Lista de espera para cirurgia oncológica no SNS
A lista de espera para cirurgia oncológica no Serviço Nacional de Saúde (SNS) agravou-se no segundo semestre de 2025: no final de dezembro estavam 8.215 utentes a aguardar intervenção, o que representa mais 9% do que em 2024. Deste total, 21,2% já tinham ultrapassado os tempos máximos de resposta recomendados.
Os números constam da “informação de monitorização sobre os tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), relativos ao segundo semestre de 2025”, divulgada esta segunda-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS). O relatório assinala igualmente um aumento de utentes em espera tanto para a primeira consulta como para cirurgia nas áreas da oncologia e da cardiologia.
Confrontada com estes dados, a ministra da Saúde rejeitou a ideia de colapso e afirmou: “não é uma falência. É uma dificuldade”. Em entrevista ao podcast Política com Assinatura, da Antena 1, Ana Paula Martins acrescentou que “foi por essa razão que quando chegámos percebemos que o atual sistema de gestão das listas de espera não era eficiente. Criava situações perversas, não tinha auditoria clínica, não tinha pontos de controlo, não era transparente para os cidadãos”.
A ministra lembrou ainda que o novo sistema de gestão de listas de espera entrará em vigor a 1 de agosto, embora reconheça que “o aumento de pressão vai continuar porque temos uma demografia em expansão e um envelhecimento populacional que faz com que haja uma maior necessidade de cuidados de saúde”.
No detalhe da cirurgia oncológica em hospitais públicos, a ERS indica que, no final de dezembro de 2025, o tempo máximo de resposta garantido (TMRG) foi excedido em 21,2% dos casos. Face ao período homólogo de 2024, trata-se de um agravamento de 4,0 pontos percentuais, explicado por maior incumprimento nos processos triados como “prioritários” e “normais”.
Primeira consulta de oncologia e cardiologia: evolução e incumprimento do TMRG
Quanto à primeira consulta por suspeita ou confirmação de doença oncológica, encontravam-se 8.874 utentes em espera, mais 3% do que no mesmo período de 2024. Ainda assim, o TMRG foi ultrapassado em 65,5% dos casos, o que corresponde a uma redução de 13,1 p.p. em termos de incumprimento.
Na cardiologia, também se registou subida na procura da primeira consulta: no final de dezembro de 2025, aguardavam 28.234 utentes, mais 8,4%. Na maioria dos doentes (74,9%), o tempo de espera já tinha excedido o limite legal, apesar de se ter verificado uma melhoria de 11 pontos percentuais face ao segundo semestre de 2024.
No que toca à cirurgia de cardiologia, estavam 2.703 utentes em lista de espera, um aumento de 39,5%. Entre estes, 58,6% aguardavam há mais do que o TMRG, menos 0,3 p.p. do que em 2024.
Outras especialidades no SNS: listas de espera e tempos máximos
Para além de oncologia e cardiologia, no final de dezembro existiam 1.056.223 utentes em espera para primeira consulta de outras especialidades nos hospitais públicos, o que representa mais 17% em comparação com o mesmo período de 2024. Embora 43,7% já tivessem ultrapassado o TMRG, o incumprimento recuou 11,6 p.p. face a 2024.
No mesmo intervalo, 189.444 utentes aguardavam cirurgia noutras especialidades, menos 0,6%. Ainda assim, 16,3% já apresentavam um tempo de espera superior ao recomendado, mais 1,5 p.p.
Actividade assistencial: mais primeiras consultas, menos cirurgias
De acordo com a ERS, verificou-se um aumento generalizado do número de primeiras consultas realizadas, em paralelo com uma redução da actividade cirúrgica.
Na oncologia, as primeiras consultas efectuadas cresceram 2,8%, totalizando 20.977, e a percentagem de incumprimento diminuiu 4,3 p.p. face ao segundo semestre de 2024, fixando-se em 57,5%. Em sentido inverso, as cirurgias oncológicas realizadas desceram 3%, atingindo 34.771 no segundo semestre de 2025; nestas intervenções, o TMRG foi ultrapassado em 20,4% dos casos, embora com uma diminuição de 1,1 p.p. em relação a 2024.
Na cardiologia, o regulador aponta para um aumento de 2,4% nas consultas realizadas, num total de 23.838. Em 86,4% das consultas, o limite de espera foi excedido, apesar de se observar uma redução de 1,4 p.p. comparativamente ao mesmo período de 2024.
Já na actividade cirúrgica de cardiologia, os dados indicam uma diminuição de 4,9%, para 4.508 cirurgias. O incumprimento do TMRG situou-se em 32,8%, menos 0,8 p.p.
Nas restantes especialidades (excluindo cardiologia e oncologia), o número de consultas realizadas aumentou 1,4%, totalizando 662.383. Nestas consultas, os tempos máximos de resposta garantidos foram ultrapassados em 51,4% dos casos, menos 1,7 p.p.
Por fim, nas cirurgias das restantes especialidades, registou-se uma redução de 0,7%, fixando-se em 283.878 intervenções. Em cerca de 13,2% das cirurgias realizadas, os TMRG foram excedidos, traduzindo-se numa diminuição de 1,9 p.p. na percentagem de incumprimento face a 2024.
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