nós já obtivemos duas maiorias para governar nas urnas, na base da confiança das pessoas. Não quisemos governar na base de nenhum estratagema, conluio ou combinação feita atrás da vontade das pessoas".

Reforma do Estado, recados ao Chega e referência ao CDS-PP

Convicto de que o reconhecimento do trabalho do Executivo acabará por chegar, Montenegro destacou a Reforma do Estado, com o ministro responsável pela pasta, Gonçalo Matias, presente na sala. E admitiu que os resultados ainda não são plenamente visíveis: "Eu sei que ainda não se vê tudo. Sei até que ainda não se vê o suficiente, nem a maior parte do trabalho que está a ser feito. Mas nós, também já aqui foi dito isso, nós somos pacientes. Somos persistentes. Perseverantes. Nós sabemos que é preciso passarmos por esta fase para lá mais à frente acontecer o reconhecimento por aquilo que, entretanto, já está feito".

Pelo caminho, aproveitou para responder ao Chega, que ameaça chumbar a nova lei orgânica do Tribunal de Contas - um diploma que tem sido contestado pela própria instituição. Embora Ventura se mostre disponível para negociar a reforma laboral, quanto à reforma do Estado avisa que vota contra. Perante isso, o chefe do Governo reagiu: "Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, esse Estado menos burocrático, mais digital, mais simplificado, eles clamam por isso. Mas nós chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver", acrescentando que pretende forçar votações no Parlamento.

No mesmo tom, insistiu na determinação de avançar: "Porque, quando chega à realidade das decisões, têm medo, metem a viola ao saco e fazem de conta que não é nada com eles. Nós estamos aqui para prosseguir. Para prosseguir com a convicção, com a humildade e com a responsabilidade de quem está disponível para aprofundar, densificar e discutir as opções".

Montenegro alargou a crítica a outros partidos, defendendo que, no momento decisivo, poucas forças estão disponíveis para mudanças estruturais: "Quando chega a hora da verdade, somos nós e pouco mais aqueles com que o país pode contar para fazer verdadeiras transformações. Depois olhamos para os outros partidos políticos e vemos que, sempre que se mexe, estão sempre mal. Reformar, sim, mas na porta ao lado. Reformar, sim, mas não no meu setor. Reformar, sim, mas não na minha casa. Reformar, sim, mas não coisa que cause reação", disse, antes de deixar o aviso:

“Isso vai ser até uma determinada altura, porque nós vamos forçar a decisão. Os partidos e os políticos vão ter de se revelar no momento de votar as transformações, porque não é por falta de oportunidade que vamos ficar sem esse debate”.

Numa outra passagem - menos direta, mas lida como recado geral aos críticos - afirmou que não está disposto a deixar tudo como está, mesmo perante resistências: "Não, nós não estamos disponíveis para isso. Levantem-se as resistências corporativas que levantarem. Levantem-se os políticos que não tenham coragem a não ser na conversa. Levantem-se aqueles que estão bem instalados a viver à conta do excesso de burocracia, do excesso de regras, da adulteração e da corrupção que aí está montada. Levantem-se, se quiserem, que nós cá estaremos para discutir com eles, para mostrar que temos razão e para seguir em frente".

Sobre a própria moção, coordenada pelo ministro Fernando Alexandre, Montenegro sublinhou que “é à PPD/PSD”. E, desta vez, fez questão de agradecer ao parceiro de coligação, o CDS, que quase não é referido no texto do documento: "Não é o caso aqui em Sintra, mas em muitas governações tem um parceiro preferencial, que é o CDS-PP, que eu quero aqui também evocar, que é nosso parceiro no governo do país, nos governos regionais e em muitas autarquias".

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