Os automóveis conectados deixaram de ser uma tendência passageira e a fase dos veículos definidos por software já está a acontecer: os carros podem ir ganhando novas capacidades ao longo de toda a vida útil, graças a atualizações remotas.
Esta mudança forçou os construtores tradicionais a encarar o software de outra forma e a reconhecer que aí se encontra uma das próximas grandes fontes de receita do sector automóvel.
A Stellantis acompanhou este movimento e, no final de 2021, no seu primeiro Software Day, apresentou um roteiro para os anos seguintes, explicando como o software iria moldar o futuro das 14 marcas automóveis (15, se contarmos com a Leapmotor International) sob a sua alçada.
Agora, quase quatro anos depois, no mais recente Software Day, a Stellantis detalhou como está a pôr em prática esse plano estratégico, partilhou métricas e deixou antever o que se segue, reiterando a meta definida em 2021:
A Stellantis quer faturar 20 mil milhões de euros em produtos e subscrições baseados em soluções de software até 2030.
Para chegar lá, a empresa estima ter, até ao final da década, mais de 34 milhões de carros conectados a circular nas estradas.
Receitas de software aumentaram 2,5 vezes em 3 anos
Segundo os dados divulgados, a Stellantis soma atualmente 13,8 milhões de veículos conectados - e, por isso, passíveis de monetização - distribuídos pelas diferentes marcas do grupo. Trata-se de veículos de passageiros e comerciais com ligação à Internet e aos servidores da Stellantis, com capacidade para aderir a serviços de valor acrescentado.
Com estes quase 14 milhões de automóveis conectados, o peso do software nas receitas globais do grupo tem vindo a crescer: desde 2021, essas receitas aumentaram 2,5 vezes. No mesmo período, o número de subscritores de serviços por assinatura subiu para cinco milhões.
A somar a isto, a Stellantis indicou que, só em 2023, realizou mais de 94 milhões de atualizações remotas (OTA) em veículos do grupo, permitindo adicionar, corrigir e melhorar funcionalidades já depois de os automóveis saírem das linhas de produção.
Três novas plataformas tecnológicas
A espinha dorsal do futuro software automóvel da Stellantis assenta em três plataformas tecnológicas - STLA Brain, STLA SmartCockpit e STLA AutoDrive - cuja integração está prevista até ao final de 2024.
Apresentadas em 2021, no primeiro Software Day, estas novas arquiteturas serão incorporadas nas quatro plataformas de veículos do grupo (STLA Small, STLA Medium, STLA Large e STLA Frame) e deverão servir de base para todos os próximos modelos das 14 marcas do universo Stellantis.
- STLA Brain: disponibiliza acesso remoto completo aos sensores e atuadores do automóvel, permitindo reduzir para metade o número de unidades de controlo eletrónico (ECU) por veículo, para cerca de 60.
- STLA SmartCockpit: traz uma nova geração de personalização e funcionalidades conectadas, suportadas por aprendizagem automática e Inteligência Artificial (IA), com o objetivo de simplificar a experiência de utilização. O elemento central passa a ser um perfil pessoal digital, que o utilizador pode transportar entre diferentes veículos do grupo.
- STLA AutoDrive: junta a STLA Brain e a STLA SmartCockpit para disponibilizar tecnologias de apoio aos Sistemas Avançados de Assistência ao Condutor (ADAS), permitindo condução mãos-livres limitada (olhos na estrada e Nível 2+).
Novos serviços conectados
Para lá do potencial de negócio associado ao software, a Stellantis pretende usar estas capacidades para elevar a experiência de utilização dos seus produtos. Nesse sentido, está a preparar novos serviços conectados e funcionalidades orientadas tanto para clientes individuais como para frotas.
Entre as propostas com maior destaque está o e-ROUTES (já disponível na Europa), uma aplicação para telemóvel, desenhada especificamente para automóveis elétricos, que permite planear percursos com base em dados do veículo em tempo real.
A solução é compatível com Apple CarPlay e Android Auto, podendo integrar o e-ROUTES no sistema de navegação. Além disso, ajusta as paragens de carregamento às preferências do condutor, incluindo os métodos de pagamento escolhidos e o nível mínimo de bateria definido.
ChatGPT oferecido de série
Após um projeto-piloto em outubro de 2023, a Stellantis prepara-se para ser o primeiro construtor a disponibilizar o ChatGPT como funcionalidade de série em veículos novos e existentes, com chegada a 20 países europeus até ao final de 2024.
O novo Peugeot e-3008 será um dos primeiros modelos da Stellantis a receber esta funcionalidade.
Integrada no sistema de controlo por voz dos automóveis, esta tecnologia deverá tornar a experiência mais completa, com interações simples mas de grande alcance.
Será possível, por exemplo, perguntar ao sistema que monumentos visitar numa determinada cidade. Ou, em alternativa, pedir-lhe que conte uma piada sobre o automóvel que estamos a conduzir. Tudo é possível.
Entretanto, na América do Norte, a Stellantis já disponibiliza um AppMarket que permite aceder a novos serviços e pagar subscrições diretamente no veículo.
Este serviço já pode ser ativado remotamente em quase metade dos veículos Jeep e Ram lançados entre 2021 e 2023. A Stellantis garante que vai chegar a “99% dos veículos elegíveis até ao final de 2024”.
Outra novidade relevante é o Free2move Connect Fleet, uma plataforma que “liga os gestores de frotas aos seus veículos (…) em tempo real” e que permite consultar, em linha, dados vitais dos veículos, como a vida útil do óleo ou o estado da bateria.
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