Uma nova imagem divulgada nas redes sociais, captada pelo fotógrafo Jarod Hamilton, sediado em Los Angeles, levou analistas de fontes abertas (OSINT) a concluir que a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) já terá começado os testes do novo míssil de cruzeiro nuclear LRSO a bordo de um bombardeiro B-52. Embora não existam detalhes oficiais, os especialistas apontam que a aeronave surge equipada com um armamento invulgar num dos seus pilones, de aspeto muito próximo do conceito apresentado pelo Pentágono para este míssil, sinal de avanços no programa.
Convém recordar que o desenvolvimento do míssil de cruzeiro nuclear LRSO é a aposta da USAF para substituir os AGM-86B, que fazem parte do arsenal desde a Guerra Fria e também têm capacidade nuclear. Nesse sentido, a intenção da força aérea norte-americana é integrá-los não só nos B-52, que continuam a ser uma peça central da capacidade de ataque de longo alcance dos EUA, mas também nos B-21 Raider, que estão a entrar ao serviço para os substituir, juntamente com os B-1 Lancer.
Assim, a instituição tem vindo, ao longo dos últimos anos, a realizar vários testes envolvendo estas plataformas e o próprio LRSO, num processo faseado antes da sua entrada em serviço. No caso dos ensaios com o B-52, analistas norte-americanos indicam que estes decorrem habitualmente na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, com foco principal em garantir que o aparelho consegue transportar e lançar o armamento sem problemas técnicos relevantes. Numa segunda fase, também se procurou confirmar se os bombardeiros conseguem levar mais do que um míssil, ainda que já tenha sido sublinhado que, em caso de conflito nuclear, é pouco provável que uma mesma aeronave tenha de libertar um número superior de exemplares.
Por outro lado, olhando para algumas das características já conhecidas destes novos mísseis LRSO, desenvolvidos pela Raytheon Technologies da RTX depois de vencerem a concorrência da Lockheed Martin em 2020, trata-se de um sistema que é lançado de um pilone da aeronave sem ativar imediatamente o motor; isso acontece apenas depois de atingir uma distância segura para abrir as asas e só então iniciar a propulsão. O desenho exterior distingue-se ainda por uma forma trapezoidal, com uma cauda vertical na parte inferior, complementada por outras duas superfícies dobráveis para cada lado.
Por fim, importa referir que, segundo reportes anteriores, a USAF estará a planear adicionar cerca de 1.020 mísseis LRSO ao seu arsenal no futuro, com base em documentos publicados pelo próprio Pentágono, onde se indicava um custo unitário na ordem dos 14 milhões de dólares; um valor aproximadamente 4 milhões acima do inicialmente previsto. A confirmar-se, isso significaria que a instituição duplicaria o inventário atual dos AGM-86B que pretende substituir, embora ainda sem atingir o número de unidades existente no seu auge.
Créditos da imagem de capa: @JarodMHamilton
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