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Imigração, crime e insegurança: EUA, Europa e Portugal em perspectiva

Mulher jovem a caminhar na calçada urbana com mala de viagem e documento na mão, de dia.

Boa tarde!

Princípios: imigração regulada e sociedade aberta

Primeiro: sou a favor de uma imigração regulada e contínua, enquanto expressão de um valor cosmopolita. Somos um país aberto e um Estado de direito. Imigração, sim - mas não com os excessos e o descontrolo evidentes do tempo de Costa. E dizer isto não equivale a subscrever as novas leis da nacionalidade deste governo de direita, que são, de facto, um erro. Dá a sensação de que entrámos numa espécie de caça ao bom senso.

Segundo: a imigração é, em muitos domínios, uma necessidade económica e social, nomeadamente no que toca à Segurança Social. Portugal ou será mestiço ou não será, ponto final.

Mas nada disto significa afirmar que a imigração não traz problemas. Ser pró-imigração não pode ser sinónimo de fazer de conta que os imigrantes nunca criam situações difíceis; aliás, esse é um dos caminhos mais rápidos para darmos força ao Chega: fingir, negar, contornar o incómodo. O mundo não é a preto e branco, e também não é tudo igual em toda a parte ao mesmo tempo.

Vamos, então, por partes.

EUA vs Europa: imigração e criminalidade

Nos EUA, os dados são bastante claros: não parece existir, de facto, uma ligação entre imigração e crime. Pelo contrário, a fase de imigração em massa nos EUA coincidiu, na realidade, com uma diminuição do crime sem precedentes. Acontece que esta evidência tão transparente no contexto americano não se replica na Europa, infelizmente.

No Reino Unido, o maior caso de criminalidade sexual - que, diga-se, foi sendo abafado pelos media liberais - está ligado a gangues de homens muçulmanos que abusavam de jovens britânicas. É, em certo sentido, um caso Epstein, mas com homens paquistaneses no Reino Unido. Como é que isto ficou no ângulo morto de tantas agendas de indignação? Porque as vítimas são quase sempre raparigas brancas e os agressores são quase sempre homens paquistaneses.

Aliás, torna-se difícil não relacionar a dimensão do escândalo (a gravidade em si e as sucessivas tentativas de silenciamento) com a ascensão do partido Reforma em localidades esquecidas como Rotherham, Telford e Oldham - a Inglaterra esquecida que aparece em grandes séries como “Vale Feliz”. Este caso, conhecido como “Gangues de Aliciamento”, é uma vergonha absoluta para o Estado, para a sociedade e para os média ingleses. Durante muito tempo, os media liberais tentaram não contar a história para manter imaculada a ligação entre comunidades imigrantes e segurança; só que, ao fazê-lo, traíram valores essenciais: o respeito por mulheres e raparigas, a defesa do feminismo e o combate à masculinidade tóxica - aqui, no caso de gangues muçulmanos.

Na Alemanha, a resposta também está longe de ser tão límpida como a que encontramos nos EUA. Os imigrantes - novamente, homens muçulmanos - surgem com uma percentagem demasiado elevada em crimes, sobretudo nos crimes violentos: 16% da população da Alemanha é estrangeira, mas representa 34% dos suspeitos de crimes. Isto significa que, neste momento, um terço dos criminosos na Alemanha é estrangeiro, migrante ou refugiado; não há como contornar este dado, tal como não há maneira de fingir que isto é irrelevante para a subida da extrema-direita/AfD.

Claro que aparecem logo “especialistas” do politicamente correto a tentar enquadrar: dizem que os imigrantes estão sobrerrepresentados nas estatísticas do crime por serem mais novos e terem mais filhos e, como se sabe, o crime - e sobretudo o crime violento - é cometido maioritariamente por rapazes/homens jovens. Como as comunidades imigrantes são mais jovens e têm mais filhos, acabam por surgir, naturalmente, sobrerrepresentadas no crime. Sim, certo.

Mas e se relacionarmos isto com outra variável - o fanatismo religioso e islamita, que é, por si mesmo, violento contra homossexuais e, sobretudo, contra mulheres? Ficamos horrorizados quando vemos no Paquistão, na Síria e no Afeganistão crimes de uma cultura misógina e depois fazemos de conta que essa mesma cultura misógina não entra na Europa com imigrantes desses países?

Cerca de 900 mil refugiados sírios vivem na Alemanha e 115 mil estão identificados pela polícia como suspeitos de crime. É um número elevadíssimo: quase 13%. Um texto da DW tenta disfarçar o facto, desculpando o cenário com o argumento de que esses refugiados sírios são sobretudo rapazes/homens jovens. Ou seja: quando o tema envolve muçulmanos, a “masculinidade tóxica” já não é para ser criticada sem contemplações; passa a funcionar como atenuante...

O que devíamos estar a discutir é o problema evidente da masculinidade machista e homofóbica de imigrantes muçulmanos e a forma de a neutralizar e integrar nos valores liberais e progressistas. Ou será que a “masculinidade tóxica” só serve quando é preciso atacar homens brancos e a manosfera? Passamos por cima da violência praticada por muçulmanos dentro das nossas sociedades como se fosse irrelevante e tentamos, a todo o custo, esconder esse radicalismo.

Portugal: estatísticas, sensação de insegurança e quatro exemplos

E em Portugal? Do ponto de vista estatístico, não se encontra uma relação direta, mas isso não quer dizer que não existam problemas que geram uma sensação de insegurança - uma sensação que nem sempre tem demonstração em números.

Dou 4 exemplos.

Primeiro: vejam o apelo do influenciador António Bravo, que vive no Cais do Sodré e que interveio como munícipe na Assembleia da Câmara. Há problemas de segurança evidentes e, se queremos ser cosmopolitas e abertos, temos de reconhecer os problemas onde eles existem.

Segundo: desço muitas vezes da Graça até ao Martim Moniz e é evidente que aquela zona está a transformar-se num gueto que só trará complicações. Um gueto apertado, sujo e fora das normas do resto da cidade. A Clara Ferreira Alves tem razão: é preciso abrir e limpar este mono urbano; é preciso obrigar quem chega a respeitar regras básicas, como as da higiene urbana.

Terceiro: no Alentejo, os problemas são óbvios e há muitas mulheres que se sentem inseguras - ou mesmo perseguidas - por imigrantes muçulmanos. A cultura que está todos os dias em guerra com o “patriarcado” - e eu estou - não pode, depois, calar-se perante a misoginia extrema da cultura muçulmana.

Barracas, autarquias e tensão social na Margem Sul

Quarto, e para terminar: a questão das barracas. A narrativa preferida dos média sobre barracas é quase sempre a mesma: criticar o autarca que deita abaixo e vitimizar quem chega e levanta uma barraca. É também a narrativa da esquerda da esquerda - que, não por acaso, tem cometido um erro: esquecer o povo que já cá está e que também é pobre.

Um exemplo: Camarate. Nunca vi uma reportagem a perguntar ao povo de Camarate o que achava das demolições das barracas que tinha à porta. Nunca. O povo de Camarate falou depois nas eleições e foi claro no apoio ao autarca que a esquerda diabolizava. O BE e o Livre juntos tiveram ali 264 votos.

Há ainda outro problema grave, criado pela combinação de imigração e barracas na Margem Sul: bairros clandestinos a crescer, com puxadas ilegais de eletricidade que acabam por provocar apagões em bairros legais - bairros que pagam a luz. Ou seja, uma pessoa pobre ou remediada está a viver a sua vida (ou a manter a sua empresa) no bairro x, a pagar o que tem de pagar. E vê chegar imigrantes que montam um bairro clandestino, o bairro y. Para além de questões de salubridade, nasce este problema grotesco: ao fazerem ligações ilegais, os imigrantes do bairro y cortam a luz ao bairro x repetidamente, numa lógica diária durante meses, ou até anos.

Como é que isto acontece? Como é que a Câmara de Almada diz que a culpa é da E-Redes e como é que a E-Redes diz que a culpa é da Câmara, e ninguém resolve? Como é que isto se pode arrastar durante meses ou anos? Depois, os média tendem a não querer falar disto e, nas noites eleitorais, ficam todos muito surpreendidos com o sucesso do Chega na Margem Sul.

Eu não concordo, mas percebo perfeitamente esta revolta do povo da Margem Sul através do Chega, porque mais ninguém os defende; porque, para uma parte relevante da esquerda, defender o povo tugão é visto como “racismo” se do outro lado estiverem imigrantes ilegais negros ou castanhos. Estes casos revelam bem esta miopia da esquerda perante o pobre branco que vive ao lado do pobre negro/muçulmano. Não por acaso, o velho povo branco de esquerda saltou para o... Chega.

A mim pouco me interessa se os habitantes ilegais do bairro y são pretos, brancos ou azuis às pintinhas: não podem fazer ao bairro x o que fazem, ponto final. E é absolutamente grotesco o nosso silêncio coletivo perante estas realidades.

Assim, a resposta não é um sim absoluto - como deseja a extrema-direita - nem um não absoluto, como eu pedia ou esperava. Há demasiadas zonas cinzentas que não estão a ser vistas nem relatadas, porque não fica bem, porque setores progressistas querem evitar discutir estes temas. É nesses silêncios que o monstro cresce.

Um abraço,

Henrique Raposo

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