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Portugal regista menos 2375 pedidos de correção de javalis no ICNF entre 2024 e 2025

Dois agricultores analisam um campo de milho ao pôr do sol, com sinais e veículo ao fundo.

A elevada presença de javalis em várias zonas do país tem gerado críticas constantes por parte dos agricultores, que apontam prejuízos relevantes nas explorações. Ainda assim, entre 2024 e 2025, deram entrada no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) menos 2375 pedidos de correção - conhecidos, no uso comum, como montarias.

Quebra nos pedidos de correção (montarias) em 2025

Em 2024 foram submetidas 3816 solicitações, mas em 2025 o número ficou pelas 1441, apesar de as batidas serem consideradas uma das principais formas de reduzir o excesso de animais. As estimativas disponíveis continuam, porém, a situar a população nacional num intervalo elevado, entre 396 mil e 400 mil.

Os distritos com mais pedidos de correção de caça grossa são Beja, Santarém, Castelo Branco e Setúbal. Estes requerimentos podem ser apresentados por associações de caçadores ou por proprietários de terrenos que não estejam integrados em zonas de caça.

Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal e medidas do ICNF

A existência de sobrepopulação de porcos-bravos foi validada pelo Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, elaborado pela Universidade de Aveiro em 2022. Esse trabalho deu origem a um conjunto de medidas legislativas, entretanto aplicadas, cuja eficácia está agora a ser analisada.

Carlos Fonseca, um dos autores do plano, disse ao JN que, em determinadas áreas do país, a sobrepopulação de javalis está "a preocupar" os agricultores, devido "aos desequilíbrios e aos conflitos com a atividade humana". Segundo o investigador, proprietários rurais, insatisfeitos com a situação, reclamam soluções "mais drásticas" para travar o crescimento do número destes animais.

As estimativas que apontam entre 396 mil e 400 mil javalis em Portugal resultam de dados do consórcio Enetwild. "Os estudos vêm suportar a possibilidade de abrir o controle a esta espécie de uma forma mais abrangente. Essas medidas foram tomadas pelo ICNF, que patrocinou o plano de ação", afirmou Carlos Fonseca.

Na sequência desse plano, o ICNF avançou com diversas iniciativas para reforçar o controlo da população de javalis, embora o impacto concreto ainda não esteja determinado. "Antigamente, as esperas [caça] eram exclusivas do período de lua cheia, mas atualmente já podem ser feitas dentro das zonas de caça num período mais alargado. Assim há possibilidade de os caçadores terem mais controle desta população", acrescentou.

Avaliação em curso e impactos na agricultura

Os autores do plano estão, neste momento, a tratar e a comparar dados para perceber se as medidas já implementadas estão, ou não, a produzir efeitos. "O estudo permitiu saber que naquela janela temporal a situação em Portugal não difere do cenário europeu", explicou Carlos Fonseca, sublinhando que em algumas regiões "há proprietários a dizer que a população de javalis reduziu, mas noutras dizem que aumentou muito".

A Secretaria de Estado das Florestas, através do ICNF, estabeleceu com a Universidade de Aveiro a avaliação dos efeitos destas medidas sobre as populações animais, com o objetivo de apurar se aumentaram ou diminuíram. "Daqui a um ano ou dois estaremos em condições de afirmar se tiveram ou não efeito", indicou Carlos Fonseca.

Quanto aos danos na agricultura, o investigador refere que as áreas de minifúndio são "as mais críticas", citando Viseu, Coimbra, Ribatejo e Alentejo (nos milhos de latifúndio). Acrescenta ainda alguma incidência na serra algarvia, em Trás-os-Montes (com Bragança a apresentar também o acréscimo do veado e do corço) e no Minho.

Entretanto, a equipa do estudo está a alargar a análise a outras espécies de caça maior, como o corço e o veado. "Porque têm muita expressão e têm impactos relevantes na atividade agrícola e florestais (plantações). Nos projetos agrícolas devem ser contempladas medidas de proteção de culturas e de reflorestação. Devem ser estudados métodos de proteção, nomeadamente o uso de rede elétrica ou fixa, dissuasores de som ou através de odores para perceber quais são os mais eficientes", disse Carlos Fonseca.

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