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Assembleia Municipal de Lisboa aprova isenção de taxas ao Rock in Rio de 3,13 milhões de euros

Pessoas numa sala de reuniões com vista para um estádio, uma segura papel com valor e desenho técnico.

Votação na Assembleia Municipal de Lisboa

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou esta terça-feira uma proposta que isenta o Rock in Rio do pagamento de taxas municipais no montante de 3,13 milhões de euros, com votos a favor do PSD, IL e CDS-PP e a abstenção do PS, decisiva para o desfecho.

O documento, apresentado pela liderança PSD/CDS-PP/IL no executivo municipal, já tinha passado em reunião de Câmara, em abril, com os votos contra de Livre, BE e PCP, e com a abstenção de PS e Chega. Na sessão desta terça-feira da Assembleia Municipal de Lisboa, o Chega juntou-se ao voto contra, tal como o Livre, PCP, BE, PAN e PEV, tornando o sentido de voto do PS determinante para viabilizar ou chumbar a proposta.

Isenção de taxas do Rock in Rio: argumentos e críticas no debate

O vereador da Cultura, Diogo Moura (CDS-PP), detalhou que o novo protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Rock World Lisboa, promotora do festival, contempla a isenção de taxas municipais de 3,13 milhões de euros nas edições de 2026 e 2028, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores. O autarca sublinhou o impacto económico, social e cultural do evento e apontou ainda o investimento de 1,2 milhões de euros por parte da promotora para preparar o Parque Papa Francisco, local escolhido para acolher o festival.

Pelo Livre, o deputado João Monteiro contestou o apoio camarário a um "grande operador privado", enquanto "os comerciantes locais, associações culturais e pequenos promotores pagam taxas e enfrentam burocracia". Já a deputada Joana Silva (PEV) frisou que se trata de um evento "altamente lucrativo" e defendeu que o "apoio municipal deveria ser direcionado para agentes culturais e produções artísticas locais".

Na mesma linha, o deputado do Chega Luís Pereira Nunes afirmou que "Lisboa paga que os outros lucrem", argumentando que um festival com bilhetes de preço elevado e com milhares de pessoas por dia não deveria ficar totalmente dispensado do pagamento de taxas municipais.

Do lado do PCP, o deputado Fábio Sousa sustentou que "não há base objetiva que permita concluir que esta isenção é condição necessária para a realização do festival", enquanto o deputado do BE Rodrigo Machado questionou se a "chantagem de 'sem isenção eles vão-se embora' " corresponde, de facto, à realidade.

Pelo PAN, o deputado António Morgado Valente criticou "as isenções milionárias e apoios gordinhos também noutros eventos", como o 'Chic-Nic' que aconteceu no domingo no Parque Eduardo VII, por entender que contribuem para que Lisboa se torne "numa espécie de Mónaco dos pelintras".

Em sentido oposto, a deputada Liliana Fidalgo (PSD) defendeu que o evento reforça a imagem de Lisboa dentro e fora do país e que apoiá-lo "não significa esquecer a cultura de proximidade". Já José Pedro Barros (IL) apontou a "desadequação do regulamento de taxas", defendendo a sua revisão. Francisco Camacho (CDS-PP) salientou o impacto económico do evento como fundamento para a isenção, mas considerou que, futuramente, o protocolo de cooperação deve prever contrapartidas que envolvam as freguesias mais afetadas.

Protocolo, calendário das edições e estudo de impacto económico

A 11.ª edição do Rock in Rio Lisboa realiza-se este ano nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho. A 12.ª edição acontecerá em 2028, "em datas a definir, mediante acordo entre as partes", segundo o protocolo.

A proposta estabelece a isenção do pagamento de taxas municipais para as próximas duas edições, num valor estimado de 3,13 milhões de euros em cada uma, abrangendo ações de divulgação, licença especial de ruído e a ocupação do parque com estruturas.

De acordo com um estudo de impacto económico da 10.ª edição do Rock in Rio Lisboa, realizada em 2024, conduzido pela Nova School of Business & Economics (Nova SBE) da Universidade Nova de Lisboa, o evento gerou "um volume de negócios de 120 milhões de euros na economia portuguesa, com cerca de 80% do público [...] [oriundo] de fora do município de Lisboa".

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