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Diogo Silva faz crescer a Naura Innovation Lab após o banco digital suíço Radicant

Grupo de jovens numa reunião informal, com um a mostrar um smartphone a outros à volta de mesa com laptop.

Há quatro anos, Diogo Silva recebeu a missão de montar, a partir de Portugal, uma equipa tecnológica encarregue de desenvolver o banco digital suíço Radicant: uma plataforma construída na cloud da Google, pensada para operar sem balcões e servir os clientes exclusivamente via telemóvel.

Da criação do Radicant ao crescimento da Naura Innovation Lab

O gestor arrancou sozinho num escritório minúsculo, com 13 metros quadrados, em Lisboa. “Eu se esticasse os pés tocava na porta”, recorda ao Expresso. Dessa operação portuguesa nasceu uma empresa dedicada a soluções tecnológicas para banca e a aplicações móveis - hoje chamada Naura Innovation Lab - que passou a ter cerca de 45 trabalhadores e viu a faturação subir de €400 mil em 2022 para €2,6 milhões em 2025.

O convite para integrar o processo de criação do banco digital surgiu em 2022, quando Diogo Silva estava de férias no Brasil, e trazia um calendário exigente: a aplicação móvel tinha de ser lançada em março de 2023.

De acordo com Diogo Silva, a Naura Innovation Lab conta atualmente com 45 trabalhadores e tem registado um aumento da sua faturação

Para cumprir o prazo, a equipa foi crescendo a um ritmo acelerado. “Eu lembro-me de que a primeira coisa que pensei foi: ‘E agora? Para quem é que ligo?’ Fui à minha lista de contactos e comecei a procurar quem eram as pessoas que achava que poderiam ajudar. E ao fim de seis meses já éramos 10, ao fim de oito meses éramos 30 e chegámos ao final do ano com 35 pessoas”, relembra Diogo Silva. O responsável sublinha ainda que toda a base tecnológica foi feita em Portugal - “desde a primeira linha de código até à base da inteligência artificial”.

O desafio de ganhar confiança num banco 100% digital

A principal dificuldade, conta, foi levar clientes habituados ao presencial a aceitarem um banco totalmente digital. “Eu estava na Suíça e há um dia em que tocam à campainha no escritório. Era uma senhora que tinha viajado de Genebra de comboio porque queria fazer um depósito. Nós dissemos: ‘O depósito faz-se no seu telemóvel.’ Foi muito giro, porque o mercado não estava preparado para isto”, relata o responsável da Naura Innovation Lab.

A mudança de mentalidade também se sentiu dentro do próprio projeto. Do lado suíço, os parceiros impunham rotinas formais, horários rigorosos e controlos de segurança apertados. Antes de entrarem no trabalho, todos os profissionais tiveram de apresentar registo criminal.

A adesão ao Radicant, numa fase inicial, avançou de forma lenta, em especial entre clientes mais velhos, habituados a falar presencialmente com gestores de conta e desconfiados de soluções inteiramente digitais. O cenário começou a alterar-se com campanhas de rua e parcerias com influenciadores suíços.

Fecho do Radicant e transição para o Alpian

Apesar dessa evolução, o negócio do Radicant não acabou por se afirmar. No final de 2025, o seu acionista, o BLKB, decidiu encerrar a operação do banco digital, reconhecendo uma imparidade equivalente a €115 milhões e transferindo a carteira de clientes para outro banco, o Alpian, do grupo Intesa Sanpaolo. Diogo Silva não quis comentar as razões que conduziram ao fecho do Radicant, mas refere que a Naura passou a trabalhar com o Alpian e, desde janeiro deste ano, tem vindo a diversificar as fontes de receita.

A empresa - criada em Lisboa, em 2023, com o nome Radicant Innovation Hub - passou, em março de 2026, a operar como Naura Innovation Lab. Para este ano, antecipa um aumento de 50% na faturação face a 2025 e pretende entrar em novos mercados, incluindo Dinamarca, Noruega, Canadá e Estados Unidos.

Nova aplicação inspirada no Pix para pagamentos em Portugal

Ao Expresso, Diogo Silva adiantou que a Naura Innovation Lab está a desenvolver uma aplicação inspirada no sistema de pagamentos instantâneos Pix, utilizado no Brasil, com lançamento previsto até ao final do ano, embora dependente de processos regulatórios. A ambição é permitir que brasileiros consigam pagar em Portugal através de contas bancárias brasileiras, reduzindo custos e eliminando intermediários.

“Мuitos têm de fazer transferência do banco no Brasil para um banco de um amigo aqui em Portugal e o amigo aqui tem de levantar o dinheiro”, explica. A proposta passa por facilitar pagamentos para turistas e imigrantes brasileiros que ainda não conseguem abrir conta em Portugal. “O que estamos a desenvolver é uma aplicação onde vamos cortar os intermediários”, acrescenta. A intenção é que seja possível usar o Pix em Portugal com contas do Brasil, numa linha de desenvolvimento que outras fintechs [empresas tecnológicas de serviços financeiros] também têm explorado.

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