Num palácio com quase 240 anos de história, o Valverde Palácio de Seteais guarda lembranças de reis e rainhas através de suítes com inspiração nos séculos XVIII e XIX. Daquela época de sumptuosidade permanecem a arte, a arquitetura e, acima de tudo, a arte de saborear o tempo sem pressa.
A Royal Suíte do Valverde Palácio de Seteais
A chegada começa com um detalhe que parece um ritual: a chave, com o emblema do Palácio de Seteais e o número do quarto gravados a dourado, é apresentada ao hóspede numa caixa de madeira, como se fosse uma joia. Um gesto simples, um clique seco, e abre-se a porta para a Royal Suíte do Valverde Palácio de Seteais. "Dormir aqui é uma experiência histórica e serena", comenta o diretor de serviço do hotel, Diogo Vasconcelos, conhecedor atento do passado do edifício, enquanto dá a conhecer o quarto onde se acredita terem vivido os proprietários do palácio, desde que Daniel Gildemeester mandou erguer a casa em 1787.
O abastado empresário - e cônsul holandês em Portugal - "queria reformar-se e viver o resto da vida em Sintra", numa fase em que a vila era "a capital romântica da Europa", com efervescência intelectual e artística. "Provavelmente, nesta sala foram firmados muitos negócios", observa Diogo, referindo-se à fortuna reunida por Gildemeester com o comércio de diamantes de Minas Gerais, favorecido pela coroa portuguesa, durante quase três décadas. Durante seis anos, foi ali que o cônsul e a mulher, uma aristocrata inglesa, passaram os verões.
Neoclassicismo, luz e a harmonia de Sintra
"Antes de Paris ser Paris", enquadra o diretor de serviço, Sintra oferecia uma rara comunhão entre natureza, arte e arquitetura. Essa harmonia continua a notar-se nos traços neoclássicos do palácio - que, no início, tinha apenas uma ala, com um varandim ao centro da fachada - e também nas paredes pintadas à mão. O desenho vegetalista atravessa-as verticalmente, em riscas preenchidas por flores e folhas em tons pastel, capazes de amplificar a luminosidade nas salas com 4,25 metros de pé direito. De manhã, com as janelas escancaradas, a vista abre-se sobre o jardim de limoeiros, o vale e o mar.
Com 50 metros quadrados, a suíte integra zonas de estar, um escritório em espaço aberto e varanda. A mobília segue o estilo D. Maria - um clássico português - com motivos florais. Apesar da atmosfera palaciana, o conforto pedido ao século XXI não fica para trás; pelo contrário, ganha expressão nos gestos de uma hospitalidade de cinco estrelas. "Procuramos sempre adaptar o VIP a cada estadia, oferecendo travesseiros de Sintra ou queijadas e uma nota de boas-vindas escrita à mão." Em paralelo, o concierge fica disponível para organizar experiências e visitas.
Corredores, Salão Nobre e a ampliação de 1802
Caminhar pelos corredores amplos do Valverde Palácio de Seteais é, por si só, uma experiência sensorial: ouve-se o ranger da madeira sob os pés e sente-se a opulência das alcatifas, em contraste com as paredes pintadas à mão. No Salão Nobre, a atenção é inevitavelmente capturada por uma botânica povoada por tritões, sereias e figuras mitológicas, composição assinada por Jean Baptiste Pillement, artista muito requisitado pelas casas reais.
"A ampliação do palácio para a outra ala, ligando-as por um arco triunfal, deu-se em 1802 com o segundo residente, Diogo Vito de Menezes, 5.º Marquês de Marialva", explica Diogo. Para assinalar a homenagem ao rei D. João VI e à rainha Carlota Joaquina de Bourbon, o proprietário ordenou que fosse colocado, no topo do arco, um medalhão com os respetivos perfis.
"Na nobreza, era hábito o dono da casa ceder o melhor quarto aos seus convidados, pelo que muitos reis, entre D. Maria I e D. Fernando II, terão pernoitado na Royal Suíte", contextualiza o diretor. Já no século XX, quando o palácio passou do Conde de Sucena para o Estado, em 1946, as plantas mantiveram-se muito próximas do original. Mais tarde, em 1955, o arquiteto Raul Lino transformou-o em hotel.
Suítes Signature, hóspedes célebres e visitas guiadas
No primeiro piso, uma das Signature Suítes recebe o nome de Eça de Queirós que, apesar de nunca ali ter dormido, descreveu o arco e a vista sobre a Pena em "Os Maias". A outra evoca Agatha Christie, que pernoitou no quarto número 4 em 1969. Nestas suítes, os tons claros ajudam a valorizar a luz natural.
As casas de banho amplas, revestidas a mármore, convidam a rituais mais demorados: é possível tomar banhos em banheiras com patas de leão, tal como Amália Rodrigues, Edith Piaff e Roman Polanski terão feito durante as suas estadias em Seteais.
Ficar na Royal Suíte - ou em qualquer outra tipologia - dá também acesso ao tour orientado por Diogo Vasconcelos, que se assume apaixonado pelo legado do edifício e pela imersão na serra de Sintra. "Conto a história, explico a função das salas principais e destaco algumas das peças de arte. Adoro conversar." Ao longo dos seis hectares do hotel, cada um marca o seu próprio ritmo, entre jardins de buxo, miradouros, spa, piscina exterior e restaurante de alta cozinha. "É como se, depois de verem os palácios e castelos de Sintra, os clientes viessem dormir no seu."
Valverde Sintra Palácio de Seteais
Rua Barbosa du Bocage, 8, Sintra
Tel.: 219 233 200
Web: valverdepalacioseteais.com
Royal Suíte desde 1300 euros/noite, com pequeno-almoço
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