Num momento em que Washington procura alargar o leque de armas disponíveis para os seus aviões de combate, a Força Aérea dos EUA abriu a porta a novos parceiros industriais para desenvolver um míssil semelhante ao SiAW, pensado para equipar os futuros F-47 e os bombardeiros B-21. O aviso, publicado pelo Air Force Life Cycle Management Center na base de Eglin, serve para sondar o interesse da indústria - não se trata ainda de um concurso formal -, mas deixa claro o foco da instituição em sistemas capazes de atingir vários tipos de alvos terrestres no contexto da guerra contra o Irão, na qual já terão sido atingidos mais de 5.000 objetivos.
Ao olhar para os requisitos definidos, percebe-se que o novo míssil não foi pensado apenas para o B-21 e o F-47: a lista inclui também os F-16 e F-35, sendo esta última a plataforma para a qual o SiAW foi inicialmente concebido. Outro ponto relevante é que esta é a primeira vez que o F-47 aparece num documento oficial de aquisição relativo a uma arma específica, sinalizando mais um passo na consolidação do avião de sexta geração destinado à Força Aérea dos EUA. O documento pede ainda que seja considerada uma arquitetura aberta, de forma a facilitar uma futura integração noutros aviões operados por aliados internacionais.
Com uma meta de produção de 600 unidades por ano e custos controlados, a Força Aérea dos EUA quer uma arma com vida útil de cerca de 15 anos e necessidades de manutenção reduzidas, para garantir disponibilidade operacional a longo prazo. No plano tático, o novo míssil deverá ter capacidades semelhantes às de um míssil antirradiacão, com potencial para destruir radares avançados a longa distância, além de vários tipos de sistemas de defesa aérea e outros alvos móveis. Para isso, terá de integrar sistemas de navegação e guiamento muito precisos, bem como soluções capazes de resistir a eventuais sistemas de guerra eletrónica inimigos.
Foi também referido que o desenvolvimento dos protótipos deverá prolongar-se até 2027, com o objetivo de entrar nas primeiras séries de produção a partir da década de 2030, caso essa fase seja concluída com sucesso. Para já, as empresas interessadas podem entregar os seus relatórios de capacidades até 19 de março, data após a qual o governo dos Estados Unidos irá avaliá-los para decidir os próximos passos.
Por outro lado, embora o aviso da Força Aérea dos EUA não explique em detalhe porque é procurado um modelo semelhante ao SiAW, importa recordar que este programa está atualmente classificado na fase de prototipagem rápida de aquisição de nível intermédio (Middle Tier Acquisition Rapid Prototyping). Trata-se de uma arma em desenvolvimento há vários anos, cujo marco mais importante foi a atribuição, em 2023, de um contrato superior a 700 milhões de dólares à Northrop Grumman para fabricar exemplares e testá-los em campos de ensaio. Nas fases anteriores, L3Harris e Lockheed Martin também estiveram envolvidas no programa.
Nesta mesma linha, vale lembrar que, depois da entrega dos primeiros mísseis em novembro de 2024, a Força Aérea dos EUA conseguiu realizar as primeiras avaliações do sistema SiAW com um F-16 em dezembro de 2024. Nessa ocasião, o fabricante descrevia o míssil como tendo sido concebido para: « (…) atacar e vencer rapidamente ameaças de elevado valor e sensíveis ao tempo em ambientes contestados (…) alargando o leque de alvos da Força Aérea dos Estados Unidos para incluir objetivos terrestres fortemente defendidos. O míssil é concebido com engenharia digital e dispõe de interfaces de arquitetura aberta que permitem atualizações rápidas dos subsistemas para integrar capacidades melhoradas. »
*Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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